Turma pergunta sobre subúrbio, patrimônio e outros temas no 1º encontro do 2017

No evento, historiador e diretor do MAR debateram o tema “espaços da arte, espaços da cidade”

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O significado de um museu voltado para o subúrbio e o desafio de definir o patrimônio da cidade foram alguns dos temas abordados pelos participantes da turma do Rio de Encontros em suas perguntas no primeiro bate-papo da série em 2017. Realizado no último dia 11, o evento aconteceu na recém-inaugurada Sala de Encontro do Museu de Arte do Rio (MAR). A primeira rodada de questionamentos aconteceu após a fala de Evandro Salles, diretor do museu. Já a segunda série de perguntas aconteceu depois da apresentação de Antonio Edmilson, historiador e especialista em história do Rio.

Confira abaixo alguns dos melhores trechos do bate-papo:

Primeira rodada

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Sou uma pessoa entusiasmada com o museu e a cidade. Em 2017, o bairro de Santa Cruz completa 450 anos em dezembro. Já há alguma atividade em relação a isso em vista por parte de vocês? Trabalhar a subjetividade do indivíduo em relação ao seu lugar traz um valor grandioso para o território e seus moradores. (Veruska Delfino)

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Como estamos aqui nesta região, me veio à mente durante a sua fala a imagem dos transatlânticos e dos barquinhos. Acho que a gente precisa entender essa cidade portuária a partir da perspectiva das sensações e experiências. No fim do ano passado, tive oportunidade de me jogar no mar aqui na Praça Mauá e achei muito legal. Por que o MAR não começa a propor esse tipo de experiência, que faz com que a gente se sinta de fato neste lugar? (Renata Codagan)

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Você falou que o MAR foi criado para dar visibilidade à periferia e não à zona sul. Mas, considerando o mundo da arte, em que medida esse tipo de posicionamento não transforma as coisas em mercadoria? Será que isso não acontece hoje com a periferia? (Nelson Mugabe)

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O MAR não dá visibilidade ao subúrbio. Ele é um museu do subúrbio, com relações privilegiadas com essa área. Essa atitude pode ser tomada como oportunismo por conta da complexidade do tema. E, por isso, o museu busca maneiras de trabalhar essa questão. Em tempos de espetáculo, há museus com grandes exposições e patrocínio, mas pouca reflexão sobre a arte, a convivência e a vivência. Esse espaço busca exatamente inverter essa relação. Não é um lugar para simplesmente passar e não experimentar, é um espaço para ser tomado por pessoas, como está acontecendo hoje aqui. O espaço do museu não é do subúrbio nem da zona sul, mas das pessoas. Com isso, não estamos abdicando de um relação com a zona sul, mas abrindo uma nova perspectiva. Esse museu pretende incluir e trabalhar com as diversas dimensões da cultura, seja do subúrbio ou da zona sul. Queremos quebrar essas rigidíssimas paredes que limitam o trânsito das pessoas. Temos algumas iniciativas nesse sentido, como um programa com crianças de vários bairros – inclusive Santa Cruz. Infelizmente, Veruska, ainda não temos uma programação específica para comemorar o aniversário do bairro. Outro dia, uma moça dormiu em um desses sofás esperando uma palestra e eu fiquei feliz por ela se sentir em casa dentro do museu. O campo da arte é o campo do inconsciente. É absolutamente necessário dormir no museu. Trabalhamos dentro dessa persectiva de interação, de convergência, de mudar a relação das pessoas com a arte. Essa sala é de alguma maneira uma resposta à sua pergunta, Renata. (Evandro Salles)

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Evandro, seu ponto de vista é interessante. Afinal, tomar as pessoas pelo inconsciente é, de alguma forma, considerar que todos somos iguais (Ilana Strozenberg)

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Para mim, o museu, a galeria, todos esses espaços são sistemas de mediação. Eles são responsáveis por intermediar o contato entre a obra e o público. Dentro disso, como eu posso estabelecer uma leitura única para um determinado trabalho? Nem todas as pessoas reagem da mesma maneira a uma mesma obra de artes. Há obras que são universais, mas a experiência pessoal de cada um é sempre muito particular. Creio que o MAR tem que respeitar a experiência individual das pessoas, sem desconsiderar aquilo que é comum. O museu guarda tesouros e existe para dividi-lo com as pessoas e levá-las a mudar alguma coisa de sua perspectiva de mundo. E o papel do curador é descortinar o poético e pensar como as pessoas podem se apropriar dele. (Evandro Salles)

