Abertura do Rio de Encontros 2016 em frases e fotos

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Plateia na abertura do Rio de Encontros 2016, na ESPM / Foto: Thiago Brito

O Brasil anda agitado. No Rio, como no restante do país, mais que vozes dissonantes, os movimentos urbanos evidenciaram o grande poder de mobilização das redes sociais. Na abertura do Rio de Encontros 2016, debatedores e plateia exibiram afinação sobre as múltiplas possibilidades que a internet proporciona quando o objetivo é espalhar boas iniciativas.

O diretor executivo do ITS Rio, Fabro Steibel, responsável pela plataforma Mudamos; artista plástico José Miguel González Casanova, criador do projeto Banco dos Irreais; e o ativista e comunicador Rafael Rezende, diretor do Meu Rio, foram os convidados especiais para discutir e provocar sobre o tema do dia: A internet e as novas formas de mobilização e representação.

Moderado por Ilana Strozenberg, diretora acadêmica d’O Instituto, o encontro ocorreu na quinta-feira, 28, na ESPM, no Centro do Rio.

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Ilana Strozenberg, José Miguel González Casanova, Fabro Steibel e Rafael Rezende / Foto: Thiago Brito

Confira algumas das falas mais marcantes do debate:

“É sempre bom dizer ‘que a gente pretende potencializar a riqueza que a gente só encontra quando faz enfrentamento das diferenças. Como é bom efetivamente dialogar.”
Ilana Strozenberg

“Especialmente em momentos como esse que a gente está vivendo, de tamanha incerteza, o Rio de Encontros só ganha mais importância pela oportunidade de dividir e partilhar.”
Flávia Flamínio

“Quando você abre a porta para todo mundo entrar, a primeira que entra é que te odeia, que diz ‘eu discordo’.”
Fabro Steibel

“Podemos criar entre nós outras maneiras de estabelecer trocas. Uma alternativa além do dinheiro como uma forma de economia única.”
José Miguel González Casanova

“Você pode disputar narrativas e criar contrapoder. Pega uma webcam e um computador e veja o poder que você tem.”
Rafael Rezende

“Como mobilizar não somente o universitário, a academia, mas a juventude popular? As plataformas atuais mobilizam muito mais uma classe média. Como seduzir o jovem e aproximá-lo desse debate?”
Veruska Delfino

“A gente tem de pensar juntos sobre os procedimentos e o que mobiliza a mim. Cada um tem de saber o que sabe, porque a partir do momento que você entende, você não para. Só me vejo coletiva.”
Renata Codagan

“Os tempos da política são outros. Eles organizam enquanto a gente está distraído fazendo outras coisas. As redes criam ansiedade de solução que exigem paciência.”
Ana Cláudia Souza

“É tão difícil (para quem não tem acesso à internet). Eu quero participar e não consigo. Como a gente consegue, além das plataformas, criar eventos presenciais?”
Edgar Siqueira

“Como reivindicar o que não conhecemos? É difícil participar sem conhecer.”
Ingrid Soares Pereira Pimentel

“Sou um artista e a arte não significa nada por si mesma, mas assume o significado dado por quem vê.”
José Miguel González Casanova

“Os outros regimes são piores que a democracia.”
Fabro Steibel

“Como discutir segurança pública em espaços que legitimam a violência da polícia?”
Aline Copelli

“Não é comum a sociedade pensar sobre como elaborar políticas públicas. Porque não se ensina o que é política pública.”
Pedro Cruz

“Duas mil pessoas vigiando uma escola parecem pouco. Mas é muita gente. Você não precisa de todo mundo, mas precisa ter gente para provocar.”
Fabro Streibel

A internet e as novas formas de mobilização e representação

Eis o nosso convite para a primeira edição do Rio de Encontros 2016. Como convidados, o diretor executivo do ITS Rio, Fabro Steibel, responsável pela plataforma Mudamos; artista plástico José Miguel González Casanova, criador do projeto Banco dos Irreais; e o ativista e comunicador Rafael Rezende, diretor da plataforma Meu Rio.Cartaz-2016

 

Nova programação

A programação de Rio de Encontros em 2016 já tem data marcada para começar. Será no dia 28 de abril, na sede da ESPM, patrocinadora oficial do ciclo de debates que, em seu sétimo ano, traz o desafio de pensar o futuro em torno de uma questão central: as transformações decorrentes das tecnologias da comunicação e da cultura das redes.

