Guilherme Pimentel fala sobre o Defezap e a violência do Estado

Ativista criou serviço que visa combater os atos de violência por parte do Estado

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Guilherme Pimentel: “Falar do Rio sem falar de favela é impossível” (Thiago Brito/ESPM)

O Rio de Janeiro todo é uma favela. O verso da música Favela, da banda O Rappa, foi lembrado por Guilherme Pimentel durante sua participação no Rio de Encontros em 2017. No debate, o ativista abordou a questão da segurança pública na cidade e o papel do Defezap, serviço que visa combater os atos de violência por parte do Estado inventado por ele e amigos.

Criado no ano passado, o Defezap funciona no telefone (21) 99670-1400. Por meio desse número, Guilherme e sua equipe recebem vídeos de arbitrariedades cometidos por policiais ou outros agentes públicos via WhatsApp. Quem manda o material não precisa se identificar. “A cada vídeo enviado, fazemos uma análise, acionamos os órgãos competentes e monitoramos a investigação posterior”, explica ele. “Muitas vezes, precisamos também ouvir os desabafos de quem passa por essas situações durante duas, três horas de conversa. É desgastante emocionalmente, mas não há como ignorarmos isso”, comentou o ativista.

Logo no começo do evento, Guilherme destacou a importância das favelas para os cariocas. “Falar do Rio sem falar de favela é impossível. O que seria da dinâmica e da identidade da cidade sem esse componente?”, afirmou. Ele lembrou que, quando mais novo, ficou impressionado com o documentário Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles. Desde então, presta atenção ao problema da segurança pública no Rio.

Esse interesse só cresceu após ele começar a cursar direito na Uerj. “Para que eu me formasse, houve investimento público. A quentinha que o mendigo comprava com o dinheiro da esmola tinha um imposto que pagou meu diploma”, disse Guilherme. Ele nunca abandonou essa visão da sociedade, que está por trás de iniciativas como o Defezap. “A violência é uma cadeia, na qual a violência do Estado é apenas um dos elos. Ela funciona como um antibiótico mal-administrado, que favorece quem é mais violento nos dois lados. Se cobrar das autoridades funciona para saúde e educação, por que esse mesmo exercício de cidadania é visto como um inadequado quando o assunto é segurança pública? Com menos violência do Estado, o ciclo da violência fica enfraquecido”, afirma o ativista.

Em entrevista após o Rio de Encontros, Guilherme destacou a diversidade do público e o formato descontraído como as principais características do evento. “Foi a primeira vez que eu vim e foi surpreendente ver a quantidade de pessoas de diferentes lugares, experiências. Muita gente quantitativa e qualitativamente falando”, comentou ele. “O que mais me chamou a atenção foi o formato, que permitiu que essa diversidade aparecesse para além dos componentes da mesa. Eu me senti parte de uma roda, muito mais que de uma mesa, o que deixa as coisas mais à vontade, mais fluidas e mais interessante o espaço”, concluiu.

Confira entrevista de Guilherme Pimentel ao blog do Rio de Encontros:

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