Segunda rodada

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De 2014 para cá, o vendedor de mate e outras ícones do Rio tem sido convertidos em patrimônio imaterial da cidade. Qual é sua opinião sobre isso? (Luciana Cruz)

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Trabalhei por 11 anos na Maré e sei que mobilidade não é só ter acesso a ônibus, metrô e outros meios. Com a longa exposição à violência, cria-se uma cultura de confinamento e as pessoas deixam de sair de onde moram. Como podemos pensar e trabalhar as diferentes camadas da cidade? (Renata Codagan)

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Os espaços da arte da cidade me causam um certo incômodo, porque eu acredito que eles deveriam ser campos de disputa e não os vejo assim hoje. Um exemplo disso é o Travessias, que acontece na Maré, mas sem artistas que sejam de lá. Quantos artistas pobres, pretos e favelados vocês conhecem? Acho importante pensar nisso. (Davi Marcos)

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Renata, resgatando sua pergunta da primeira rodada, penso que uma cidade não pode ser só um porto. O Rio é um porto e mais alguma coisa. O porto foi nossa ligação com Londres e outras cidades. Mas, ao mesmo tempo e por causa dele, a cidade ficou de costas para a Baía. Em relação a patrimônio, Luciana, entendo que a gente não evoluiu nada. Um exemplo de um caminho possível é o bairro de Marechal Hermes. Apesar das modificações, as pessoas dali sabiam como o local era e isso foi o suficiente para que pudéssemos fazer a patrimonialização daquele espaço. Patrimonializar é reconhecer que um determinado fato aconteceu em um determinador lugar. E essa relação não precisa ter sido estabelecida há muito tempo. Afinal, eu posso abrir um bar hoje e ele ser tradicional, mesmo que ele não tenha 100 anos. Em Buenos Aires, eles resolveram isso com a categoria do bar notável, que abrange bares novos que dialogam com o que há de tradicional na cidade. Aqui no Rio, ainda não chegamos nesse nível. No caso do Baile Charme do Viaduto de Madureira, havia quem se opusesse à transformação dele em patrimônio pelo fato de ser algo muito novo. Mas conseguimos enquadrá-lo com a justificativa de proteger para garantir a continuidade. Enquanto isso, a Ordem Terceira é tradicionalíssima no Rio, mas quer vender todos seus prédios na rua da Carioca, o que descaracterizaria aquele casario. Pessoalmente, Davi, acho que a cidade é mais importante que o museu. Porque os museus aprisionam as coisas. Antigamente, os museus do Rio eram dos caras ricos que punham as peças neles. No nosso caso aqui, os museus foram usados para “limpar” a Praça Mauá. Museu devia ser espaço para todo mundo andar, tipo boulevard. Aqueles hóteis com diária a R$ 9 que existiam por aqui, aqueles barbeiros, tudo está acabando. Os museus tornaram essa uma área moralizada. (Antonio Edmilson)

Fotos: Thiago Brito/ESPM

Antonio Edmilson fala sobre Rio cosmopolita e processos de exclusão

Historiador foi convidado do primeiro bate-papo do Rio de Encontros em 2017

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“O Bob’s nos trouxe o hambúrguer. A gente criou o podrão”, afirmou Antonio Edmilson (Thiago Brito/ESPM)

Como o Rio pode se manter cosmopolita sem deixar de pertencer aos cariocas? Essa a pergunta guiou a fala do historiador Antonio Edmilson no primeiro bate-papo do Rio de Encontros em 2017, realizado no último dia 11 no Museu de Arte do Rio (MAR). Entre um apito e outro dos transatlânticos, o convidado defendeu que a cidade precisa reconhecer mais e melhor suas peculiaridades para vencer o impasse.

“Meu esforço hoje é o de mostrar às pessoas as singularidades da cidade”, explicou Antonio. Ele acredita que só assim o Rio poderá tomar a decisão certa no dilema entre ser uma cidade global ou atender às demandas e expectativas de seus moradores. “O Rio precisa se comparar com outras cidades não a partir de suas semelhanças, mas pelas diferenças”, argumentou o historiador. Nesse sentido, ele criticou a gourmetização da comida de botequim e a ideia de que o Rio, em algum momento, tenha imitado Paris. “Quem não imitou?”, rebateu o convidado. Segundo ele, deve se dar maior importância a projetos como o Maré de Sabores, que reúne mulheres cozinheiras da comunidade da Zona Norte. Para Antonio, iniciativas assim são uma forma da cidade se reinventar sem perder a sua essência.