Serão sete edições ao longo do ano dedicadas ao livre pensar e debater sobre o Rio de Janeiro e seus múltiplos imaginários e contradições. O formato envolve a presença dos provocadores, dos jovens vindos de projetos desenvolvidos na Grande Rio de Janeiro, e da plateia de convidados. Uma tríade que tem sido peça chave para o sucesso dos diálogos.

Na estreia, teremos como tema “A internet e as novas formas de representação e mobilização. Os provocadores serão José Miguel González Casanova, do Banco dos Irreais; Fabro Steibel, da Plataforma Mudamos; e Rafael Rezende, da Plataforma Nossas Cidades.

Confira a programação, espalhe a novidade do mês e agende-se.

Caminhos para o Rio: economia criativa e cultura maker – encerramento do ciclo 2015

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Em clima de confraternização, o encerramento da temporada 2015 teve a participação inspiradora de BATMAN ZAVAREZE e GABRIELA AGUSTINI, apresentação do resultado do Laboratório de Criatividade e Inovação e de quatro projetos desenvolvidos por jovens empreendedores da Turma Rio de Encontros.

Dois craques em reunir pessoas com talentos diferentes para trabalhar em torno de ideias criativas, os realizadores Gabi Agustini e Batman Zavareze fecharam com fartas doses de otimismo a temporada 2015 do Rio de Encontros. A dupla foi convidada para a sessão de encerramento do ano, conversando sobre o tema Caminhos para o Rio: Economia Criativa e Cultura Maker. Foi uma tarde inspiradora, que terminou com a entrega dos certificados de participação para os alunos da Turma Rio de Encontros.

Dez anos antes de fazer o festival que acaba de completar o 10º aniversário, Batman Zavareze registrou o nome Multiplicidade. Ainda estava na faculdade e a palavra “multi” começava a ser usada para classificar coisas que ainda não tinham nome. O próprio Batman – nascido Marcelo – também não tinha encontrado uma palavra para definir o que fazia profissionalmente. “Eu era inclassificável e me incomodava quando as pessoas me chamavam de multimídia. Aos poucos, me apropriei desse benefício que é ser inquieto, curioso. É o grande barato num país que tem grandes problemas para se buscar conhecimento, como o nosso”, disse Batman, curador do Festival Multiplicidade, diretor de arte, designer, multiartista, agitador, entre outras possíveis classificações.

Leia mais sobre a participação de Batman Zavareze

Com Gabriela Agustini não é muito diferente. “Eu fui jornalista”, ela diz, avisando que hoje costuma explicar o que faz “mais pela não definição do que pela definição”. “Acabei me envolvendo com projetos que têm essa interseção entre cultura, empreendedorismo, tecnologia, inovação”, conta Gabi, uma das pessoas que está à frente do Olabi, um ‘maker space’ aberto há um ano, em Botafogo. “Ele vem de numa tentativa de estimular a apropriação de tecnologia, fazendo com que as pessoas olhem para os aparatos de forma um pouco diferente”, explica.

Leia mais sobre a participação de Gabi Agustini

IMG_0388No encontro, também foi apresentado o resultado do Laboratório Audiovisual, ministrado pelo professor Giovani Moragoni. Inspirado pelas contribuições dos alunos nas oficinas, ele compôs a música “A vida quer viver”, que virou trilha sonora do vídeo, feito coletivamente e editado por Manaíra Carneiro, cineasta e monitora do projeto. “O Rio de Encontros para mim foi uma oportunidade de poder olhar para conceitos como criatividade, foco, necessidade. No primeiro encontro, pedi para que as pessoas se apresentassem criativamente, e foi incrível. Me senti inspirado por eles”, disse o professor da ESPM.

