Desejos e necessidades dos jovens devem ser ouvidos mais de perto, afirma George Yúdice

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George Yúdice: “A interação de saberes gera inovação social” (Thiago Brito/ESPM)

O nova-iorquino George Yúdice é professor da Universidade de Miami e especialista em culturas urbanas. Ele esteve presente na edição do último dia 22 de junho do Rio de Encontros, que debateu o tema “O que é ser jovem no Rio de Janeiro?”. Em entrevista por e-mail ao nosso blog, o pesquisador comentou a importância dos projetos voltados para jovens, que são seu objeto de pesquisa hoje. “As pessoas que formulam projetos e outras iniciativas devem ouvir mais de perto o que os jovens desejam e precisam”, afirmou.

Confira abaixo os melhores trechos da entrevista:

O que mais lhe chamou a atenção no debate do Rio de Encontros?

Houve muitas questões interessantes. Mas o que mais me interessou foi ouvir sobre as experiências dos chamados “jovens de projeto”. Eu já havia ouvido a Veruska Delfino, que é coordenadora da Agência de Redes para a Juventude, falar um pouco sobre isso e pude confirmar o que ela havia dito nas várias experiências narradas no Rio de Encontros. Acho importantíssimo ter mais projetos voltados para jovens e seria interessante que uma secretaria apoiasse iniciativas desse tipo sem interferir nelas.

Você considera importantes iniciativas como o Rio de Encontros? Por quê?

Acho muito importante esse tipo de encontro, porque é necessário ouvir o que pensam e fazem os jovens. As pessoas que formulam projetos e outras iniciativas devem ouvir mais de perto o que os jovens desejam e precisam.

Qual é o foco da sua atual pesquisa?

Meu projeto de pesquisa é sobre três experiências de interação de saberes: o MediaLab-Prado de Madri, a Casa Gallina da Cidade do México e uma série de iniciativas interligadas de ação cultural nas favelas do Rio de Janeiro. Cada uma dessas experiências está inserida em um contexto diferente, com diferentes dinâmicas organizacionais e diferentes histórias de ação cultural e social. Além disso, cada uma delas favorece o surgimento de vários tipos de facilitador ou mediador, de participação e de geração de ações e projetos que não acontecem em um vácuo e envolvem importantes habilidades de facilitação e de conexão. Indiscutivelmente, a autonomia cobiçada requer certos tipos de mediação. Mas o objetivo mais importante da minha pesquisa é analisar a variedade de maneiras de fazer que estão se desenvolvendo nesses projetos e conseguem fazer com que pessoas com conhecimento, perfis profissionais e não profissionais diferenciados entrem em contato.

Quais as principais conclusões que seus estudos geraram até o momento?

O que posso afirmar é que a interação de saberes gera inovação social.

Que transformações você percebeu na sua área de estudo desde sua primeira visita ao Rio? Por que você acredita que essas mudanças aconteceram?

O que posso dizer é que hoje existem mais iniciativas que trabalham para o empoderamento de pessoas nas periferias. Isso é importante mas não é suficiente. Por isso, recomendo que se crie uma secretaria que ajude o desenvolvimento dos projetos, mas que não interfira na autonomia deles. Trinta anos após minha primeira visita ao Rio, acredito ver mais jovens envolvidos na construção de iniciativas, como a Veruska Delfino da Agência. Isso é importantíssimo.

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