Cidades e realidade virtual

Marcos Ferreira apresenta soluções da mobCONTENT / Foto: Roberta Voight

Marcos Ferreira apresenta soluções da mobCONTENT / Foto: Roberta Voight

Tecnologia é commodity, está aí e qualquer um pode usar. Essa é a máxima que pontua a fala de Marcos Ferreira, que mostrou cenários que a realidade virtual possibilita, equipamentos, protótipos e o que está por vir pela indústria. Com tanto à mão, difícil é produzir o conteúdo, defende o fundador da mobCONTENT, empresa que desenvolveu pelo menos dois aplicativos de destaque: Polissonorum, de mapeamento georreferenciado, e Cidade Antigamente, de realidade virtual no campo da memória.

Menina dos olhos da empresa, o Polissonorum tem como proposta criar uma camada afetiva entre os usuários e o espaço urbano. A cidade é desvelada a partir de histórias pessoais contadas em mais de 100 áudios organizados em pacotes editoriais, que aparecem a cada vez que o usuário escolhe as rotas do seu interesse. O georreferenciamento do aplicativo se dá com o GPS do smartphone.

Já o Cidade Antigamente é um  aplicativo de realidade virtual desenvolvido para Google Cardboard, Oculus Rift e Samsung Gear VR. Trata-se de uma ferramenta de aprendizado que ajuda a propagar conhecimento em áreas múltiplas a partir de cenários histórico. “Você vai pulando em determinados cenários. O mouse é o olho, você mira e é teletransportado. Basicamente é 3D”, explica. Sinal de que deu certo, o aplicativo foi finalista do Prêmio Brasil Criativo, reconhecido como o prêmio oficial da economia criativa do país, e do  Inovativa, programa voltado para estímulo à inovação tecnológica realizado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

Incubada e graduada na Rio Criativo, a mobCONTENT coleciona cases próprios desde 2010. Mas Ferreira, que foi o brasileiro premiado no programa Young Creative Entrepreneur Award, promovido pelo British Council, em 2013, faz da pesquisa um hábito de trabalho, por conta da rapidez de propagação de tecnologias e inovações. “A gente gera cases legais, claro que alguns dão mais prazer que dinheiro, mas somos obrigados a pesquisar continuamente”, diz.

As máquinas de inteligência artificial já nos espreitam e os computadores começam a assimilar informações a partir de dados coletados, garante Marcos Ferreira. Pode estar próximo o tempo em que as máquinas vão tratar de ensinar a si mesmas. A tal máquina pensante sobre a qual o cientista da computação britânico Alan Turing especulava nos idos 1950, antes que o termo fosse oficialmente cunhado pelo cientista John McCarthy, em 1956.

Marcos Ferreira usa como exemplo a experiência desenvolvida pelo laboratório de computação da Sony em Paris que impunha ao computador o desafio de reorquestrar a clássica música Ode to Joy, de Beethoven, identificando padrões de estilos musicais (http://www.flow-machines.com/odetojoy/). “O resultado é prova de que a informação artística e criativa pode ser decomposta e reconstruída para fins diversos”, afirma Ferreira.

A tecnologia aplicada à cultura é um território que a mobCONTENT conhece bem. Mas como estender a aplicação e usar a informação em benefício das cidades e torná-las de fato inteligentes?

“Esse é o desafio. Até então, fala-se muito em fins comerciais para o Big Data, que é um grande armazém de informação, mas um dos reflexos é a construção de personas que se comunicam com você com uso de inteligência artificial”, diz. O concreto, ele ressalta, são os chatbots (programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas), que travam diálogo com o usuário em níveis que vão do básico ao complexo. A interação abastece o banco de dados, que passa a oferecer cada vez mais respostas possíveis. Trocando em miúdos, é uma conversa com um robô, que responde  a partir do que o usuário escreve. 

A indústria avança em realidade virtual e as cidades podem ser beneficiárias uma vez que a realidade virtual social é cada vez mais concreta, argumenta Ferreira. “Criar soluções e desenvolver aplicativos tem seu custo, mas não é uma tarefa difícil. A tecnologia é commodity, está aí, você pode usar à vontade. Difícil é fazer conteúdo, uma coisa útil”, pondera ele. A pergunta que inquieta é:  o quanto o nosso espaço físico vai ser transportado para a realidade virtual?

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