Leia frases em destaque do Rio de Encontros

O clima de comemoração, no entanto, não fez com que fosse esquecido um evento importante para a cidade, que ocorria quase ao mesmo tempo da sessão do Rio de Encontros: a passeata em Madureira, organizada em memória dos cinco jovens assassinados em Costa Barros, por policiais militares, no dia 19 de novembro. “Aqueles meninos eram para estar aqui com a gente. Nossos pensamentos hoje vão para eles, as famílias e esse movimento que está acontecendo no Parque Madureira”, disse Silvia Ramos, na abertura do debate.

O Rio de Encontros volta em 2016!

Mão na massa!

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Gabi conta suas experiências com criações coletivas. Fotos: Davi Marcos (Imagens do povo)

GABRIELA AGUSTINI fala sobre o Olabi, um lugar para pessoas comuns, criações coletivas e tecnologias diversas

Lugares de experimentação e compartilhamento do fazer. Essa é uma das definições do que são os maker spaces, que podem ter ferramentas de marcenaria, componentes tecnológicos, agulhas e linhas de tricô ou ser um espaço totalmente em branco, como explica Gabriela Agustini, professora em lugares como a Fundação Getúlio Vargas e Universidade Cândido Mendes, e há um ano está envolvida com o Olabi, em Botafogo, um desses makers spaces. “No fundo, não importa muito como é a infraestrutura. Esses espaços partem do principio de que o cidadão comum tem oportunidade de criar muita coisa a partir de coisas muito simples, que as pessoas podem fazer juntas, somando conhecimentos. Não é sobre as máquinas ou as ferramentas, mas sobre as pessoas em conjunto construindo coisas”, define.

O nome em inglês desses lugares, espaços de experimentação, onde é possível colocar a mão na massa, tem razão de ser: facilitar a conexão com outros espaços semelhantes, espalhados pelo mundo. “Existe uma potência muito grande nesse tipo de produção”, explica Gabi, que embarcou para o Egito logo depois da sessão do Rio de Encontros, para conhecer iniciativas semelhantes no país.

A África, aliás, é um continente que concentra algumas das inovações originadas de espaços como esses. “No Quênia, o sistema de pagamento por celular chegou antes do sistema bancário”, conta Gabi. Criatividade e precariedade são ingredientes para inovações. “Em alguns países, as pessoas ficaram livres para fazer a engenharia reversa. Como todo o lixo tecnológico vai para lá, a galera acessa e cria novos usos. E o componente do lixo é bastante central na nossa atuação, de transformar algo que já existe e criar algo novo em cima. Embora essas iniciativas fiquem invisíveis nas mídias, porque a gente tem mais informações do que vem dos Estados Unidos e da Europa, tem muita coisa produzida na África que tem muito a ver com os desafios como os nossos”, disse.

SEM MEDO DE CAIXAS PRETAS

IMG_0056O que se faz no Quênia e outros países do Hemisfério Sul é o que, no Brasil, ficou conhecido como “sevirismo”, ou “a arte de se virar”. “As tecnologias não são neutras. As funções embutem comportamentos culturais e ter a possibilidade de criar coisas é importante no mundo de hoje, quando o nível de homogeneidade de pensamento é pouco diverso”, explica Gabi.

A desconstrução de máquinas e a utilização de sucatas inspirou as criações dos participantes do Gambiarra Favela Tech, feito pelo Olabi, na Maré. “Trabalhamos a partir do lixo, mostrando que as tecnologias podem ser apropriadas para os mais diversos fins. No processo de aprendizagem, os jovens criaram peças a partir de questão que eles colocaram”, conta Gabi. Além das criações, ficou na Maré um maker space, o Bela Labe, que vai ter uma segunda edição, agora para as crianças. A ideia é conhecer os aparelhos por dentro e vê-los como algo que pode ser produzido e não apenas consumido. “Vamos perder o medo das caixas pretas”, conclama Gabi, organizadora, com Eliane Costa, do livro Debaixo para cima, que também trata deste tema.

SUSTENTABILIDADE

A multiplicação desses espaços de criação esbarra numa questão bastante prática: sustentabilidade. Esta foi, aliás, a primeira pergunta feita por Batman Zavareze a Gabi Agustini. “Essa é a parte mais difícil”, afirmou. “A gente tem Fundação Ford e outros apoios desse tipo, como a Open Society, além de aluguel de espaço e patrocínio. Mas são modelos frágeis. Não tenho resposta para isso. A gente tem momentos de abundância e profundo desespero. O que fazemos é gerenciar olhando pra frente. E a capacidade de se antecipar na busca de financiamento é determinante”.

