Evandro Salles fala sobre o museu e seu papel na cidade

Diretor do MAR abriu primeira roda de conversas do Rio de Encontros em 2017

34578881352_c258977a71_k.jpgEvandro Salles é diretor do MAR desde outubro (Thiago Brito/ESPM)

A cidade do Rio de Janeiro conta hoje com 81 museus. O dado é do Rio Como Vamos. Mas de onde vêm, para que servem e quais desafios enfrentam esses e outros centros culturais espalhados pelo mundo? Essas e outras perguntas foram respondidas por Evandro Salles, diretor do Museu de Arte do Rio (MAR), durante sua participação na primeira roda de conversas do Rio de Encontros em 2017, realizada no último dia 11. Durante sua apresentação, ele falou sobre como entende esses espaços e sobre os impactos da criação do MAR na cidade, entre outros assuntos.

“Os museus são uma criação recente na história do Ocidente”, disse Evandro no começo de sua fala. Segundo ele, o surgimento desses locais está ligado à necessidade dos europeus de reunir itens das áreas descobertas a partir das grandes navegações para apresentá-las a seus conterrâneos. Esse movimento é retratado em filmes como Francofonia, lembrado pelo provocador durante o papo. A obra do diretor russo Alexandre Sokurov mostra como os saques de Napoleão em diferentes partes do planeta ajudaram a formar o acervo do Museu do Louvre, em Paris.

O diretor do MAR destacou uma consequência negativa dessa origem dos museus. Por terem nascido da dominação, eles ainda conservariam viva parte da ideologia daquele tempo. “Essa é uma característica que permanece. A nossa busca hoje é por uma visão mais inclusiva e menos segregadora”, comentou Evandro. Entretanto, ele destacou que muitas coisas já mudaram desde o surgimento desses espaços. “Desde Duchamp, a arte é livre da submissão à matéria, à linguagem”, exemplificou, em uma referência ao artista francês que expôs um mictório em uma mostra em 1917.

34356455040_f6836cb977_kO MAR cumpre o papel de repensar o Rio”, afirmou Evandro (Thiago Brito/ESPM)

Na opinião de Evandro, a arte hoje é um fenômeno que articula linguagem, que provoca pensamento. E os museus são os espaços preferenciais da cidade para quem quer entrar em contato com ela. “Dos anos 1960 para cá, os centros culturais passaram por revoluções em sua função e ganharam novas perspectivas”, afirmou Evandro. “Museus como o Beaubourg, de Paris, mudaram as relações na cidade e no mundo”, complementou ele.

É nesse contexto que o diretor do MAR enxerga seu local de trabalho. Para ele, o museu é fruto da renovação urbana de uma área extremamente degradada. “Na ditadura, o coração histórico da cidade foi cortado pela Perimetral. Toda essa área foi destruída por um viaduto em um gesto de brutalidade”, afirma Evandro. “Um dos impactos do golpe foi ter colocado interesses financeiros e particulares acima dos interesses coletivos”, complementou ele sobre o período.

Com a revitalização da zona portuária, os cariocas puderam se relacionar com a localidade de uma outra forma, na qual Evandro enxerga seu museu como peça fundamental. “O MAR cumpre o papel de repensar o Rio e estimular a reflexão sobre seu futuro”, disse ele. “Cultura e arte são instrumentos fundamentais para que as pessoas conheçam seu espaço dentro da cidade”, finalizou, antes de responder a uma rodada de perguntas feitas pela turma do Rio de Encontros.

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