Rio de Encontros discute A lógica do voto na próxima quinta (24)

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Brasileiro não sabe votar. Atribuída a Pelé, a frase que já foi ponto de partidas para várias discussões ao longo de anos servirá de gatilho para a próxima roda de conversa do Rio de Encontros. Com o tema A lógica do voto, o evento acontece na próxima quinta (24), a partir das 14h, no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá.

Dentro das novas percepções múltiplas e diversas da cidade a que a nossa rede têm se dedicado, queremos saber: como os eleitores cariocas escolhem em quem votar? Para discutir essa questão com o público, os convidados são Ana Carolina Lourenço, Carol Santana e Francisco Mendes Guimarães.

Ana é socióloga com mestrado pela UERJ e coordenadora executiva do escritório brasileiro da Fundação Cidadania Inteligente, organização internacional que trabalha com processos de consolidação democrática em toda a América Latina. Já Carol é moradora da Vila Kennedy, onde toca um trabalho social ha 5 anos que disponibiliza diferentes tipos de assistência a crianças e famílias do bairro, e uma das jovens líderes em formação pela Agência de Redes para Juventude. Nascido em Niterói, Francisco é especialista em Estatística pela Unicamp, com Pós em Pesquisa de Mercado e Opinião –pela UERJ, e fundador do Instituto GPP – Planejamento e Pesquisa, que existe desde 1991.

O encontro acontece na sala 2.2, no 2º andar da Escola do Olhar, no Mar. Os lugares são limitados e, em função das normas do Museu, a inscrição pelo e-mail riodeencontros2018@gmail.com é indispensável para constar da lista de convidados na entrada, que ficará disponível na entrada do museu até as 14h30. Aqueles que não se inscreverem poderão entrar, em ordem de chegada, caso haja lugares disponíveis.

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Debate aborda protestos de 2013 e eleições de 2018

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Roda de conversa reuniu Maria Alice Rezende de Carvalho e Antonio Engelke

A teoria e a prática da constituição de 1988, os protestos de 2013 e as eleições de 2018 foram alguns dos assuntos discutidos na 1ª edição do Rio de Encontros em 2018. Com o tema Democracia no Brasil: Riscos e perspectivas, a roda de conversa reuniu a historiadora e socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho e o sociólogo Antonio Engelke no último dia 26 no Museu de Arte do Rio (MAR).

Confira abaixo algumas das falas mais emblemáticas do evento:
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Maria Alice Rezende de Carvalho fala sobre Constituição e liberdade no Brasil

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Maria Alice Rezende de Carvalho: ênfase na reivindicação da igualdade garantida pela constituição de 88 enfraqueceu a defesa da liberdade no país

Há povos que se apaixonam tanto pela igualdade que esquecem da liberadade. A ideia é do pensador francês do século XIX Alexis de Tocqueville, mas serve para analisar a realidade brasileira nos últimos 30 anos, na opinião da historiadora e socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho. Em sua participação na 1ª edição do Rio de Encontros em 2018, ela falou sobre a importância da Constituição de 1988 e dos efeitos que a criação da carta magna teve na democracia brasileira, que em outubro terá um momento decisivo. “A pergunta que eu me farei nessas eleições é ‘que candidato dará mais chance para sociedade se organizar com mais autonomia? Quem melhor responder a isso terá o meu voto”, comentou a pesquisadora.

Maria Alice iniciou sua participação na roda de conversa falando sobre o impacto da Constituição de 1988 na realidade brasileira. Segundo ela, mais do que ditar as novas regras para um país que saía da ditadura, a carta magna deu destaque a temas como direitos humanos e a autonomia do cidadão para se organizar e conceber a vida. “Apostar na constituição de 1988 é apostar nisso”, afirmou ela. Porém, na opinião da pesquisadora, ​​a sociedade se desmobilizou por conta da estabilidade proporcionada pela democracia. “A normalidade institucional, com eleições de representantes com os quais nós nos identificávamos, fez com que o tônus social arrefecesse”, explicou ela.