Links:

Olabi: http://olabi.co/

Gambiarra Favela Tech: http://www.gambiarrafavelatech.org/

Debaixo pra cima: http://www.debaixoparacima.com.br/

Forte, frágil, multi

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Batmam Zavareze em conversa amistosa com plateia no último encontro de 2015. Foto: Davi Marcos (Imagens do povo)

Premiado, requisitado, admirado, BATMAN ZAVAREZE fala sobre suas habilidades e acredita que fazer redes seja a maior delas.

Curador do Festival Multiplicidade, Batman Zavareze traçou um panorama da própria carreira, desde a formação de designer, passando pela experiência nos primórdios da MTV, à temporada de estudos na italiana Fabrica, com Oliviero Toscani, até chegar ao momento atual em que ele se dá ao luxo de ter tempo para desenvolver os trabalhos para os quais é convidado – entre eles, por exemplo, o que realizou com Marisa Monte, na turnê de Verdade uma ilusão. “O que realmente me interessa é esse poder que a gente tira sei lá de onde para realizar as coisas”, resumiu ele, que costuma trabalhar com um número variável – mas sempre grande – de pessoas para colocar de pé suas ideias. “Eu tento fazer rede e acho que essa é minha grande habilidade”.

Entre os trabalhos apresentados por ele, o que mais emocionou a plateia foi uma instalação multimídia inspirada na experiência de enfrentamento da doença de sua esposa. “Teve esse momento pesado na vida. A pessoa que estrutura meu tripé para eu sair caminhando, começou ano passado com câncer de mama, que é super comum e você vai vendo que acontece com mais gente do que imaginava. E ela tomou uma decisão: ‘eu vou vencer. É inegociável’. Além de qualquer êxito profissional, eu tinha que estruturar o momento espiritual da gente. Documentei os momentos mais frágeis e mais fortes, gravando o som do coração dela”, contou. O resultado foi apresentado na exposição Força na Peruca. “Quando me chamaram, topei na hora, mas pedi para me ligarem em três meses porque não podia me desconcentrar. Pedi uma sala e pus a foto dela antes e depois, e a trilha sonora era esse som do coração. A Miriam agora está super bem, e deu uma aula pra gente sobre o que estava errado e precisávamos mudar”.

AO QUE VIRÁ

IMG_0288Parece que essas são ideias que estão sempre na cabeça de Batman. “Mesmo que num determinado trabalho o processo tenha sido difícil, quero colocar as coisas na minha mochila e ter orgulho das relações que fiz ali”, diz. A tal mochila nas costas tem sentido figurado e literal: nela também costuma estar o laptop onde rodam os softwares sofisticados que ajuda a criar, ao lançar desafios para engenheiros, designer e outros criadores. Normalmente, shows e eventos que têm recursos para bancar grandes estruturas são oportunidades para desenvolver as inovações, que podem ser reaproveitadas em outras ocasiões.

Batman vive criando espaços para inovações. O mais longevo deles é o Multiplicidade, festival de múltiplas artes, que completou 10 anos em 2015. Realizado no Oi Futuro e no Parque Lage, o festival reúne artistas de várias linguagens, do mundo todo – e, na equipe, gente que vem de todos os lugares também. “O Multiplicidade investiga diálogos da arte com a tecnologia no sentido mais amplo possível”, explica Batman que batizou a edição deste ano como Festival Multiplicidade 2025. “Há um tempo, numa conversa, o Tom Zé falou pra mim: não deixe para fazer retrospectiva quando fizer 10 anos. Faz dois anos de retrospectiva e quando o Festival fizer 10 anos faça sua antevisão. Foi o que fizemos. Esse ano a gente fez esse exercício libertador para se projetar em 10 anos. A gente inventou um manifesto que serve para o festival e qualquer coisa na vida, que tem que envolver compartilhamento, honestidade, amor”.

