O olhar estrangeiro na construção da cidade maravilhosa

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Foto: Thiago Diniz (Imagens do povo)

ISABELA PERROTA ressalta o papel dos viajantes na definição sobre os símbolos do Rio. Foi o olhar estrangeiro que primeiro nos ensinou a admirar as belezas da cidade. “Os primeiros pintores europeus que retrataram o Rio nos ensinaram que a cidade era linda”, afirma a designer e historiadora Isabela Perrota, professora da ESPM e uma das provocadoras do Rio de Encontros sobre Utopias da Cidade Maravilhosa. Com um estudo sobre os símbolos da cidade que se converteram em marcas reproduzidas em produtos variados, Isabela Perrota falou sobre a força que a paisagem adquiriu no imaginário do Rio. “A Cidade Maravilhosa é uma construção histórica e social que a gente aceitou muito bem”, disse ela, ressaltando o orgulho que o morador tem da paisagem da cidade em que vive. “Desde sempre nós cariocas incorporamos isso. Quantas pessoas que nunca saíram do Rio dizem que moram na cidade mais bonita do mundo?”, destacou Isabela, lembrando que embora sua origem seja questionada – Coelho Neto reivindicava sua criação –, foi também uma estrangeira que tornou conhecida no mundo a expressão Cidade Maravilhosa. Provavelmente inspirada por João do Rio, a quem conheceu pessoalmente, Jane Catulle Mendès, neta do escritor francês Victor Hugo, publicou em 1912 La Ville Merveilleuse, livro de poemas escrito após uma visita ao Rio de Janeiro, alguns anos antes.

O fato é que o epíteto está associado à paisagem natural do Rio de Janeiro e, como ressaltou Isabela, antes mesmo de a expressão ter sido chancelada, já existia o conceito da cidade maravilhosa, em função da exuberância da paisagem. Nesse contexto, o Pão de Açúcar é um dos símbolos mais utilizados como marca do Rio de Janeiro – transformado em código de barras, bolsa, campanha política, logomarcas variadas. Segundo dados apresentados por Isabela, os outros símbolos bastante utilizados são o calçadão de Copacabana, a junção das montanhas do Rio e, em quarto lugar, o desenho do calçadão de Ipanema, cada vez mais popularizado. “A gente patrimonializa a cidade”, resume Isabela, que em 2014 foi curadora de uma exposição no Centro Carioca de Design sobre a história do souvenir no Rio de Janeiro. Substituindo as antigas esculturas em pedras semipreciosas, que já foram o símbolo maior das recordações turísticas do Rio de Janeiro e do Brasil, os souvenirs do Rio são associados às paisagens naturais e têm aberto espaço cada vez mais para imagens associadas também às favelas. “De duas décadas para cá, a turistificação das favelas contribuiu também para sua patrimonialização”, disse, explicando os dados.

O interesse pelo exótico é o que sempre atraiu o olhar estrangeiro para o Rio de Janeiro. “Por que o Rio fez tanto sucesso no século 19? Porque era muito diferente”, diz ela, para quem a mesma lógica funciona agora, em relação ao fluxo turístico nas favelas. Isabela ressalta que o uso dos símbolos da Cidade Maravilhosa não se restringe apenas ao visitante da cidade. “A ideia de que sou carioca e amo o Rio é tão forte que a ideia do souvenir hoje está incorporada no uso do próprio carioca”.