De acordo com Maria Alice, uma das principais vítimas desse movimento foi a defesa intransigente da liberdade. Com a luta contra a desigualdade no centro das atenções, o valor da independência individual gradativamente perdeu importância no debate nacional até chegarmos aos dias atuais. Segundo números do Datafolha, 20% dos brasileiros não veem diferença entre um governo democrático. “Acho que nos ajudaria muito ter um projeto de nação. Os militares tinham, prezavam o investimento em ciência e, por isso, criaram universidades, investiram em tecnologia. Hoje em dia, nem direita nem esquerda têm isso. Ficamos sem saber em quem votar”, comentou a historiadora.

​​Ela destacou que, em relação à valorização equilibrada da igualdade e da liberdade, os cariocas podem dar ao país um bom exemplo. “Historicamente, o Rio é uma cidade com instituições opressoras, mas uma cultura popular muito autônoma. Aqui, tia Ciata, Villa-Lobos, Pixinguinha e vários outros criaram uma cidade que vive de forma inovadora e com uma cultura que a sacode”, disse Maria Ali​c​e​ Rezende​. Como exemplo recente e bem-sucedido dessa linhagem de mediadores, Maria Alice lembrou Marielle. “Ela foi votada na Zona Sul falando a partir da periferia com um projeto para toda a cidade e preparo para executá-lo”, comentou a socióloga, que aposta que novas Marielles virão suprir a carência que a cidade tem de atores sociais desse tipo.

No processo para que mais brasileiros tenham acesso à cidadania, ela destacou ainda a importância de que todos conheçam melhor a constituição e outras leis, para que possam cobrar com mais eficiência seu cumprimento.

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Maria Alice ofereceu uma interpretação interessante dos protestos de 2013. “Para mim, foi uma revolta contra a cidade da ditadura, já que a morfologia urbana de nossas cidades vem dessa época”, disse. A historiadora lembrou que a população urbana do Brasil cresceu 7 vezes entre 1940 e 1970 em locais com uma oferta limitada de serviços e pouco espaço para as negociações características da política. “Com isso, o país hoje tem péssimas cidades e viver nelas é um terror que nós naturalizamos”, explicou a socióloga, para quem as manifestações podem ter significado um basta à situação de falta de mobilidade, qualidade de vida e conforto com a qual convivemos. “Isso é tão verdadeiro que houve marchas mesmo nas cidades com populações menores. Nossos corpos estão cansados de uma cidade que, por meio de estações de trem cheias de escada e outros obstáculos, diz a eles o tempo todo que ainda vivemos numa ditadura”, resumiu ela.

 

 

Antonio Engelke discute os desafios da democracia no Brasil

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Sociólogo participou da 1ª edição do Rio de Encontros em 2018, no MAR

Com a corrupção nas manchetes e um congresso com a pior avaliação da história, a democracia é tema de discussão recorrente nos bares, trens e demais ambientes de todo Brasil. O sociólogo Antonio Engelke falou sobre o tema na 1ª edição do Rio de Encontros em 2018. Na visão do pesquisador, só a volta às origens pode garantir o futuro do atual sistema político. “A democracia não é a realização do interesse de quem a pratica, mas a conciliação de vários interesses conflitantes”, disse ele durante a roda de conversa realizada no último dia 26 no Museu de Arte do Rio (MAR).

O sociólogo iniciou sua participação comentando a importância da Constituição de 1988. Segundo ele, ao mesmo tempo em que garantiu governabilidade aos presidentes eleitos depois de sua promulgação, a carta magna abriu as portas para um sistema de troca de favores baseado em indicações para cargos e outras vantagens que gerou corrupção e, por fim, levou à erosão do modelo que a própria constituição ajudara a criar. “Os partidos deixaram de representar quem vota para conversar com sua própria agenda”, disse Antonio. Outro ponto destacado pelo pesquisador foi o fato da lei máxima do país não valer da mesma forma em todas as partes do território, como demonstram as arbitrariedades cada vez mais frequentes cometidas nas periferias do Rio e do Brasil. “O que vemos no cenário atual é o arbítrio – e não a lei – ser igual para todos”, afirmou o sociólogo.