Realizado no Oi Futuro e no Parque Lage, o festival reúne artistas do mundo todo – e, na equipe, gente que vem de todos os lugares também. “Tem um momento que é festa, mas a gente aglutina e tenta fazer o máximo de troca possível, focada em celebrações, discussões. É uma plataforma de troca artística e cultural”, frisa ele, que, quando começou, percebeu que tinha que aprender sobre leis de financiamento se quisesse levar sua ideia adiante. “Se eu tiver que aprender, não tenho medo, não”. Isso ele aplica a tudo.

E foi também o conselho de Batman Zavareze à plateia. Inventor do próprio caminho, Batman se mostra aberto a fazer junto, criar conexões, aprender e compartilhar conhecimento, com quem tiver talento e disposição, juntando gente dos mais diferentes lugares e estratos sociais. Silvia Ramos, conselheira do Rio de Encontros, quis saber se ele estabelecia algum tipo de cota social para escolher a equipe de trabalho. “Não trabalho com cotas, mas com esse olhar para quem quer agarrar as oportunidades. Sigo minha intuição. Às vezes a gente acha pedras que obviamente tem que ser lapidadas, e que são super valiosas”, disse ele, também envolvido com duas escolas de arte e tecnologia voltadas para jovens de bairros e comunidades populares: a Oi Kabum e a Spetaculu. “Quando terminei o curso na Itália com o Toscani e estava voltando para o Brasil, ele me disse: ‘não se engane. Em terra de cego, quem tem um olho é caolho’. Ou seja, eu não podia voltar me sentindo o rei, porque tinha estudado fora. Eu tinha que aplicar o que aprendi e estudar mais, sempre. E sempre me junto com pessoas que têm essa paixão”.

Links

Festival Multiplicidade: http://www.multiplicidade.com/site/

Debate “Caminhos para o Rio: economia criativa e cultura maker” em frases

O convidado Batman Zavareze provoca plateia para pensar a cidade de forma criativa. Foto: Davi Marcos (Imagens do povo)

O convidado Batman Zavareze provoca plateia para pensar a cidade de forma criativa. Foto: Davi Marcos (Imagens do povo)

Natural que as questões sobre “como fazer” tenham sobressaído nas perguntas durante o debate que se seguiu à apresentação de Gabi Agustini e Batman Zavareze, convidados para falar do tema Cultura Maker. Mas além de saber mais sobre o caminho das pedras, muitas ideias e reflexões sobre o Rio, as conexões e formas de convivência marcaram o último Rio de Encontros de 2015. Algumas delas estão destacadas nas frases a seguir:

MÚLTIPLAS TROCAS

Admiro muito todas as tentativas de diálogos da cidade”, Gabi Agustini

O Rio de Encontros para mim foi uma oportunidade de poder olhar criatividade, foco, necessidade. Me senti inspirado por eles. Tivemos seis encontros, com temas como inovação, audiovisual, visões inaugurais… Pude ser bombardeado por pessoas e pesquisas maravilhosas. Na real: quem aprendeu nessa história fui eu” – Giovani Marangoni

O processo de montar uma máquina é mais importante do que o resultado.
Esse espaço não é sobre as máquinas ou as ferramentas, mas sobre as pessoas em conjunto construindo coisas” – Gabi Agustini. 

Quando a gente começa esse projeto em Honório Gurgel, a gente não levou nada para lá e encontrou coisas que a gente acha super interessantes. A ideia é encontrar as potências criativas e dar visibilidade ao lugar onde a gente mora” – Victor Hugo Rodrigues

Como fazer para não trabalhar só com jovem de classe média que estudou no São Vicente? Como você incorporou o pessoal de periferia?” – Silvia Ramos

A RIQUEZA DO LIXO

O componente do lixo é bastante central na nossa atuação. Fazer não diz respeito a algo novo, mas também a transformar algo que já existe, criando algo novo em cima” – Gabi Agustini

Na Colônia Juliano Moreira sempre aproveitamos o lixo. O Bispo do Rosário utilizava o lixo. Lixo não é para jogar fora. É para reutilizar”, Bruna Rios

PERIFÉRICOS CONECTADOS

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A convidada Gabi Agustini fala sobre seu trabalho no Makerspace ‘Olabi’. Foto: Davi Marcos (Imagens do Povo)

