Ocupaçōes do Espaço Público, Cultura e Política na Cidade

Já estão abertas as inscrições para o sexto debate do ano, terça-feira, 28, às 9h da manhã, na Casa do Saber Rio O Globo. Confirme presença pelo riodeencontros@oinstituto.org.br – Vagas limitadas.

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O Instituto e ESPM, parceria com cara de prêmio

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Plateia do Rio de Encontros “A cor do carioca”. Foto Paula Giolito

Como projeto realizado pelo O Instituto há cinco anos, o Rio de Encontros tem cumprido a meta de discutir temas da cidade de uma forma especial. É o lugar onde assuntos polêmicos são colocados em pauta para uma plateia de opiniões fortes, com objetivo de trazer à tona diálogos que ainda não foram falados. Como novo parceiro da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em 2014, pode alcançar espaços ainda não explorados.

Além dos cinco eventos já realizados neste ano, desde agosto jovens parceiros do Rio de Encontros e alunos da ESPM têm participado de uma oficina de audiovisual, cujo produto será um filme sobre o comportamento dos jovens da era digital. E foram essas atividades patrocinadas pela ESPM que inspiraram Flávia Flamínio, diretora geral da unidade carioca, a inscrever o projeto de apoio ao O Instituto/Rio de Encontros no Prêmio Marketing Best 2014.

Criada há 62 anos em São Paulo para atender às necessidades do mercado publicitário brasileiro, a ESPM fundou sua unidade no Rio de Janeiro há exatos 40 anos. Flávia aproveitou o Rio de Encontros do mês de setembro sob o tema “A cor do Carioca” para explicar que essa foi uma história vitoriosa, por conta do momento difícil que a cidade passou nos últimos 15 anos com a saída das principais agências, da bolsa de valores e de várias empresas: “como a ESPM é uma instituição sem fins lucrativos, tudo o que recebe aplica no seu próprio negócio, ela se manteve firme e forte aqui e eu acho isso um ponto de muito orgulho para todos nós. Continuamos investindo na cidade, e eu acredito que contribuímos com uma pequena parte de sua recuperação”, afirmou Flávia, que para comemorar esse aniversário decidiu, ao invés da realização de uma festa, investir no projeto Rio de Encontros.

Flávia Flamínio. Foto Paula Giolito

“Eu quero contar para vocês que o patrocínio ao projeto Rio de Encontros é a principal parte da comemoração dos 40 anos da unidade da ESPM aqui no Rio de Janeiro. Eu achei que fazer uma festa seria uma coisa muito provinciana, está cheio de festa por aí, é aquele momento e acabou. Acredito que a verba destinada à comemoração dos 40 anos deveria ser aplicada num projeto alinhado com as causas que nós abraçamos. Apoiamos prioritariamente dez causas sociais, como mobilidade urbana entre outras, e uma delas em especial é a inclusão de jovens em situação de risco e o projeto do O Instituto no Rio de Encontros era perfeito”, disse Flávia.

O Marketing Best vai premiar os melhores cases de marketing do ano. A possível vitória da ESPM Rio daria visibilidade nacional no âmbito empresarial aos projetos do O Instituto. O resultado sai em dezembro.

A cor do carioca em frases e fotos

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A cor do carioca. Provocadores e plateia. Foto Paula Giolito

A questão racial no Brasil está na ordem do dia. E nada mais instigante do que um bate-papo com jovens ávidos por compartilhar suas experiências de racismo e levantar questionamentos sobre a cultura e a identidade negra. Foi assim no Rio de Encontros da última terça-feira de setembro, sob o tema A Cor do Carioca. Mas a conversa não ficou restrita aos problemas raciais no Rio de Janeiro e englobou a sociedade brasileira em muitos momentos.

O evento reuniu em seu time de debatedores Amauri Mendes Pereira, Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Educação pela UERJ, especialista em História da África pelo Centro de Estudos Afro-Asiáticos (UCAM); Dudu de Morro Agudo, Rapper & coordenador do Movimento Enraizados e Simone Vassallo, Antropóloga e professora do programa de pós-graduação em Sociologia (IUPERJ), que fez uma rápida explanação sobre a história do Cais do Valongo, declarado patrimônio nacional em novembro passado.

Para ver as fotos do encontro, CLIQUE AQUI

Confira algumas das falas mais marcantes do debate:

“A discussão é relativamente recente, do ponto de vista da história do Brasil” Ilana

“O rap me fez pensar que ser negro é legal. Foi quando eu comecei a buscar a minha origem” Dudu

“Por que preto é feio? A sociedade te empurra para um abismo dizendo que ser negro é ruim” Dudu

“A questão racial é muito mais que um tema. É crucial para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Como lidar com isso? Essa é a encruzilhada” Amauri

“O grande desafio é colocar a discussão da questão na ordem do dia. Mas não é só discutir. Trata-se de ver como uma questão orienta nossos valores, as políticas públicas de saúde, educação e moradia” Amauri

“Os brancos estão se apoderando e tendo mais oportunidades que nós na nossa cultura. Anitta (a cantora) nunca pisou numa favela, mas não representa o funk” Fernando

