Internet acelerou os jovens, diz Emílio Domingos

Para cineasta, rede aumentou as possibilidade de mobilização e preservação da memória

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Emílio Domingos: “Para o jovem, um ano antes já é antigamente” (Thiago Brito/ESPM)

Para o jovem, um ano antes já é antigamente. A frase de Emílio Domingos define bem um dos efeitos colaterais da popularização da internet. Na opinião do cineasta, a preservação cada vez maior de fotos, vídeos e outros registros transformou o que antes era quase presente em um distante passado. Convidado da 2ª edição do Rio de Encontros em 2017, o artista falou sobre esse e outros temas no debate realizado no Museu de Arte do Rio (MAR) no último dia 22.

Segundo Emílio, o acesso a smartphones, computadores e outros meios de comunicação
trouxe ainda outras consequências para os jovens. Uma delas foi uma maior facilidade de se juntar e lutar coletivamente. Emílio enxerga esse aspecto em experiências como o Sarau do Escritório, que reúne centenas de pessoas no Centro do Rio para ouvir poesia e difundir pensamento. O cineasta destacou que hoje não é mais preciso que garotos e garotas sejam vizinhos para que aconteça uma aproximação entre eles. “Basta que tenham afinidades”, comentou ele.

Dois trabalhos recentes de Emílio comprovam o seu ponto de vista. Nos filmes A Batalha do Passinho e Deixa na Régua, jovens de diferentes favelas cariocas são os protagonistas – seja nos concursos de dança ou nas barbearias das comunidades. Embora não morem em bairros próximos uns dos outros, todos eles compartilham o sonho de viver do próprio dom. Para o artista, os personagens de suas obras representam um segmento esquecido pelo Estado e pelo mercado. “Juventude é algo muito mais diversificado do que se vê em um comercial da Coca-cola. A juventude que eu conheço não está na propaganda. E a política pública que existe também não é voltada para ela”, disse ele.

Emílio respondeu ainda perguntas da plateia. Uma delas foi feita por Hugo Camarate, integrante da turma Rio de Encontros 2017. Ele perguntou ao diretor como a questão da orientação sexual é tratada pelos jovens de comunidade. Na visão do cineasta, o entendimento do tema passa por uma transformação. “Há 20 anos, a
postura adotada pelos garotos do passinho seria considerada afeminada”, destacou ele. Entretanto, o artista comentou que grupos como os barbeiros ainda são bem machistas.

Durante o papo, o diretor prestou uma homenagem a Claudius Ceccon, fundador do Centro de Criação da Imagem Popular (Cecip), presente no encontro. De acordo com Emílio, o curta Funk Rio e outros trabalhos desenvolvidos pela entidade nos anos 1990 são inspirações para ele até hoje. No fim da conversa, o artista agradeceu o convite e destacou a plateia participativa como uma das principais qualidades do evento. “As três horas pareceram três minutos”, afirmou ele.

Confira abaixo a entrevista de Emílio para o blog do Rio de Encontros:

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