Juventude, gênero e afeto: o debate em frases

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Quando o assunto é juventude, gênero e afeto, a crescente diversidade e a emergência de jovens mais informados e abertos à discussão são novidades interessantes dos últimos anos. Entretanto, questões como os limites impostos pela noção de identidade, cura gay e outras formas de discriminação ainda são desafios a serem superados.
Essas e outras questões foram discutidas na 5ª edição do Rio de Encontros em 2017, realizada no último dia 21. O debate reuniu no MAR a militante feminista Bruna de Lara, o jornalista e ex-assessor de imprensa do Rio Sem Homofobia Diego Cotta, a transsexual, fotógrafa, ativista cultural e militante LGBTQI Quitta Pinheiro e a antropóloga Sílvia Naidin, que estuda o uso das biotecnológicas na construção do gênero. A antropóloga e organizadora do Rio de Encontros Ilana Strozenberg ficou responsável pela mediação da roda de conversa.

 

Confira abaixo algumas das falas mais emblemáticas do evento:
  
Na minha família, tenho pessoas que acreditam na cura gay. Não brigo mais com elas, mas apresento pessoas, converso e tomo outras atitudes. A eficiência do afeto é muito maior do que a de uma briga no Facebook. (Veruska Delfino)
 
Apesar de ser visto como um colégio formador de uma elite acadêmica, o Pedro II não discutia relacionamento abusivo no período em que estudei lá. Se eu soubesse delas antes, teria sofrido muito menos. (Bruna de Lara)
 
Existe um mundo por trás da palavra trans. Uma das consequências da luta identitária é esse efeito homogeinizador e isso é natural. Quando você reconhece uma determinada identidade, algo sempre fica de fora. (Sílvia Naidin)
 
Minha filha teve um debate sobre o transfeminismo, que tenta conciliar a adoção do estereótipo por pessoas que querem marcar sua transformação e o esforço feminista para acabar justamente com esses estereótipos. (Anabela Paiva)
 
Eu não me maquio, não me depilo, mudo meu cabelo quando quero e não entendo que, com isso, esteja reforçando um estereótipo feminino. Estou só buscando algo que eu queira dentro daquilo que o mundo me oferece. (Quitta Pinheiro)
 
Faço parte do movimento feminista negro, que tem bandeiras muito específicas, e sempre penso no que poderia ser um princípio comum do feminismo. Qual é a luta de todas as mulheres, inclusive as não-feministas? (Sinara Rúbia)
 
Devíamos nos preocupar menos com coisas como a cura gay. No campo do gênero e da sexualidade, já ganhamos. Só fico preocupada em como temos entregado o gênero e outras questões à medicalização. Viver é difícil mesmo. (Sílvia Ramos)
 
Queer era um termo pejorativo para gay que hoje denomina um movimento baseado na ideia de dessencialização, de coisas que não se deixam aprisionar. Em geral, movimentos se solidificam e o queer questiona isso. (Sílvia Naidin)
 
O cenário atual é muito positivo. Temos a personagem trans da novela, a Pabllo Vittar acontecendo identitária e mercadologicamente e as novas gerações têm a faca e o queijo na mão para acabarem com os preconceitos. (Diego Cotta)
 
Outro dia, uma amiga me disse: ‘você era um homem gay e virou uma mulher trans, que gosta de homens. Logo, você é hétero’. Nunca tinha me dado conta disso! (Quitta Pinheiro)
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