Como exemplo desse quadro, Antonio lembrou uma reuniãoda UPP Santa Marta, 1 mês após sua implantação, na qual esteve presente. Na ocasião, os moradores reclamavam de revistas humilhantes e procedimentos irregulares adotados pelos policiais, como a proibição de festas após as 22h. Segundo o sociólogo, após muito debate entre os dois lados, a comandante da UPP afirmou que deixaria os eventos voltarem a acontecer caso os moradores se comportassem “direitinho”. “Só a constituição não vence a cultura por trás de uma situação como essa, mas, sem o marco legal dela, é impossível superar arbitrariedades assim”, comentou Antonio.

Entretanto, o pesquisador destacou que armadilhas podem se esconder em alternativas à democracia representativa, como a opção por referendos e outros mecanismos de participação direta. “Quando se toma uma decisão por plebiscito ou forma parecida, fica muito mais difícil revê-la”, comentou ele. “No fim, nem sempre a participação é tão democrática assim, embora pareça na teoria”, acrescentou. Na sua opinião, o melhor caminho para que o atual sistema saia da encruzilhada na qual se encontra é a aposta no diálogo como ferramenta básica. “Fazer acordos não é um desvio ou doença, mas a própria essência do jogo democrático”, resumiu ele.

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Além das questões acima, Antonio também falou sobre a importância dos protestos de 2013. O sociólogo propôs duas leituras possíveis sobre esses eventos. Uma entende as manifestações como início de uma trajetória encerrado com impeachment de Dilma em 2016 e conduzido por grupos que, três anos antes, enxergaram nas passeatas uma oportunidade de se fortalecer e ganhar espaço, como o MBL e outros. “Milhões de pessoas na rua sempre abalam um governo e, quando há sangue na água, os tubarões se animam”, comentou Antonio. Uma segunda análise possível considera o processo iniciado em 2013 ainda não teve seu desfecho. “Ideias fracassam várias vezes até conseguir se firmar, como aconteceu com a própria democracia. Talvez o impacto dos protestos não vá se dar no resultado do jogo, mas em suas regras”, afirmou o pesquisador.

Democracia no Brasil: Riscos e perspectivas – o debate em frases

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O Rio de Encontros reiniciou suas atividades com força total. Na 1ª roda de conversa do ciclo de 2018, o tema foi Democracia no Brasil: Riscos e perspectivas. Temas como os 30 anos da Constituição Federal de 1988, a diferença entre a letra da lei e a sua aplicação na prática e a importância do diálogo no exercício da política estiveram entre os mais lembrados. Diante de uma sala 2.2 lotada, a historiadora e socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho, o sociólogo Antonio Engelke e os demais presentes conversaram por 3h. A mediação do evento ficou a cargo de Ilana Strozenberg, diretora acadêmica d’O Instituto.

Confira abaixo algumas das falas mais emblemáticas do debate:

“A constituição de 1988 pensou no cidadão, que pode se organizar e conceber sua vida por meio de ações autônomas. Sua marca é o consenso pautado pela questão dos direitos humanos. Apostar na constituição de 1988 é apostar nisso”
(Maria Alice Rezende de Carvalho)

“Ao completar 30 anos, a constituição de 1988 está em crise, assim como outros princípios. Um exemplo é a presunção da inocência, que foi violada no episódio das prisões durante uma festa em Santa Cruz”
(Igor Rosa)

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Tarcísio Lima: “A ausência de filosofia no currículo dificulta a percepção de direitos e deveres”