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Em busca da cidade que já existe

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WASHINGTON FAJARDO destaca o papel das ciências urbanísticas na construção da cidade mais real e menor utópica “Queria trazer para vocês a perspectiva de alguém que trabalha a cidade sob o ponto de vista de seu valor histórico”, pontuou Fajardo, logo no início de apresentação, em que fez uma crítica à ideia de utopia, jogando luz sobre a ciência urbanística, que, para ele, “ainda está na sua forma inicial”, fazendo uma analogia aos primeiros experimentos de colocar a imagem em movimento, feitos no início do século passado pelo fotógrafo inglês Eadweard Muybridge. “A forma desenvolvida e mais bem acabada do planejamento urbano ainda está para acontecer porque a gente ainda está conhecendo e entendendo a cidade e seus movimentos”, comparou o arquiteto e urbanista, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, órgão da Prefeitura do Rio para o patrimônio cultural do município. Com os pés fincados na realidade, Fajardo recorreu a dados diversos e concretos para falar sobre a complexidade de problemas e soluções para uma cidade como o Rio de Janeiro, de escala metropolitana. E concentrou sua análise na região central da cidade, teoricamente tida como região consolidada, segundo o Plano Diretor, mas que guarda vários desafios para a administração municipal, que poderiam ser mais bem avaliados, monitorados e resolvidos se houvesse, por exemplo, mais pessoas morando no Centro, em seus sobrados bem conservados e subutilizados para este fim. Fajardo fez uma ponte entre o passado da cidade o momento de transformação pelo qual o Rio e seus moradores estão passando neste momento, com as mudanças urbanísticas profundas na região central, com a derrubada da Perimetral, por exemplo. “A gente vai ter uma mobilidade nova no Centro do Rio com o VLT, que vai circular por essa nova frente marítima, podendo aumentar a coesão entre os espaços culturais do Centro. É uma oportunidade boa para a cidade, e traz uma perspectiva nova para nossa relação com a cidade”, defendeu Fajardo, lembrando que a ideia do Rio como cidade de praia surgiu no século 20, com a ocupação da região litorânea. “Até então, era uma cidade de porto, dedicada à Baía de Guanabara, à sua vida histórica e cultural”.

Mais ciência e menos utopia para lidar com a cidade conectada a outras cidades e com fluxo de informação contínuo, manejar uma cidade da dimensão do Rio de Janeiro exige esforço. “O ato de atravessar uma rua envolve o esforço coordenado de 18 órgãos diferentes: o que pinta a faixa de pedestre, o que pavimenta a calçada, o que faz o calçamento da rua, o que planta a árvore, o que poda, o que faz a iluminação pública, o que planeja os sinais, o que controla o trânsito, o que cuida da segurança… E por aí vai. As cidades funcionam dessa maneira, há bastante tempo no mundo. É preciso aumentar o conhecimento sobre como isso é gerenciado”, disse Fajardo, que insistiu bastante na necessidade de criar mecanismos de gerenciamento e monitoramento do planejamento urbano da cidade – uma questão complexa, e nada utópica. Para ele, as tecnologias de informação têm papel fundamental para o conhecimento maior da cidade e sua gestão – e, segundo ele, o uso de todo o potencial desses recursos tem sido muito maior no campo, em áreas rurais, onde drones controlam maquinário e as tecnologias de geo-referenciamento são muito mais avançados que no espaço urbano. “A cidade produz na gente uma soberba sobre conhecimento e nossa onipotência, e isso é falso”, disse Fajardo.

Fajardo fez um histórico sobre viver nas cidades, um processo iniciado há seis mil anos, que envolveu um aprendizado sobre controle de território, infraestrutura, recursos hídricos, que encontrou seu momento de explosão no final do século 19, com a industrialização. É o momento de crescimento absurdo das cidades e da consequente necessidade de ordenar o espaço, em função do adensamento demográfico, quando surgem as ciências urbanísticas, para equacionar os problemas que iam surgindo. “A ideia de embelezamento, do território belo, surge a partir daí”, diz. Barcelona, Paris e Viena são exemplos de soluções de cidade que surgem e influenciam o mundo inteiro – inclusive o Rio de Janeiro. O desenvolvimento amplia a vida da cidade: com a luz elétrica, a cidade passa a poder existir 24 horas por dia. “Outros valores vão surgindo, como o conforto, a mobilidade, as questões sociais, até a gente começar a tratar a cidade como um conteúdo próprio”, historiou Fajardo, apontando para uma semelhança cada vez maior entre as cidades, num futuro bem próximo. “As cidades do planeta serão muito mais parecidas em 2030 com as latino-americanas, africanas e asiáticas”, disse, mostrando as projeções sobre crescimento populacional mundial. “Os nossos desafios serão os desafios do mundo”, acredita o convidado, para quem o Rio de Janeiro tem qualidades e, por isso pode ter um papel interessante para responder a esses desafios, “de maneira não utópica”. “Isso atrapalhou muito a gente na nossa história”, sentenciou. “A melhor cidade que existe é a cidade que existe”, diz, rejeitando a ideia de que “a melhor cidade está num plano utópico”. “A cidade que a gente já tem hoje é plena de soluções para as questões econômicas, sociais e culturais”, acredita. “A gente não valoriza a cidade que temos, porque acreditamos que a que vamos fazer é melhor”, critica.

