Produções 2017

Juventude X Cidade 

por Taís Nascimento

Juventude não tem só relação com
idade
Existem jovens de coração,
Espíritos que já passaram da terceira
idade
E, ainda mais importante que
faixa etária,
tem gente que já viveu tanto
e não conhece a própria
cidade.

Conhecer a cidade
é também
Se conhecer
Saber de onde veio
Aonde vai
Onde ocupa.

Não adianta fugir da sua
Pois logo estará em outra
cidade
Estamos ‘nela’
E ela está na nossa
“IDENTIDADE”.

(sem título)
por Taís Nascimento

A palavra “juventude” vem matutando na minha cabeça há umas 4 semanas.

Quando penso nela, já vem logo a ideia de indivíduos com determinada idade, a maioria ouvinte das gerações POP atual etc… (dei risadas longas ao escrever isso).

Apesar da ideia estereotipada acima, o que me vem à cabeça, após alguns minutos de reflexão, é que juventude vai além da idade, tem muita ligação com estado de espírito etc…

Todavia, quando penso na relação: juventude X cidade, são horas de reflexão…

Para começo, pensei nas memórias artísticas que estampam quase todas as paredes da nossa cidade, muitas delas jovens, protestantes e com muita força.

Não sei por que, mas toda vez que penso em cidade e em juventude, uso a arte como uma forma de conectá-los.

Hoje pela manhã, diferente dos outros dias, não me limitei apenas a ficar com a cabeça baixa olhando pro meu celular, decidi olhar pro lado de fora do ônibus.

Acredito que existe uma diferença imensa entre estar vivo e se sentir vivo, e hoje, o que senti foi um misto de me sentir viva e pequenininha dentro dessa cidade tão grande.

Ao notar, perceber, observar, cada detalhe dos lugares, vi coisas pela primeira vez em lugares por que passo a minha vida toda; inclusive uma frase que li numa parede, me fará concluir minha nota diária: “Em que mundo cê vive, parça ?”

Pensei na pergunta por horas e, pela primeira vez, desnaturalizei-a, respondendo a mim mesma que vivo num mundo onde existem milhares de detalhes e onde cada lugar tem uma mensagem a passar. Mas o que não para de matutar na minha cabeça é que existe arte por toda parte.

As cidades falam por si sós, através das vozes que nela habitam.

Registros estelares

Por Maria Carolina Treitler Paixão, aluna de Comunicação Social e integrante do Vogal- Núcleo de Linguagem – ESPM

As imagens ao redor trazem uma construção,
de vários rostos, que formam um novo,
de vidas opostas, que são mais próximas do que se pensa
de um povo, registrado e eternizado.

As imagens ao redor trazem uma mistura
da imaginação das crianças com o real,
do passado com o agora,
das histórias do norte, com nosso olhar do sudeste,
e dentre essas imagens, surge uma constelação,
ocupando uma parede inteira,
formada de traços com pontos coloridos.

De perto, dentro do ponto, veem-se registros
não do universo,
não de estrelas da televisão,
não de personalidades da história.

Registros de pessoas, de famílias
desconhecidas, vivendo suas vidas
não para serem famosas,
não para impactarem o mundo,
não para serem expostas em um museu
mas porque podem, porque devem.

A constelação na parede guarda vida
e talvez por conta disso
brilhe mais do que qualquer outra no céu.

(Sem título)

Por Fernando Espanhol

Uma saga mais começa
To cheio de esperanças
Meu desejo desperta
Meu sonho fica na cama
To vendo meu próprio rosto desenhando nas crianças, e o futuro do meu povo pra muitos sem importância
Esse rio tão distante
Vai ter que chegar mais perto, pras favelas cariocas serem lembradas com tempo.
Esquecemos do lamento da pobreza e delinquência, até mesmo o sofrimento se rendeu a nossa presença.
Terra de guerreiros jovens, inventores da mudança.
Onde o rico é não ser pobre e a fé move montanhas.
Hoje eu tenho meu papel
Minha voz minha liberdade,não quero um lugar ao céu, basta um lugar na cidade.
E a disputa por cidade gera essa dramaturgia.
Que Não falem mais por nós, pois somos protagonistas.
Mais um cria de favela que deu vida a suas histórias… e escreveu sua trajetória sendo o próprio roteirista.
Será minha razão dizendo que tudo ta lindo?
As lagrimas não aguentam de tanta emoção que sinto.
Porque se viver de um sonho nunca foi tão importante, como chegar nesse instante e ser dono de onde eu piso.
O que o funk fez por nós parceiro nenhum estado fez, muito menis se compara a tudo que nos satisfez.
E se Deus me deu a chance de ganhar conhecimento, o mesmo conhecemos eu vim dividir com vocês.
Queria agradecer a todos que nos apoiaram, a agência, a mondé, a cada preto favelado…
Já paguei pra fazer show com som ruim e fui humilhado, hoje em dia os mesmos rendem pro Espanhol dos descolados.
De todas as conquistas namoral, tá longe de dizer que é conquista eu estar posto em um pedestal…. o que sim me orgulha muito é ser cria da zona oeste, e ver minha favela se tornar um cartão postal.
Eles vão lembrar de nós,da nossa evolução, escrevo essa carta em nomede meus irmãos, os que viram nossas vidas transformadas em canção, e os que sentiram essas rimas, tocando seu coração.

É dia

Por Luiz Fernando Pereira Pinto

É dia, o sol aquece os corpos dos sobreviventes
Um na Mangueira
Outro na Maré
Mais um na VK
Dois em Camará

É outro dia, não-vida, o sol aquece os corpos dos sobreviventes
Um na Mangueira
Outro na Maré
Mais um na VK
Dois em Camará

Infelizmente, é dia, o sol aquece os corpos dos sobreviventes
Um na Mangueira
Outro na Maré
Mais um na VK
Dois em Camará

Os dias passam, a sequência continua, a não vida é a única certeza do jovem na periferia

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