“Já fui ridicularizado por agir dentro da lei durante uma batida policial. A ausência de filosofia e outras noções básicas no currículo dificulta a percepção de direitos e deveres”
(Tarcísio Lima)

“As cidades são vistas como espaços por excelência da vida democrática, pela maior diversidade, oferta de alternativas, serviços e possibilidades de circulação. Mas como pensar isso no Rio, onde a circulação é limitada e os direitos são violados?”
(Ilana Strozenberg)

“Em relação a obras, o debate está dominado pela indignação com a corrupção, mas com pouca discussão sobre o interesse público delas. Os desvios na construção do metrô são um descalabro, mas também é um absurdo ele ir à Barra e não à Baixada”
(Antonio Engelke)

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Mariana Xavier: “Talvez, a gente saiba mais do que quem só ouviu falar de onde moramos”

“Quero que, mais que territórios, pessoas de periferia estejam representadas na política. O olhar externo para nossos problemas é diferente do nosso, que circula a cidade. Talvez, a gente saiba mais do que quem só ouviu falar de onde moramos”
(Mariana Xavier)

“Democracia não é só para quem quer, é para quem tem acesso”
(Ellen Rose)

“É muito difícil pensar em representação acordando às 5h30 para ir trabalhar. Em Caxias, temos coronéis que mandam e desmandam nos vereadores. Na Baixada, a constituição está passando muito longe. Não sei como levar esse debate para lá”
(Aline Costa)

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“Sobre a angústia de levar essa discussão para outros territórios, penso que não dá para esperar pelo poder público. Precisamos levar o que aprendemos aqui para praças, terreiros, igrejas. Não podemos ter medo. Lugar de coitado não é para mim”
(Cyntia Matos)

“O saber popular tem que estar presente na democracia. Sei que isso é um desafio, mas é algo que me inquieta. A democracia não vai ser um direito de todos enquanto saber popular precisar ser filtrado pela academia”
(Veruska Delfino)

“Tocqueville dizia que há povos que se apaixonam tanto pela igualdade que esquecem da liberdade. Não adianta todos serem iguais, mas mudos. Esse tema vem sumindo do horizonte brasileiro. De tão desiguais, quase não falamos mais em liberdade”
(Maria Alice Rezende de Carvalho)

“A democracia não é a realização do interesse de quem a pratica, mas a conciliação de vários interesses conflitantes (…) Fazer acordos não é um desvio ou doença, mas a própria essência do jogo democrático”
(Antonio Engelke)

“Eu estava no último comício do Freixo quando, na empolgação da hora, ele disse que não ia abrir diálogo com o outro lado. Nesse momento, senti que perdemos. Representante tem que ser mediador”
(Teresa Guilhon)

“Acho que nos ajudaria muito ter um projeto de nação. Os militares tinham, prezavam o investimento em ciência e, por isso, criaram universidades, investiram em tecnologia. Hoje em dia, nem direita nem esquerda têm isso. Ficamos sem saber em quem votar.”
(Maria Alice Rezende de Carvalho)

“Quando se toma uma decisão por plebiscito ou forma parecida, fica muito mais difícil revê-la. No fim, nem sempre a participação é tão democrática assim, embora pareça, na teoria”
(Antonio Engelke)

“A pergunta que eu me farei nessas eleições é ‘que candidato dará mais chance para sociedade se organizar com mais autonomia? Quem melhor responder a isso terá o meu voto”
(Maria Alice Rezende de Carvalho)

Rio de Encontros debate Juventude, Democracia e Participação Política em 2018

Com tema Democracia e cidadania no Brasil: riscos e perspectivas, 1º encontro da série acontece no próximo dia 26

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2018 promete ser quente. De olho nas eleições de outubro, o Rio de Encontros escolheu Juventude, Democracia e Participação Política como tema para os encontros deste ano, com base nas discussões do ano passado. O primeiro evento da série debate Democracia e cidadania no Brasil: riscos e perspectivas, no próximo dia 26, a partir das 14h, no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá. Continuar lendo