“Sou a primeira pessoa da minha família a achegar à Universidade. A cota é uma compensação ou é uma forma de excluir?” Gilmara

“No Brasil, quantos médicos pretos você conhece? Se você levar mais de três segundos para pensar, tem de ter cota” Dudu

“Tudo tem cota nesse país, sempre teve. Os imigrantes tiveram cota. Para que os negros ascendessem, aí foi cota ao contrário, tudo foi soterrado” Amauri

“Se descobrir negro é muito difícil, porque você vê que está numa sociedade em que seus direitos são completamente violados e que o sistema que impera na sociedade é excludente. É muito fácil falar porque sou negro, negro, negro e uso uma chapinha no meu cabelo todos os dias porque preciso trabalhar” Igor

“Eu não deixei de ser preta porque aliso o cabelo” Carla

“Tenho pai ateu, mãe católica, avó umbandista. Na minha família, todos se respeitam. Isso é o que falta à sociedade” Dudu

“O negro está na moda e está sendo usado pelo branco. É exatamente como o prefeito está fazendo no Cais do Valongo. Quando se descobriu e não teve jeito, se tenta arrumar um modo de faturar em cima daquilo” Amauri

“Este é o país onde se teve luta contra a escravidão em todo o território nacional. Foi um dos primeiros a começar e o último a abolir” Amauri

“É o negro do passado que está sendo cultuado, não o do presente. O que o movimento negro está fazendo? Ali (Cais do Valongo) é o lugar também de imigração nordestina e isso não é valorizado” Simone

“Sobre o negro estar na moda, incorporar o personagem também é uma estratégia, uma maneira de se posicionar no mundo. Eles estão se beneficiando também” Anabela

“Tem uma frase do Celso Athayde, fundador da CUFA, que me faz refletir: se o homem branco vai à lua, a gente diz que o Homem vai à lua. Mas se fosse um homem negro a ir à lua, a gente ia dizer que foi um negro que chegou à lua” Luís Gustavo

“No asfalto, sou negra; na favela, sou parda. A questão da cor está muito além da cor” Aline

“A gente também é racista. Está na nossa cabeça. Eu não sou vítima. Está muito no que a gente faz e no que as pessoas dizem” Nathália

“Vamos perguntar mais do que responder. Nem que pergunte só pra você. Se não, o bicho pega. Pensar é voar! O movimento negro é plural e essa é a sua vantagem” Amauri

Confirme presença!

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Rio de Encontros organiza o debate A Cor do Carioca

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Foto Paula Giolito

Existe uma consciência racial no Rio de Janeiro? A cultura hip hop seria a sua maior expressão? A busca por uma identidade racial contradiz o cosmopolitismo da cidade, ou não? Qual o papel das questões raciais nos conflitos relacionados às reformas urbanas na região portuária? São as questões a serem discutidas no próximo Rio de Encontros sob o tema A Cor do Carioca, dia 30 de setembro. Guarde a data.

Debatedores:

Amauri Mendes Pereira: Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Educação pela UERJ, especialista em História da África pelo Centro de Estudos Afro-Asiáticos (UCAM);

Dudu de Morro Agudo: Rapper & coordenador do Movimento Enraizados;

Simone Vassallo: Antropóloga e professora do programa de pós-graduação em Sociologia (IUPERJ).

Dia 30 de setembro de 2014, das 9h às 12h30, na CASA DO SABER RIO O GLOBO – Av. Epitácio Pessoa, 1.164, Lagoa. Entrada franca! Confirme sua presença pelo e-mail: riodeencontros@oinstituto.org.br

O Rio depois da Copa

"O Rio depois da Copa": quatro debatedores e a plateia, na Casa so Saber Rio O Globo / Foto Paula Giolito

“O Rio depois da Copa”: quatro debatedores e a plateia, na Casa so Saber Rio O Globo / Foto Paula Giolito

Aos olhos do mundo o Brasil fez a Copa das Copas. A hospitalidade ímpar conquistou até adversários mais sisudos e pouco cordiais. Os 30 dias de jogos e de trégua foram uma prova para o país. Para o Rio, em particular e não à toa: em dois anos, a cidade será sede também de outro evento de igual projeção, o Jogos Olímpicos. E terá de convencer a todos de que é boa para quem a visita e também para quem a habita.

As perguntas estão na ordem do dia. Que legado ficou da Copa e que legado teremos dos Jogos Olímpicos? Como fazer do esporte o caminho para a redução das desigualdades e a para a inclusão produtiva dos jovens de baixa renda? O que está sendo feito para que o evento seja realizado com a participação da sociedade? O Rio se apresentará uma cidade mais inclusiva ou mais excludente? Haverá mais reconhecimento dos seus habitantes, com promoção do esporte e da cidadania? Qual o papel das Olimpíadas nessa trajetória e o quanto os moradores vão poder usufruir dessa cidade?