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“Fizeram a Linha 4 do metrô para ligar a Barra ao Rio”, brincou o historiador (Thiago Brito/ESPM)

O professor do Departamento de História da PUC-Rio começou sua apresentação destacando a origem híbrida da cidade. “Fruto de uma guerra entre franceses e portugueses, o Rio é cosmopolita desde que nasceu”, afirmou Antonio. Ele comparou o surgimento da cidade à criação da Confeitaria Colombo. Tema de um dos livros do convidado, a tradicional loja também foi criada por portugueses, apesar da inspiração parisiense. Segundo o historiador, o encontro de povos no nascimento do Rio resultou em uma metrópole composta de fragmentos. Nela, a principal beleza é o encontro das diferentes maneiras de pensar e existir, que resulta em “culturas de fronteira”. “O Rio é muito inventivo. O Bob’s nos trouxe o hambúrguer. A gente criou o podrão”, sintetizou Antonio com bom humor.

Entretanto, o historiador entende que certos lugares do Rio são postas à parte nesse mosaico carioca. “Algumas favelas e outras áreas estão fora da cidade por conta de processos de exclusão”, disse Antonio. Para ele, esses processos não são novos. Na visão do convidado, a manuntenção das comunidades da atual zona portuária durante o processo de remoção dos morros do Centro no começo do século XX mostra que a questão já é “secular”. Quase sempre, é o Poder Público quem escolhe quais locais serão conectados à cidade e como isso vai acontecer. “Fizeram a Linha 4 do metrô para ligar a Barra ao Rio”, exemplificou historiador.

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“Eu queria saber em que dia a beleza do Rio virou sua natureza”, disse o convidado (Thiago Brito/ESPM)

Os efeitos desse fenômeno não afetam apenas partes da cidade, mas também seus moradores. Segundo Antonio, as obras para a criação da Linha 1 do metrô expulsaram os ciganos que tradicionalmente ocupavam o Largo do Machado, por exemplo. Além disso, investimentos em pontos afastados da infraestrutura urbana se repetiram ao longo de anos e geraram situações, no mínimo, engraçadas. “Depois das 20h, locais como o MAM e o Riocentro parecem mais perto da Austrália do que do Rio”, brincou o historiador. Combinados ao histórico do município como capital do país e o consequente descaso pelos problemos locais, esses processos fazem com que o carioca saiba menos do que devia sobre o lugar onde mora. “A gente não conhece a cidade, não sabe o que é isso e aquilo, não pergunta”, disse o convidado.

“A gente precisa transformar o Rio em um sítio simbólico de pertencimento”, afirmou Antonio. O historiador acredita que a cidade precisa preservar suas características sem se engessar por conta delas, abrindo assim espaço para o surgimento de novidades que sejam interessantes. Na sua opinião, o Rio não pode ser simplesmente uma cidade portuária, onde a circulação do que existe no mundo seja a principal característica. “Não quero circulação: quero cultura”, resumiu o convidado, antes de uma rodada de perguntas feitas pelos participantes do evento.

Rio de Encontros faz visita guiada à exposição Meu Mundo Teu

Mostra reúne trabalhos do artista paraense Alexandre Sequeira

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Curadora Janaína Melo apresentou obras à turma (Thiago Brito/ESPM)

O Rio de Encontros começou diferente em 2017. A convite do Museu de Arte do Rio (MAR), cerca de 30 participantes do ciclo de debates fizeram no último dia 11 uma visita guiada à exposição Meu Mundo Teu. A mostra reúne oito obras desenvolvidas ao longo de 12 anos pelo fotógrafo Alexandre Sequeira e tem curadoria de Clarissa Diniz e Janaína Melo. Durante o passeio, os alunos puderam contemplar as peças e conhecer um pouco mais do trabalho do artista paraense.

Desenvolvida para a exposição no MAR, a série Constelação do Tião chama atenção. Nela, estão reunidos registros feitos entre as décadas de 1960 e 1980 por Sebastião Pires de Oliveira, fotógrafo e morador do Morro da Previdência morto em novembro de 2015. A partir das fotos de Tião e novas imagens de personagens que aparecem nos retratos, Alexandre revela ao público momentos do cotidiano da favela carioca. Através de monóculos em uma parede, é possível mergulhar em uma festa de aniversário ou em uma laje com crianças com o Pão de Açúcar ao fundo, entre outras cenas.

