Dia 25/06: Subúrbios ontem e hoje

O tema do próximo debate do Rio de encontros é SUBÚRBIOS CARIOCAS ONTEM E HOJE. Neste encontro teremos como provocadores o jornalista, escritor e pesquisador Vagner Fernandes, atual gestor da Arena Fernando Torres – em Madureira; do historiador Antonio Edmilson Martins Rodrigues, professor da PUC – Rio e UERJ; e do cientista social e produtor cultural Binho Cultura, idealizador da Flizo – Festa Literária da Zona Oeste.

Essas feras vão nos mostrar muitas coisas sobre os subúrbios cariocas, juntos debaterão com a nossa plateia participativa: (1) se existe uma cultura suburbana no Rio de janeiro; (2) como ela dialoga e se articula com os diferentes espaços da cidade; (3) se podemos falar em decadência do subúrbio carioca; (4) em que medida a cultura pode ser um motor para o seu desenvolvimento.  Essas e muitas outras questões serão atendidas no próximo dia 25. Venha colaborar com o debate!

Não esqueça: dia 25 de Junho, quinta-feira, das 14:00h às 17h30, no Auditório da ESPM RIO (Rua do Rosário, 90 Centro).

CONVITE

Cidade, memória e coletividade

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Beatriz Jaguaribe, Pedro Rivera e Vitor Pordeus. Foto Paula Giolito

A importância da relação entre os repertórios pessoais, as tradições e o passado é consensual. A memória, segundo Beatriz Jaguaribe, pode reconectar as pessoas. Um bom exemplo foi a descoberta do Cais do Valongo durante a reforma do Porto Maravilha:

“De repente, dessa escavação emergiram objetos, ossos e do próprio solo veio a memória muito contundente do que foi a criação e negociação da cidade”, analisou ela. “O que é importante para ter cidade vital é não só a cultura do presente, mas o diálogo com o passado, com as representações anteriores da cidade, e não ser totalmente dominado pela cultura audiovisual. É preciso deixar os poetas falarem e deixar outros tipos de imaginação surgirem”, realçou.

Quem vive na cidade necessita estar em contato com o outro e fazer parte do que Beatriz define como coletividade dionisíaca, o desejo de participar e estar na multidão a despeito do encapsulamento cibernético gerado pelo mundo virtual. O carnaval revitalizado nas ruas é um bom exemplo, segundo ela, assim como a retomada das ruas pelas passeatas em junho de 2013, quando as pessoas puderam manifestar fisicamente sua ideia de frustração:

“Temos ali cidadãos que não querem ser domesticados, querem chocolate, pão transporte e todas essas coisas juntas. É importante pensar que a cidade que é imaginada na telenovela, que é conectada no mundo virtual se transforma no espaço físico. A palavra se transforma em carne. Precisamos pensar uma cidade vivenciada, midiática, imaginada e imaterial, juntar tudo num só lugar”, sentenciou ela.

A função da cultura e em que momento ela ficou equiparada à ideia de consumo ou não são aspectos também importantes nesse processo, pontuou Jaguaribe. “A cultura e o papel que ela representa tem escolha. Você escolhe o que quer ler, o que quer ouvir e ver. Bens institucionais culturais estão circulando. Se você tem acesso, tem poder de escolha. E não é só uma escolha de consumo, é uma escolha de construção de imaginários urbanos com os quais você vai interagir e vai fazer parte”, finalizou.