A cor do carioca em frases e fotos

A cor do carioca

A cor do carioca. Provocadores e plateia. Foto Paula Giolito

A questão racial no Brasil está na ordem do dia. E nada mais instigante do que um bate-papo com jovens ávidos por compartilhar suas experiências de racismo e levantar questionamentos sobre a cultura e a identidade negra. Foi assim no Rio de Encontros da última terça-feira de setembro, sob o tema A Cor do Carioca. Mas a conversa não ficou restrita aos problemas raciais no Rio de Janeiro e englobou a sociedade brasileira em muitos momentos.

O evento reuniu em seu time de debatedores Amauri Mendes Pereira, Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Educação pela UERJ, especialista em História da África pelo Centro de Estudos Afro-Asiáticos (UCAM); Dudu de Morro Agudo, Rapper & coordenador do Movimento Enraizados e Simone Vassallo, Antropóloga e professora do programa de pós-graduação em Sociologia (IUPERJ), que fez uma rápida explanação sobre a história do Cais do Valongo, declarado patrimônio nacional em novembro passado.

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Confira algumas das falas mais marcantes do debate:

“A discussão é relativamente recente, do ponto de vista da história do Brasil” Ilana

“O rap me fez pensar que ser negro é legal. Foi quando eu comecei a buscar a minha origem” Dudu

“Por que preto é feio? A sociedade te empurra para um abismo dizendo que ser negro é ruim” Dudu

“A questão racial é muito mais que um tema. É crucial para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Como lidar com isso? Essa é a encruzilhada” Amauri

“O grande desafio é colocar a discussão da questão na ordem do dia. Mas não é só discutir. Trata-se de ver como uma questão orienta nossos valores, as políticas públicas de saúde, educação e moradia” Amauri

“Os brancos estão se apoderando e tendo mais oportunidades que nós na nossa cultura. Anitta (a cantora) nunca pisou numa favela, mas não representa o funk” Fernando

“Sou a primeira pessoa da minha família a achegar à Universidade. A cota é uma compensação ou é uma forma de excluir?” Gilmara

“No Brasil, quantos médicos pretos você conhece? Se você levar mais de três segundos para pensar, tem de ter cota” Dudu

“Tudo tem cota nesse país, sempre teve. Os imigrantes tiveram cota. Para que os negros ascendessem, aí foi cota ao contrário, tudo foi soterrado” Amauri

“Se descobrir negro é muito difícil, porque você vê que está numa sociedade em que seus direitos são completamente violados e que o sistema que impera na sociedade é excludente. É muito fácil falar porque sou negro, negro, negro e uso uma chapinha no meu cabelo todos os dias porque preciso trabalhar” Igor

“Eu não deixei de ser preta porque aliso o cabelo” Carla

“Tenho pai ateu, mãe católica, avó umbandista. Na minha família, todos se respeitam. Isso é o que falta à sociedade” Dudu

“O negro está na moda e está sendo usado pelo branco. É exatamente como o prefeito está fazendo no Cais do Valongo. Quando se descobriu e não teve jeito, se tenta arrumar um modo de faturar em cima daquilo” Amauri

“Este é o país onde se teve luta contra a escravidão em todo o território nacional. Foi um dos primeiros a começar e o último a abolir” Amauri

“É o negro do passado que está sendo cultuado, não o do presente. O que o movimento negro está fazendo? Ali (Cais do Valongo) é o lugar também de imigração nordestina e isso não é valorizado” Simone

“Sobre o negro estar na moda, incorporar o personagem também é uma estratégia, uma maneira de se posicionar no mundo. Eles estão se beneficiando também” Anabela

“Tem uma frase do Celso Athayde, fundador da CUFA, que me faz refletir: se o homem branco vai à lua, a gente diz que o Homem vai à lua. Mas se fosse um homem negro a ir à lua, a gente ia dizer que foi um negro que chegou à lua” Luís Gustavo

“No asfalto, sou negra; na favela, sou parda. A questão da cor está muito além da cor” Aline

“A gente também é racista. Está na nossa cabeça. Eu não sou vítima. Está muito no que a gente faz e no que as pessoas dizem” Nathália

“Vamos perguntar mais do que responder. Nem que pergunte só pra você. Se não, o bicho pega. Pensar é voar! O movimento negro é plural e essa é a sua vantagem” Amauri