Velocidade e amplitude: o carro na origem do plano da cidade “O plano que mais influenciou as cidades no século 20 tinha na sua origem a ideia de dar espaço para o carro e nenhuma outra cidade como a nossa acreditou de uma maneira tão intensa nisso”, disse Fajardo, referindo às propostas de reforma de Paris, feitas em 1923 pelo arquiteto franco-suíço Le Corbusier, no chamado Plano Voisin, apontado como fundador do pensamento urbanístico no século 20. Amigos de Santos Dumont, os irmãos Voisin, empresários industriais, faziam… carros. “A gente fez nossa cidade dessa maneira e trouxe dois valores territoriais importantes: a ideia de velocidade e a de amplitude”, citou. “São valores presentes até hoje e a gente acha isso bom, e isso vira capital político. Quero questionar essas duas ideias”.

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Para demonstrar o que dizia, Fajardo apresentou o plano criado por Reidy para a Esplanada de Santo Antônio, onde fica a Avenida Chile, com edifícios de autarquias da então capital da República. Fajardo aponta problemas de gestão urbana daquela região. “Da Escola de Música da UFRJ até a Rua da Carioca são 930 metros sem fachada. Como você gere um lugar que não tem fachada, que não tem pessoas?”, pontua. É preciso questionar conceitos para discutir a cidade com suas questões contemporâneas. Sendo assim, Fajardo, em vez de falar sobre transporte público prefere adotar a expressão mobilidade sustentável, que inclui a ideia de diferentes tipos de transporte para o deslocamento pela cidade. “Do ponto de vista econômico, a gente também fala no plano utópico: a gente acredita no pré-sal de maneira absoluta para resolver todos os nossos problemas, o que não vai acontecer. Há uma trama de negócios urbanos que duram 100 anos, como pequenos bares e restaurantes, e a gente não presta atenção neles”, comparou, lembrando que a prefeitura desenvolveu com o Sebrae uma série de iniciativas voltadas para esse tipo de pequeno comércio tradicional, que resiste no tempo.

Planejamento ou agenciamento urbano: novas abordagens sobre a cidade “Esse raciocínio utópico e funcionalista da cidade não é só dos urbanistas: a sociedade brasileira aderiu a ele, desejamos isso para nossa cidade. Esse valor organiza a lógica de planejamento urbano. Arquitetos e urbanistas, historicamente, ainda reptem que é isso que vai resolver as cidades. Planejamento urbano é o meio pelo qual a gente pode chegar a gente pode chegar a algum resultado. Então a gente precisa falar do resultado, que é produzir uma boa cidade. E o que é uma boa cidade? Na hora que a gente desloca o foco do debate sobre planejamento urbano e não está discutindo a boa cidade, a gente não sabe onde quer chegar, ou chega nesses momentos funcionalistas que acho equivocados e que têm influenciado ainda nossa lógica urbana. Nós estamos ainda bebendo na fonte da utopia sobre as cidades e acho isso muito perigoso, porque a gente não olha para a cidade boa que a gente já tem”.

