Rio de Encontros discute juventude, gênero e afeto no próximo dia 21

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As categorias de gênero são construções culturais? Como as mudanças e novas modalidades de gênero impactam a vida dos jovens? Como isso se manifesta nas mais diversas relações? No próximo dia 21, a 5ª edição do Rio de Encontros em 2017 vai abordar essa e outras questões ao debater o tema Juventude, gênero e afeto no Museu de Arte do Rio (MAR), a partir das 14h.  Continuar lendo

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Turma do Rio de Encontros faz perguntas tão boas quanto alunos em Berkeley, diz Janice Perlman

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Janice Perlman na 2ª edição do Rio de Encontros (Thiago Brito/ESPM)

A socióloga americana Janice Perlman já deu aulas em cursos de pós-graduação nas universidades da Califórnia e de Berkeley, nos Estados Unidos. Ela acompanhou a 2ª edição do Rio de Encontros em 2017, que discutiu o tema “O que é ser jovem no Rio de Janeiro?” e ficou encantada com o que viu. “as perguntas que ouvi no Rio de Encontros eram iguais ou melhores do que aquelas feitas pelos meus alunos no exterior”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao blog do Rio de Encontros.
Confira os melhores momento da conversa:
Qual foi sua impressão do Rio de Encontros?

São eventos inspiradores pela heterogeneidade do público, com gente diferentes locais, cores e idades. No evento com o tema “O que é ser jovem no Rio de Janeiro?”, os convidados falaram coisas interessantes, mas não responderam à pergunta principal. Em qualquer cidade, ser jovem é sempre um desafio. Trata-se de definir quem você é sobre pressão e criar sua própria imagem. O formato da sala foi excelente, com todas as cadeiras em círculo e funcionou super-bem. Ele quebrou a distância entre os especialistas e os espectadores, que conheciam de fato o tema do evento.

Você considera importantes iniciativas como o Rio de Encontros? Por quê?

Acho importante por reunir gente de todas as áreas do Rio. Outro ponto interessante são as falas competentes e autoconfiantes da turma, que tem segurança de si. O terceiro aspecto que me chama atenção é ver nordestinos e negros discutindo lugar de fala com honestidade. Surgiram perguntas maravilhosas e nenhuma delas com raiva ou intenção de humilhar, apesar de sérias e duras. Dei aulas em cursos de pós-graduação nas universidades da Califórnia e de Berkeley e as perguntas que ouvi no Rio de Encontros eram iguais ou melhores do que aquelas feitas pelos meus alunos no exterior.

Qual é o foco da sua pesquisa atual?

Minha pesquisa aborda o impacto dos megaeventos no Rio e tem financiamento da Thinker Foundation, uma fundação que acompanha questões ligadas a políticas públicas. Comecei em 2015 e passei os primeiros dois anos tentando entender a esperança que antecedeu Copa e Olimpíadas. Pude ver como as políticas e a esperança de inclusão e sustentabilidade nesse período foram se desmanchando. Mas, desde o começo, fiquei impressionada com a criatividade dos jovens de favela em meio ao colapso. Houve uma tentativa da parte deles de criar um imaginário positivo em relação às comunidades.

Quais as principais conclusões que seus estudos geraram até o momento?

Sob a noção de que está tudo ruim, há uma vida plena de cores e movimentos surgindo com os jovens. Eles têm mais acesso a universidades, teatros, museus e se valem de grafite, literatura e outras linguagens para se expressar. Quase toda comunidade tem uma iniciativa assim hoje. Também admiro a emergência da noção de metropolitano, no lugar do municipal. Ela representa um processo em sintonia com o Rio que queremos. A bala perdida e o abuso de direitos civis não são capazes de matar a esperança. Apesar de tudo, as pessoas conseguem trabalhar pensando em um futuro melhor para si.

Que transformações você percebeu na sua área de estudo desde sua primeira visita ao Rio? Por que você acredita que essas mudanças aconteceram?

Vim ao Rio pela primeira vez em 1968. Era uma época em que ninguém tinha voz. Muitos não sabiam diferenciar direitos de deveres. As pessoas diziam “eu tenho direito de obedecer o governo”. Nas favelas, mais de 90% das mulheres eram analfabetas, assim como 74% dos homens. Na geração dos filhos dessas pessoas, só 6% eram analfabetos e, na dos netos, 0% não sabia ler e 11% já estavam na universidade. É uma situação muito diferente, que resulta em reivindicações muito diferentes. Entretanto, esse movimento de inclusão na sociedade de consumo não representou aumento da cidadania. Se antes eles tinham medo de perder a casa, hoje têm medo de perder a vida ou um parente.