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A obra Constelação do Tião foi desenvolvida exclusivamente para a exposição no MAR (Thiago Brito/ESPM)

Mas a exposição guarda ainda outras surpresas. Criado em 2007, o trabalho Meu Mundo Teu é uma série de imagens que sobrepoem fotos feitas na adolescência por Tayana Wanzeler, do Guamá, e Jefferson Oliveira, da Ilha do Guambu. “Esses dois bairros ficam na periferia de Belém e são separados pelo rio Guamá. Os dois jovens não se conheciam à época que a obra foi feita”, explicou Janaína, que conduziu a visita guiada. Já Cerco à memória, de 2008, é uma instalação em que som e imagem se combinam para denunciar o incêndio de cemitérios de quilombolas. A prática criminosa é comum no Pará para expulsar comunidades dos locais que ocupam.

“O trabalho do Alexandre tem como um dos seus principais pontos a questão do encontro, da troca”, comentou Janaína. Nascido em Belém em 1961, o fotógrafo é professor de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará. Ele já apresentou resultados de seus projetos na Bélgica, Canadá e França, entre outros locais. Como todas as peças da exposição Meu Mundo Teu foram doadas ao MAR, o museu passou a ser o principal centro de referência da obra do artista.

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Renata Codagan, da Univesidade das Quebradas, observa fotos (Thiago Brito/ESPM)

A mostra no primeiro andar do pavilhão de exposições do MAR começou em 29 de novembro e vai até 16 de julho. O museu funciona de terça a domingo, entre 10h e 17h e o valor do ingresso é R$ 32. Alunos e professores da rede pública, crianças com até cinco anos e maiores de 60 anos têm direito à gratuidade. A entrada é franca às terças e no último domingo do mês.

Meu Mundo Teu, de Alexandre Sequeira

De 29 de novembro de 2016 a 16 de julho de 2017
De 3ª a domingo, de 10h às 17h
Entrada: R$ 32
MAR – Praça Mauá, 05 (1º andar do pavilhão de exposições)

Evandro Salles fala sobre o museu e seu papel na cidade

Diretor do MAR abriu primeira roda de conversas do Rio de Encontros em 2017

34578881352_c258977a71_k.jpgEvandro Salles é diretor do MAR desde outubro (Thiago Brito/ESPM)

A cidade do Rio de Janeiro conta hoje com 81 museus. O dado é do Rio Como Vamos. Mas de onde vêm, para que servem e quais os desafios enfrentam esses e outros centros culturais espalhados pelo mundo? Essas e outras perguntas foram respondidas por Evandro Salles, diretor do Museu de Arte do Rio (MAR), durante sua participação na primeira roda de conversas do Rio de Encontros em 2017, realizada no último dia 11. Durante sua apresentação, ele falou sobre como entende esses espaços e sobre os impactos da criação do MAR na cidade, entre outros assuntos.

“Os museus são uma criação recente na história do Ocidente”, disse Evandro no começo de sua fala. Segundo ele, o surgimento desses locais está ligado à necessidade dos europeus de reunir itens das áreas descobertas a partir das grandes navegações para apresentá-las a seus conterrâneos. Esse movimento é retratado em filmes como Francofonia, lembrado pelo provocador durante o papo. A obra do diretor russo Alexandre Sokurov mostra como os saques de Napoleão em diferentes partes do planeta ajudaram a formar o acervo do Museu do Louvre, em Paris.

O diretor do MAR destacou uma consequência negativa dessa origem dos museus. Por terem nascido da dominação, eles ainda conservariam viva parte da ideologia daquele tempo. “Essa é uma característica que permanece. A nossa busca hoje é por uma visão mais inclusiva e menos segregadora”, comentou Evandro. Entretanto, ele destacou que muitas coisas já mudaram desde o surgimento desses espaços. “Desde Duchamp, a arte é livre da submissão à matéria, à linguagem”, exemplificou, em uma referência ao artista francês que expôs um mictório em uma mostra em 1917.

34356455040_f6836cb977_kO MAR cumpre o papel de repensar o Rio”, afirmou Evandro (Thiago Brito/ESPM)

Na opinião de Evandro, a arte hoje é um fenômeno que articula linguagem, que provoca pensamento. E os museus são os espaços preferenciais da cidade para quem quer entrar em contato com ela. “Dos anos 1960 para cá, os centros culturais passaram por revoluções em sua função e ganharam novas perspectivas”, afirmou Evandro. “Museus como o Beaubourg, de Paris, mudaram as relações na cidade e no mundo”, complementou ele.