Para Fajardo, partindo do princípio que a cidade já tem qualidades, a questão é como fazer para cuidar dela, de seus diversos pequenos problemas, num “manejo de sistema complexo”. Citou, por exemplo, a possível destinação de sobrados do Centro do Rio para moradia, o que poderia melhorar a vida da região, onde imóveis em bom estado de conservação são subutilizados, mantidos vazios pelos proprietários. Moradias no Centro poderiam ajudar a melhorar os cuidados com o Centro. “A gente precisa ter uma visão sistêmica sobre a realidade da cidade”, diz, explicando o que define como “agenciamento urbano”, que é a criação de metodologias para lidar com a cidade que existe.

O urbanista insistiu nas medidas práticas para solução de problemas complexos da cidade, no lugar das ideias mais teóricas – e utópicas. “Uma rua organizada é uma rua boa para todo mundo”, resumiu. “Entendo que a gente afasta esse tipo de valor se pensa na cidade apenas na lógica do planejamento urbano e não do agenciamento urbano”, disse. Outro valor importante citado por Fajardo é do que ele chama de “andabilidade”. “A gente fala pouco disso, que é o valor de andar na cidade, e ainda não trata a calçada como uma infraestrutura necessária”, disse, ressaltando que as calçadas são lugares de encontro importante para a vida da cidade.

São problemas práticos cuja discussão é necessária para a construção de uma cidade melhor. “Por causa do pensamento utópico, a gente esquece rápido. E lembrar é importante”, disse, referindo-se às soluções adotadas na região portuária, que passa por intensa transformação, e onde foi feito um esforço para garantir naquela área espaço também para moradia. Citou também outras iniciativas no Centro que foram tomadas para atrair e aumentar a circulação de pessoas, como a retirada das grades da Praça Tiradentes, e a retirada da Perimetral. “Esse é um trabalho muito importante. Nossa relação com a Baía de Guanabara era muito cômoda: a gente passava de carro, dentro do ar condicionado, ouvindo música, e olhava distante para ela, sem relação com esse meio natural, que a gente tem quando anda do lado. Antes, a gente só tinha contato com a Baía por pouco mais de 200 metros, na área do Cais Pharoux (na Praça 15). Agora, isso vai aumentar para cerca de 3km, e isso é muito. Da mesma maneira, do ponto de vista econômico, a gente começou a reconhecer negócios tradicionais, como pequenos bares e restaurantes tradicionais, como patrimônio importante”, contou Fajardo, que encerrou a apresentação citando uma frase famosa de Shakespeare, na tragédia Coriolano: “O que é a cidade senão as pessoas?”

Debate “UTOPIAS DA CIDADE MARAVILHOSA” em frases

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Manter uma certa utopia e lidar com realidade são desafios que exigem grande esforço de quem pensa, vive e deseja sempre dias melhores para o Rio de Janeiro. Com o tema “Utopias da Cidade Maravilhosa”, o Rio de Encontros instigou várias reflexões na plateia, que durante três horas discutiu o assunto com os provocadores, o arquiteto e urbanista Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, o sociólogo Marcelo Burgos e a designer e historiadora Isabela Perrota, na tarde de 27 de agosto, no auditório da ESPM. As frases a seguir dão uma pequena ideia de como foi fértil o encontro. A cobertura completa estará disponível aqui no blog em muito breve.


A UTOPIA

A cidade do Rio totalmente integrada em bairros e regiões é uma utopia?” – Leonardo Oliveira, parceiro do RJ.