Qual será o tema do seu próximo livro?
Pretendo abordar a importância de ser gente. Se todos no Rio fossem tratados como tal, haveria menos violência, mais mobilização social e novas ideias em cultura, educação e outras áreas. O grande desafio do momento não é o imediato, o Fora Temer, mas sim organizar esse novo contrato social, com foco no respeito às diferentes cores, raças, idades e estilos de vida, que nas favelas são muito importantes. Durante a minha pesquisa, vi pessoas com dinheiro que não saíam de suas comunidades por conta desse estilo de vida. O Rio perderia muito se acabasse com isso, porque é esse estilo de vida que faz dele uma cidade maravilhosa. Na abertura das olimpíadas, quem dançava, pulava e fazia a graça do espetáculo não era o Corcovado ou o Pão de Açúcar, mas as pessoas das favelas. Ao mesmo tempo, esses mesmos moradores são vítimas de maus tratos. Tudo isso é muito paradoxal. O que faz do Rio uma atração do turismo mundial é a cultura que sai da favela. Sufocá-la é contra-produtivo.

 

Novo formato do Rio de Encontros agrada convidados

Debate com provocadores protagonistas cede espaço para roda de conversa em que todos têm o direito de falar

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Plateia acompanha a 3ª edição do Rio de Encontros em 2017 (Thiago Brito/ESPM)

Uma novidade do Rio de Encontros em 2017 vem recebendo elogios de todos os que têm participado da série de diálogos. Trata-se do novo formato, em que o debate com os convidados – no evento, sempre denominados “provocadores” – cede espaço para uma roda de conversa, em que a palavra circula entre todos os participantes. Continuar lendo

Debate sobre educação e trabalho aborda reforma do ensino médio e relação escola-emprego

Evento teve participação de Manuel Thedim, Márcia Florêncio e Severine Macedo

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Cerca de 80 pessoas compareceram ao encontro (Thiago Brito/Rio de Encontros)

A reforma do ensino médio e a relação entre escola e trabalho foram alguns dos temas abordados na quarta edição do Rio de Encontros em 2017. Com a participação de Manuel Thedim, Márcia Florêncio e Severine Macedo e mediação de Teresa Guilhon, o debate discutiu o tema “Juventude, Educação e Trabalho” durante quase três horas no último dia 17 no MAR.

Confira a seguir um resumo das discussões: Continuar lendo

Manuel Thedim fala sobre os desafios e transformações do mundo do trabalho

Economista participou da quarta edição do RIo de Encontros em 2017
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Manuel Thedim: “No Brasil, a educação representa 40% do valor do salário” (Thiago Brito/ESPM)

A taxa de desemprego entre pessoas com idade entre 18 e 24 anos no período entre abril e junho de 2017 foi duas vezes maior do que aquela verificada na população brasileira em geral. O dado foi divulgado pelo IBGE na última quinta (17), quando o economista Manuel Thedim participou da quarta edição do Rio de Encontros 2017. O convidado falou sobre os desafios e transformações do mercado de trabalho que afetam hoje os jovens em busca de emprego. Continuar lendo

“A escola pública é fundamental”, defende Márcia Florêncio

Psicóloga defendeu o ensino público e falou sobre a importância da escola em sua formação

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Márcia Florêncio: “Eu me preocupo muito em como podemos ressignificar a escola” (Thiago Brito/ESPM)

“A escola pública é fundamental, é o grande lugar de todos nós, especialmente dos negros e negras”, afirmou a psicóloga Márcia Florêncio na quarta edição do Rio de Encontros em 2017. Durante o debate no último dia 17, a convidada defendeu a instituição e falou sobre a importância dela na sua formação como cidadã. Continuar lendo

A educação só não salva

Ex-secretária nacional da juventude Severine Macedo fala sobre outros fatores importantes para entender o jovem
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Severine Macedo fala na quarta edição do Rio de Encontros em 2017 (Thiago Brito/Rio de Encontros)

“A educação só não salva”. A frase sintetiza bem a participação de Severine Macedo na quarta edição do Rio de Encontros em 2017. No debate, a ex-secretária nacional da juventude defendeu que a escola não é a única janela por meio da qual se pode observar o jovem. “Ela é muito importante, um ponto central, mas precisamos olhar um pouco além da escola”, defendeu a convidada.

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