Juventude, segurança e violência: o debate em frases

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Plateia acompanha a 3ª edição do Rio de Encontros em 2017 (Thiago Brito/ESPM)

O papel da polícia, as UPPs e a dificuldade de diálogo entre PM e moradores de comunidade foram alguns dos assuntos discutidos na 3ª edição do Rio de Encontros em 2017. Com o tema juventude, segurança e violência, o debate reuniu 80 pessoas na sala 2.2 do MAR na última quinta (13). O repórter fotográfico Betinho Casas Novas, os ativistas Charles Siqueira Guilherme Pimentel e o policial especialista em mediação de conflitos Maciel de Freitas conversaram durante três horas com a plateia. A socióloga Silvia Ramos coordenou o evento.

Confira abaixo algumas das falas mais emblemáticas do encontro:

“Morei em um lugar chamado Beco da Morte, onde aconteciam as execuções. Perdi um ano de estudo por não poder ir à escola, porque eu saía e tinha pedaços de corpos na minha porta” (Betinho Casas Novas)

“Se cobrar das autoridades funciona para saúde e educação, por que esse mesmo exercício de cidadania é visto como inadequado quando o assunto é segurança pública?” (Guilherme Pimentel)

“As pessoas dizem que eu não tenho cara de policial. Isso se dá por conta de um estereótipo que existe. Essa rusticidade existe até no curso, em que nos ensinam a fazer cara de tigre. Mas ser policial e ter profissionalismo não tem nada a ver com cara feia. ” (Maciel de Freitas)

“Todo mundo no Rio de Janeiro mora em um puxadinho de uma favela, uma extensão ou vizinhança de comunidade” (Renata Codagan)

“Quando saí de Maputo, minha mãe me pediu que nunca fosse às favelas. Não a obedeci. Fui para o Turano. E entendi que a marginalização e a violência no Brasil tinham cor” (Nelson Mugabe)

“Sou de Senador Camará. Meu primeiro contato com a poesia foi por meio dos proibidões” (Luiz Fernando Pinto)

“No Morro dos Prazeres, há uma parede onde se lê: ‘Parem os tiros. Os dois lados’” (Sílvia Ramos)

“Nos Prazeres, não sou juiz de nada. Isso me abriu um canal de diálogo na comunidade. Sou um interlocutor com credibilidade com a polícia e o tráfico sem ter envolvimento com ninguém” (Charles Siqueira)

“Uma vez, briguei com um menino. Oito dias depois, o pai foi com um revólver até a escola onde eu trabalhava. Mandei ele dar a arma ao vigia e, só depois disso, conversamos” (Lúcia Maria dos Santos, a “tia Lucia”)

“No mundo todo, a violência é diretamente ligada à corrupção. Onde uma cresce, a outra também aumenta” (Maciel de Freitas)

“O tráfico é uma firma com dois departamentos. O de produtos cuida da droga. O de segurança lida com fuzis. As UPPs tiraram a segurança de cena, mas o pessoal de produtos seguiu ativo” (Manoel Ribeiro)

“Com as UPPs, houve uma migração da violência para a Baixada Fluminense. Hoje, locais como Japeri registram muitas mortes e a maior parte delas é de jovens” (Adriano Araújo)

“Pobreza não é caso de polícia. Precisamos parar de falar que as UPPs não deram certo. Isso acabou. O que precisamos agora é de uma nova política de segurança pública” (Betinho Casas Novas)

“Estamos todos muito feridos com a falta de direção atual das instituições, mas não podemos perder o horizonte, que é a busca da paz” (Maciel de Freitas)

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