A maior parte dos jovens se vê como adulto, afirma Eliane Ribeiro

Para professora, entrada no mercado de trabalho está entre os motivos do fenômeno

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Professora da Unirio, Eliane Ribeiro é especialista em juventude e educação (Thiago Brito/ESPM)

A maioria dos jovens no Brasil se entende como parte do mundo dos adultos. A afirmação é de Eliane Ribeiro, especialista em educação e juventude. De acordo com a professora da Unirio, a entrada precoce no mercado de trabalho está entre os motivos para a difusão de tal concepção. No último dia 22, a pesquisadora participou da 2ª edição do Rio de Encontros em 2017, que debateu o tema “O que é ser jovem no Rio de Janeiro?” no Museu de Arte do Rio (MAR).

Além da pouca identificação com a ideia de juventude, Eliane apontou outros aspectos vistos em grande parte dos jovens brasileiros. “Um traço comum em diferentes segmentos sociais é o medo”, destacou ela. Segundo a professora, o sentimento pode ter diferentes razões para existir. Elas vão desde a incerteza em relação à conclusão dos estudos até o temor em relação à falta de amigos e companheiros, passando pela preocupação com o desemprego. O último ponto se justifica, já que a faixa entre 14 e 24 anos apresenta hoje o maior número de pessoas sem trabalho, de acordo com o IBGE.

A falta de políticas públicas adequadas agravam ainda mais o quadro já complicado. Para Eliane, enquanto os governos federal e estadual praticamente não contam com iniciativas voltadas para jovens no momento, a prefeitura do Rio ainda enxerga esse grupo apenas como estudantes. Na opinião da especialista, essa é uma visão problemática, porque não considera o papel desses indivíduos em outros contextos, como a cultura e a proteção social. “Hoje, a luta da juventude é uma luta de sentido, de mostrar que suas necessidades vão muito além da questão da escola”, definiu a pesquisadora.

Nem-nem

Eliane também comentou a situação dos chamados nem-nem, jovens que não estão matriculados em escolas nem trabalham com carteira assinada, na definição do Banco Mundial. “É um indicador que precisa ser revisto, já que quase todo mundo está nessa situação”, defendeu ela, que acredita que o recorte é muito limitado para um mundo onde cada vez mais o estudo e o trabalho se dão de maneira informal. Ainda segundo a professora, o nome nem-nem gera estigmas que não se confirmam na prática. “A maior parte dos nem-nem é formado por meninas que cuidam da casa”, destacou.

Outro tema debatido no encontro foi o papel do jovem pobre na academia. Em mais de uma pergunta feita à especialista, a plateia questionou quando ele deixaria de ser objeto para ser protagonista na universidade. Para Eliane, essa mudança já está em curso, embora os mais novos possam não percebê-la com tanta clareza. “Os jovens de periferia ainda se concentram nos cursos de um turno, mais fáceis de conciliar com outras atividades. Mas, pela primeira vez na história do país, temos uma geração de moradores de favela chegando ao doutorado”, disse ela. Como exemplo disso, a educadora citou o núcleo Pesquisas Insurgentes, da Unirio, formado por alunos vindos da Maré.

“Queria pedir a vocês duas coisas. A primeira é que não abram mão de lutar pelas políticas públicas. Elas servem de alavanca, são uma ferramenta essencial. A segunda é que não abram mão da academia. Ela é uma parceira importante”, afirmou Eliane ao fim do debate. Ela destacou as diferentes idades e origens dos participantes como as principais qualidades da conversa. “Saio desse encontro revigorada, com muita energia, muito pique para fazer alguma coisa”, resumiu a professora.

Confira abaixo a entrevista de Eliane para o blog do Rio de Encontros:

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