A boa utopia é de uma cidade que seja mais plural” – Marcelo Burgos, sociólogo (PUC-RJ)

Necessitamos de utopias, de um projeto, de um sonho de onde a gente quer chegar. Estranho que em nenhum momento dessa conversa tenha se falado das forças que estão moldando o Rio de Janeiro, os grandes interesses que abandonam a ideia de cidade que nós queremos e prezamos tanto, que tem patrimônio maravilhoso e que está se perdendo aos poucos, com verdadeiros atentados urbanísticos que estão acontecendo” – Claudius Ceccon, arquiteto e conselheiro do Rio de encontros

A gente precisa de boas práticas, sistematizadas e documentadas, e não de coisas utópicas” – Washington Fajardo, assessor especial para assuntos urbanos da prefeitura do Rio de Janeiro.

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O RIO EM TRÊS TEMPOS: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Como a gente pensa na cidade maravilhosa do futuro? No debate do mês passado, a gente aprendeu que os rios estão todos mal cuidados. Quando a gente vai começar a depreciar o VLT, o BRT, e voltar a asfaltar tudo de novo? Como pensar no futuro das bikes, se quase não tem calçada para o pedestre andar?” – Marcão Baixada, rapper

Nesse pensamento da cidade do futuro, todas as obras têm o objetivo de trazer pessoas para o centro. E como estão sendo os projetos habitacionais para essa região?” – Rodrigo Miguez, comunicação ESPM-RJ

O conceito de cidade maravilhosa e dos cariocas como seres especiais parece que são irmãos. A persistência dessa imagem tem a ver com o fato de o Rio de Janeiro ter perdido o poder politico, ao deixar de ser capital? E como isso impactou a cidade como núcleo de uma metrópole?” – Anabela Paiva, mediadora

O Centro do Rio é o Centro do Brasil. Tiradentes foi preso ali, esquartejado lá, Dom Pedro promulgou a constituição aqui, o Cais do Valongo fica ali… A gente precisa desse lugar histórico. E também precisa de uma cidade polinucleada” – Washington Fajardo

Para quem é a cidade? Para o turista ou o morador? Santa Teresa, por exemplo, perdeu todas as padarias, que deram lugar a bares, restaurantes e outros serviços para o turista. Na prefeitura, há alguém pensando nisso? Há como administrar essa dualidade?” – Julia Michaels, jornalista

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A IMAGEM DO RIO

A prefeitura considera a favela como patrimônio da cidade? É um ambiente multirracial, multirregional, muito multi, com uma história de 450 anos de pura segregação” – Igor Soares, estudante de comunicação

A paisagem é um ícone da cidade e a gente tem percebido que a favela também tem se tornado um. Que sentido isto teria?” – Ilana Strozenberg, antropóloga (UFRJ)

De duas décadas para cá, a ‘turistificação’ da favela contribuiu para a patrimonialização dela também. E o que é o interesse turístico? O que é diferente. Por que o Rio fez tanto sucesso no século 19? Porque era muito diferente!” – Isabela Perrota, Designer (ESPM-RJ)

O Pão de Açúcar me pertence. Não preciso pagar para gostar. Sou carioca orgulhosa, que passa todo dia no Aterro e acha lindo!” – Denise Kosta, Universidade das quebradas.

O Rio é bonito mesmo. Esse é um valor que mesmo num território desigual a gente compartilha. Ainda é imperfeito, mas esse é um estímulo pra gente” – Washington Fajardo

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A Cidade Maravilhosa ajuda ou atrapalha nos movimentos de redução simbólica das diferenças? Como a cidade convive consigo mesma e suas tragédias?. No fundo, penso que é bom que todo mundo se sinta na mesma cidade – a Cidade Maravilhosa. E tem horas que acho que não, É uma desproporção abissal das tragédias que ocorrem em certos pontos da cidade e a reação que provocam. O Rio continua lindo, injusto, desigual, cruel, racista, preconceituoso” – Silvia Ramos, cientista social, Cesec.

Favela é patrimônio? Essa é uma pergunta fundamental. É um patrimônio afetivo, que reconhecemos hoje nos territórios informais. Mas a gente não pode ocultar os problemas e enfrentamentos que precisamos ter nos assentamentos informais. Precisamos colocar isso na ordem dos projetos urbanos” – Washington Fajardo.