Pelo protagonismo

Jonathan Caroba diz que sabe bem o quão difícil é encontrar um lugar para ser ouvido. Coordenador de midiaeducação do Planetapontocom, estudante de Comunicação Social na UERJ, é aluno egresso do Colégio Estadual José Leite Lopes – NAVE/Rio, onde, atualmente, forma equipes de alunos líderes no Programa de Formação de Monitores de Mídia. A vivência nos dois lados, como estudante e professor, rende uma perspectiva otimista: assim como ele, os outros também podem ser protagonistas, termo chave para entender o que ele pensa sobre tecnologia e aprendizado.

Jonathan Caroba: "É preciso dar espaço para todo mundo que tem talento" / Foto: Roberta Voight

Jonathan Caroba (no centro): “É preciso dar espaço para todo mundo que tem talento” / Foto: Roberta Voight

Um menino ensinando outros, ele ouve muito. Aos 21 anos, Caroba mais parece um dos alunos nos projetos que desenvolve. A proximidade da idade tem vantagens. Como os estudantes, ele conhece os apetrechos tecnológicos que ensandecem professores salas de aula adentro e, ele mesmo, não desgruda do celular.

“Muitas vezes o professor não está preparado para as situações que aparecem na escola. Os alunos estão muito à frente. A sala de aula não é mais espaço onde o professor fala e o aluno absorve conteúdo”, afirma ele, que, ao lado de outros 60 professores, trabalha com mais de 400 alunos.

Para manter o aluno interessado no que ele diz, Caroba lança mão de projetos integrados. Vale utilizar rádio, produzir websérie, promover sarau literário, shows e o que é possível inventar. “Daí para frente a criação é coletiva. Não é questão de gostar ou não gostar, quando eles querem fazer, a motivação é totalmente diferente. É dar espaço para todo mundo que tem talento. O espaço não é só para quem quer fazer, mas para quem quer ver, também”, observa.

Se a pedagogia persiste, Caroba faz questão de opinar. “O primeiro pensamento que se tem quando se fala de educação é a palavra escola. A pedagogia vai continuar existindo, a diferença é que o momento é de ressignificar”.

E nessa ressignificação de que fala, o estudante de jornalismo defende que o aluno tenha o seu devido espaço assegurado. “O impacto do que é feito na sala de aula é maior que a sala em si. Não existe dizer para um aluno o que é liderança e não dar espaço para que ele seja um líder”.

Trocando em miúdos, ele diz que a escola precisa dar espaço para o protagonismo. “Eles aprendem a ler no celular. Nada de computador, livro ou tablet. Mas a pergunta que ninguém responde antes de pensar é: por quê você vem à escola? Eles não sabem muito. Perspectivas e sonhos estão ali, mas muitas vezes morrem ali também”.

Para inspirar: NAVE/RIO

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