As tecnologias não são neutras. As funções embutem comportamentos culturais” – Gabi Agustini

A gente é da periferia e não se via representado em nenhum lugar. Por isso criamos a TV Hare, que é uma web emissora. A gente não depende de grandes equipamentos e criamos a primeira web novela do mundo, Geminies. Temos 3 milhões de acesso e como tudo é legendado, por causa da qualidade do som, temos um público deficiente auditivo muito grande” – Denise Kosta

Nosso papel é auxiliar organizações sociais relevantes, trazer olhar da tecnologia e o que está por trás para que se potencialize e transforme a cidade em um lugar mais humano, justo e bom para todos” – Gabi Agustini 

MEIOS E MENSAGENS

Máquinas para laboratórios caseiros geram autonomia para as coisas que estão nas bordas, nas periferias, no sentido amplo. A gente vem estimulando essa criação e trabalhando com parceiros no eixo sul, tentando mostrar ao norte que existe muita coisa importante produzida aqui. É preciso trazer diversidade para esse discurso” – Gabi Agustini

Qual o conselho que você daria pra gente estimular a criatividade?” – Luiz Gustavo

Quando eu estava na faculdade, desejei muito trabalhar com um cara, que era o Gringo Cardia, que fazia várias coisas nos anos 90. Quando tive oportunidade, a primeira coisa que ele me pediu foi pegar uma vassoura e varrer o palco. Naquele momento, entendi que a melhor coisa para ser criativo é ser comprometido. Tem que ter comprometimento. O resto é estrada. A gente vai errando e aprendendo” – Batman Zavareze

Queria saber o que você quer dizer para o mundo com o que você produz. Qual é a interação de sentimento, que faz seu trabalho ser o que é?” – Diogo Rodrigues

Meu objetivo é ser grande. Na impossibilidade de mudar o Brasil, quero mudar o Rio, me envolver em projetos que tenham impacto, que sejam bom pra mim e pra todo mundo” – Batman Zavareze 

Vamos perder o medo das caixas pretas” – Gabi Agustini

ADMINISTRAR TEMPO, CRIATIVIDADE

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O músico Eddu Grau também esteve presente na plateia Rio de encontros. Foto: Davi Marcos (Imagens do Povo)

Como você trabalha o seu eu? Às vezes me sinto sobrecarregado… Como você faz para não ter problema de estômago, estresse?” – Eddu Grau

Acho que a gente tem que ser totalmente emocional para compensar a avalanche de razão que cobre a vida. Não quer dizer que não vai colocar emoção na dose certa, no momento certo. Se a gente competir com o robô, a gente vai perder. Só que eu nunca vou deixar um robô me ganhar” – Batman Zavarese 

Para mim, é difícil gerenciar o que resolver primeiro, e o que resolver depois. Como você lida, separa e classifica os desafios?” – Priscilla Alves de Moura

Aqui eu mostrei uma sequência encapsulada de sucessos. Mas a vida não é isso. A gente vive numa montanha russa danada” – Batman Zavareze 

Criatividade e inovação são coisas diferentes. Criativos todos somos. Inovação é questão de obstinação? Quando foi que você entendeu o seu processo criativo? Você lembra o momento em que o desenvolveu?” – Renata Codagan

Tem uma discussão grande sobre se a criatividade nasce da necessidade ou do foco. Música é muito bom para pensar sobre isso: você não inventa o novo, mas consegue fazer novas combinações, que produzem coisas novas” – Giovani Marangoni

Se eu tiver que aprender, não tenho medo não” – Batman Zavareze

O MOMENTO DA CIDADE

Aqueles meninos eram pra estar aqui com a gente. Nossos pensamentos hoje vão pra esses meninos, essas famílias, esse movimento que está no Parque Madureira”, Silvia Ramos

Esse trabalho começou para sair da crítica e chegar na ação. Moro na região de atuação do Batalhão da Morte, como é conhecido o 9º BPM. Honório Gurgel é separado de Costa Barros, onde os cinco jovens foram fuzilados pela PM, por apenas um bairro, Barros Filho” – Victor Hugo Rodrigues

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Turma 2015 encerra o ciclo de debates do ano. Foto: Davi Marcos (Imagens do povo)