Viva Favela 10 anos: mais colaborativo

Mayra Jucá fala dos 10 anos de Viva Favela (Foto: Kita Pedroza)

O Viva Favela está comemorando 10 anos. E para este marco, reformulou sua estrutura, deixando de ser apenas uma revista virtual com participantes fixos para virar um portal colaborativo. Assim, deixou também de focar apenas nas favelas cariocas para receber colaborações de pessoas do Brasil todo. Seja como for, ele continua com os elementos essenciais intactos: o desejo de mostrar o olhar de quem vive nas comunidades e o estímulo ao diálogo entre comunicadores populares e a grande mídia.

A equipe do Viva Favela participa do debate falando e filmando. (Foto: Kita Pedroza)

Pois foi assim mesmo que tudo começou: um seminário do Viva Rio reuniu dirigentes de grandes empresas de comunicação, como O Globo e O Dia, e lideranças comunitárias. Choveram reclamações destas últimas, alertando para a maneira equivocada como as populações de favelas eram tratadas nas reportagens. Assim, a entidade resolveu criar um site que juntasse correspondentes locais e jornalistas profissionais. Hoje são cerca de 1400 correspondentes em diversos estados brasileiros, dando sua visão (em imagem, texto e vídeo) dos fatos.

Mayra falou ainda da rede que já existe entre o portal e outras iniciativas ali presentes: “Muitos de nós já nos conhecemos, muitos já têm trabalhos em comum. O grupo de fotógrafos do Viva Favela fez curso no Observatório, o Vitor do Núcleo Piratininga foi editor convidado da revista, o Portal da Cidade de Deus usa o Viva Favela pra chamar atenção de seus eventos e posts”.

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Um mundo de gente

Foto de Kita Pedroza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A edição de junho do Rio de Encontros foi, possivelmente, a mais cheia e animada da história do evento. O tema Mídia nas Favelas atraiu muita gente que participa de projetos comunitários de comunicação e pessoas de outras áreas que se interessam pelo tema. Assim, o esquema do debate – ter iniciadores do palco, mas enfatizar o diálogo entre todos na plateia – nunca fez tanto sentido.

Já no café da manhã, diversos jovens comunicadores se espalhavam pelo salão, conversando animadamente. Alguns também preparavam suas câmeras e gravadores para registrar o evento. O papo, mediado com desenvoltura pela jornalista d’O Globo Flavia Oliveira, contou com iniciadores tarimbados: Guilherme Canela, diretor de comunicação da Unesco; Marisa Vassimon, gerente de mobilização comunitária do Canal Futura, e Mayra Juca, coordenadora de comunicação do Viva Rio e do Portal Viva Favela.

Pelas cadeiras do auditório da Casa do Saber estavam alguns dos principais responsáveis pelo enorme crescimento da mídia popular em áreas diversas da cidade (seja favelas, subúrbio ou Baixada): Dudu de Morro Agudo, do grupo Enraizados; Eliana Souza, da Redes da Maré; Fiell, Zé Mário e Francisco, da Rádio Comunitária do morro Santa Marta; Maria do Socorro, do Portal da Cidade de Deus; Don, fotógrafo e blogueiro da Cidade de Deus; Lana, Thiago e Gisela, parceiros do RJTV; Marina e Luiza, do Núcleo Piratininga de Comunicação; Milton Quintino, do Correspondentes da Paz; Luiz Henrique Nascimento, do Observatório de Favelas; João Roberto Ripper, da Agência Fotográfica Imagens do Povo; Julia Michels, do Rio Real Blog; Jean Jacques Fontaine, do Projeto Jequitibá. Todos contaram um pouco de suas experiências e viram muitas semelhanças em suas trajetórias, tanto nas coisas boas quanto nas dificuldades.

E eles não foram os únicos a pedir a palavra. Leona Forman, da Brazil Foundation, contou que está trabalhando na abertura de um fundo carioca, para receber doações para projetos sociais da cidade. E Guilherme Amado, jornalista do Extra, fez um desabafo em relação à vilanização a que sua classe é submetida frequentemente, gerando o momento mais quente do debate.

Nos próximos posts, mais detalhes da conversa.