É nesse contexto que o diretor do MAR enxerga seu local de trabalho. Para ele, o museu é fruto da renovação urbana de uma área extremamente degradada. “Na ditadura, o coração histórico da cidade foi cortado pela Perimetral. Toda essa área foi destruída por um viaduto em um gesto de brutalidade”, afirma Evandro. “Um dos impactos do golpe foi ter colocado interesses financeiros e particulares acima dos interesses coletivos”, complementou ele sobre o período.

Com a revitalização da zona portuária, os cariocas puderam se relacionar com a localidade de uma outra forma, na qual Evandro enxerga seu museu como peça fundamental. “O MAR cumpre o papel de repensar o Rio e estimular a reflexão sobre seu futuro”, disse ele. “Cultura e arte são instrumentos fundamentais para que as pessoas conheçam seu espaço dentro da cidade”, finalizou, antes de responder a uma rodada de perguntas feitas pela turma do Rio de Encontros.

Espaços da arte, espaços da cidade: Rio de encontros em frases

Historiador Antonio Edmilson e diretor do MAR Evandro Salles abrem a série em 2017

20170511_151515.jpgDiretora acadêmica d’O Instituto Ilana Strozenberg mediou o encontro (Saulo Pereira Guimarães/Rio de encontros)

Qual a relação dos espaços da arte com a vida na cidade do Rio de Janeiro? E o que existe de novo e o que é possível pensar para o futuro? Essas e outras questões foram debatidas no primeiro bate-papo do Rio de Encontros em 2017, que discutiu o tema “Espaços da arte, espaços da cidade” no MAR (Museu de Arte do Rio) no último dia 11.

A tarde nublada não intimidou cerca de 30 pessoas a participarem  do encontro. Antes da roda de conversa, houve uma visita guiada à exposição “Meu Mundo Teu”, do artista Alexandre Sequeira. Depois, o professor de história da PUC-RJ e especialista em história do Rio Antonio Edmilson e o diretor do MAR Evandro Salles debateram e responderam perguntas por quase duas horas. A mediação ficou por conta de Ilana Strozenberg, diretora acadêmica d’O Instituto.

Confira abaixo algumas das falas mais emblemáticas do debate:

“Em tempos de espetáculo, há museus com grandes exposições e patrocínio, mas pouca reflexão sobre a arte, a convivência e a vivência” (Evandro Salles)

“Esse museu pretende incluir e trabalhar com as diversas dimensões da cultura, seja do Subúrbio ou da Zona Sul” (Evandro Salles)

“O carioca tem um problema com o Rio: favelas e outras áreas estão fora da cidade por conta de processos de exclusão” (Antonio Edmilson)

“Posso abrir um bar hoje e ele ser tradicional, mesmo que ele não tenha 100 anos” (Antonio Edmilson)

“O museu guarda tesouros e existe para dividi-los com as pessoas e levá-las a mudar alguma coisa de sua perspectiva de mundo” (Evandro Salles)

20170511_154148Renata faz sua pergunta durante o debate (Saulo Pereira Guimarães/Rio de encontros)

“Trabalhar a subjetividade do indivíduo em relação ao seu lugar traz um valor grandioso para o território e seus moradores” (Veruska Delfino)

“A cidade é um conjunto de fragmentos que a gente é que liga. É preciso andar pela cidade procurando entendê-la” (Antonio Edmilson)

“Cultura e arte são instrumentos fundamentais para que as pessoas conheçam seu espaço dentro da cidade” (Evandro Salles)

“A gente precisa entender essa cidade portuária a partir da perspectiva das sensações e experiências” (Renata Codagan)

“Uma cidade não pode ser só um porto. O Rio é um porto e mais alguma coisa” (Antonio Edmilson)

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Bate-papo aconteceu na recém-inaugurada Sala do Encontro  (Saulo Pereira Guimarães/Rio de encontros)

 

“Mobilidade não é só existir ônibus e metrô, porque quando se cria uma cultura de confinamento, as pesssoas deixam de sair” (Luciana Cruz)

“Em um mundo da arte em que o momento vira uma mercadoria, em que medida isso também não acontece com a periferia?” (Nelson Mugabe)

“Caminhar em espaço de arte me causa incômodo, porque eles deveriam ser espaços de disputa. Quantos artistas pobres, pretos e favelados você conhece? Pense nisso” (Davi Marcos)

“O Rio é muito inventivo. O Bob’s nos trouxe o hambúrguer. A gente criou o podrão” (Antonio Edmilson)

“Outro dia, uma moça dormiu em um desses sofás esperando uma palestra e eu fiquei feliz por ela se sentir em casa dentro do museu” (Evandro Salles)

Espaços da arte, espaços da cidade: Rio de Encontros chega ao MAR em 2017

Amigos, o Rio de Encontros está de volta com ótimas novidades!