No dia 12 de agosto, o Rio de Encontros reuniu convidados de duas frentes – o esporte e a organização – para discutir o “O Rio depois da Copa”: o urbanista Augusto Ivan de Freitas Pinheiro, assessor especial da presidência da Empresa Olímpica Municipal, e o jornalista Mário Andrada, diretor de comunicações para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016; e os atletas Isabel Salgado, ex-jogadora de vôlei, com diversos títulos em quadra e uma das pioneiras do vôlei de praia no Brasil, e o medalhista olímpico de judô Flávio Canto, um dos fundadores da organização não governamental Instituto Reação. Um quarteto capaz de atrair plateia e lotar a Casa do Saber Rio O Globo, palco habitual do ciclo de debates.

A diretora acadêmica d'O Instituto, Ilana Strozenberg, faz a abertura do encontro / Foto Paula Giolito

A diretora acadêmica d’O Instituto, Ilana Strozenberg, faz a abertura do encontro / Foto Paula Giolito

“A gente está aqui para fazer perguntas, muito mais que para expor verdades. Vamos nos questionar a nós mesmos e aos nossos convidados”, convidou Ilana Strozenberg, na abertura, anunciando também a nova logo do projeto, fruto da parceria com a ESPM, patrocinadora do Rio de Encontros em 2014.

Convidado para mediar a conversa, Pedro Strozenberg, secretário executivo do Instituto de Estudos da Religião (ISER), sintetizou o momento pós-Copa e pré-Olimpíadas que o Rio atravessa.

“A cidade que saiu de um PAN (2007) e de uma Copa do Mundo está acostumada a eventos mundiais. São dois eventos relativamente recentes, que ajudam a olhar para o que vai acontecer daqui a dois anos. É importante  olhar para trás, mas sobretudo pensar numa perspectiva de futuro, sobre o quanto a Olimpíada tem mudado ou contribuirá para uma mudança na cidade”, disse Strozenberg, ao anunciar os convidados para a plateia. Todos prontos para o bate-bola, o Rio de Encontros começou.

Dois olhares para o esporte

Isabel salgado: "Quando veio a notícia de que íamos sediar os Jogos Olímpicos, todos se renderam" / Foto Paula Giolito

Isabel salgado: “Quando veio a notícia de que íamos sediar os Jogos Olímpicos, todos se renderam” / Foto Paula Giolito

Isabel Salgado, a Isabel do vôlei, todo mundo conhece. Flávio Canto, o judoca medalhista, também dispensa apresentações mais alongadas. Ambos vivenciam o quanto o esporte é importante para a dinâmica da cidade, para a expressão plena da cidadania. E no discurso, além da prática, eles deixam transparecer o engajamento.

“O sentido de a gente estar aqui é enorme. A gente adora o Rio de Janeiro e quer uma cidade mais bacana, mais humana”, disse Isabel logo na entrada. Mas nem só de euforia se sustenta uma cidade, ela tratou de apontar.

“Quando veio a notícia de que íamos sediar os Jogos Olímpicos, até quem era contra mudou de ideia. Todos se renderam. Todo mundo estava na mesma onda. No entanto, faltou, e falta, a gente participar e fiscalizar. Por que estão tirando pessoas de certos lugares para construir isso ou aquilo? Por que o orçamento de dez virou um gasto de trinta? Esse tipo de debate é necessário se a gente quer uma cidade melhor. É preciso saber como a cidade vai ser gerenciada, como vai ser administrada. Um evento como esse altera a legislação, inclusive. Algumas medidas tomadas em função dos eventos, muitas vezes não são o que se quer para a cidade efetivamente”, emendou.

“Sou uma atleta, sou técnica. Meu envolvimento é como participante, mas sobretudo como alguém que quer que esse evento traga de fato alguma coisa para todo mundo. Num evento como esse, tem de se falar mais de esporte e menos de negócio, menos de obra”, opinou Isabel.

Flávio Canto: "O esporte tem sido um lugar de encontro de todo tipo de gente" / Foto Paula Giolito

Flávio Canto: “O esporte tem sido um lugar de encontro de todo tipo de gente” / Foto Paula Giolito

As opiniões do judoca Flávio Canto não destoam das de Isabel, mais especificamente sobre o que o esporte pode render de dividendos em cidadania e superação. É dele a proeza do bronze olímpico, nos Jogos de Atenas, em 2004. Além e conquistar medalhas, o pentacampeão sul-americano de judô e tetra-campeão pan-americano divide a faixa de idealizador, com outros amigos, do Instituto Reação, que ensina o judô a crianças carentes no Rio de Janeiro. Filho de pai brasileiro, mas nascido em Londres, ele aprendeu a circular pela cidade.

“De certa forma, o que eu busquei no esporte foi promover encontros. Cresci no Rio de Janeiro, uma cidade bastante dividida, como a maioria das cidades, cheia de muros invisíveis e sem misturas. Foi o esporte que me deu a possibilidade de encontro e acesso a pessoas de outras realidades, de diferentes origens e classes sociais. Não tenho competência para falar de legado mais formal, mas sobre o que o esporte pode fazer pela gente. Esse é o meu papel aqui: mostrar que o esporte tem sido um lugar de encontro de todo tipo de gente”, avisou o judoca.