Este ano, as discussões sobre os futuros possíveis para a cidade serão sediadas no Museu de Arte do Rio (MAR), o novo parceiro do Instituto Contemporâneo de Projetos e Pesquisa (O INSTITUTO) na iniciativa. Isso vai possibilitar uma aproximação ainda maior da cultura urbana com a arte.

O ciclo de debates começa no dia 11 de maio. “Espaços da arte, espaços da cidade” será o tema do encontro de abertura da série em 2017. O curador do MAR Evandro Salles e o historiador da PUC Rio Antonio Edmilson são os provocadores convidados para a conversa.

 

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Visita guiada

No início do evento que abre o ciclo de debates, o museu oferecerá aos participantes do Rio de Encontros uma visita guiada à exposição “Meu mundo teu”. A mostra reúne fotografias de Alexandre Sequeira. A visita acontecerá de 14h às 14h45. Logo depois, terá início o debate na Sala do Encontro, inaugurada recentemente.

Em função das normas do Museu, será necessário que os participantes confirmem sua presença por meio do e-mail riodeencontros2017@gmail.com para terem livre acesso ao evento. Ao chegar, todos os convidados confirmados deverão se dirigir à recepção no térreo para o cadastramento, para o qual devem levar um  documento. Após deixar mochilas e bolsas na chapelaria, os participantes poderão subir à Varanda Carioca, no segundo andar do museu, onde será servido um café de boas vindas e de onde partirão para a visita guiada à exposição.

Inovação tecnológica e o futuro das cidades

Rio de Encontros sobre tecnologia e cidades / Foto: Roberta Voight

Rio de Encontros sobre tecnologia e cidades / Foto: Roberta Voight

O último encontro do ano tem um quê de despedida e também de expectativa. A edição final do Rio de Encontros 2016, dedicada ao tema “Inovação tecnológica e o futuro das cidades”, no dia 17 de novembro, teve o tradicional e acalorado debate entre provocadores e plateia, entrega de certificados aos jovens que compuseram a audiência fixa do projeto ao longo de suas sete edições, para fechar, exibição de curta-metragem que eles produziram em oficinas  do laboratório de audiovisual da ESPM.

Aos provocadores Marcos Ferreira, fundador da produtora e distribuidora de conteúdo audiovisual, transmídia e digital mobCONTENT,  e Victor Vicente, jornalista e coordenador de comunicação do Instituto de Tecnologia e Sociedade – ITS RIO, coube apresentar conteúdos de plataformas digitais inovadoras que podem transformar a vida na cidade e as relações dos seus moradores com o espaço urbano. A mediação ficou por conta de Fabro Steibel, professor de inovação e tecnologia da ESPM Rio e diretor executivo do ITS RIO.

Para ver as fotos do encontro, CLIQUE AQUI

A diretora acadêmica d’O Instituto, Ilana Strozenberg, deu as boas vindas e apresentou os muitos convidados especiais e parceiros presentes ao encontro, como a diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/LETRAS/UFRJ), Heloisa Buarque de Hollanda; a coordenadora da Universidade das Quebradas e artista performática Numa Ciro; a socióloga e pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Bárbara Soares; a coordenadora da ONG Rio Como Vamos, Thereza Lobo; e a diretora da ESPM Rio, Flávia Flamínio, que anunciou o que está por vir, em 2017. Patrocinadora da série de Encontros desde 2013, a Escola vai reunir em um livro a cobertura e artigos sobre assuntos abordados nos eventos realizados até aqui: “Está ficando maravilhoso. Estamos muito felizes”, disse.

Sem delongas, Fabro Steibel, que há mais de dez anos trabalha com pesquisa e projetos aplicados sobre tecnologia e sociedade para organizações como Unesco, Parlamento Europeu, Comissão Europeia, Mercosul e IDRC, passou a palavra aos provocadores.