Perguntas da plateia

Muitas secretarias trabalham como pequenos feudos, têm suas próprias redes e prioridades, o que têm pouco a ver com o que o cidadão espera. Essa é uma grande barreira. Como a gente pode mudar daí para o trabalho em conjunto? (Julia Michaels)

Marco Konopacki – Tem uma questão forte para além do que foi dito que é o papel do gestor público. O estado ainda é um ente de poder muito grande, apesar de o avanço da tecnologia proporcionar uma cobrança maior por parte da população e dar a ela um papel maior. Se tentava quebrar caixinhas na Secretaria de Cultura e romper a estrutura de feudos de poder, mas pensando em oferecer um serviço melhor e manter um estado diferente, isso eu vi em 2012. Há modelos de estado, é importante pensar em uma reforma e esse é um debate que ficou para trás, mas o aparelho de estado deve ser mais aberto e mais permissivo ao diálogo.

Julia Zardo – Trabalhar em secretarias é difícil mesmo. Mas, às vezes, é uma forma de você ajudar a transformar. É interessante entender que quem está lá dentro tem de ser parceiro. O secretário e todos os funcionários estão lá para isso.

29562258831_77e4d5899c_k.jpg

Diálogo com a plateia / Foto: Roberta Voigt

Deveria haver um canal no qual você possa falar de maneira mais qualitativa, se você quer reclamar, sugerir. Deveria ter um gerente da rua que você pudesse acessar. Falta aos governos usar a capacidade de inteligência dos cidadãos para construir uma cidade mais organizada. (Anabela Paiva)

Marco Konopacki – Os canais existem, o problema é superar as estruturas arcaicas de poder dentro do aparelho do estado. Daí eu penso numa reforma de estado para prestar mais eficientemente os seus serviços, que seja menos pautado e focado nos processos. Não se constrói uma visão do estado como serviço, como plataforma a favor do cidadão, colaborando e oferecendo uma estrutura que resolva os problemas do cidadão. Na Estônia, um bom exemplo, você tira sua identidade digitalmente, abre empresa, porque lá eles pensam o estado como facilitador das conexões. É uma postura, uma mudança cultural, no é simples de se pensar, depende de gestores que tomem essa iniciativa e também depende de nós, população, nos organizarmos. Orçamento participativo, no passado, foi uma postura política, uma forma de entender como se fazer política. existem duas visões possíveis: includente ou excludente, então pensar a política mais aberta e com a postura de incluir pessoas terá sempre um resultado melhor. Principalmente se você incluir pessoas diferentes.

A perspectiva econômica atual é nefasta, mas pode ser um bom momento para as pessoas começarem a levar seus projetos para a iniciativa privada. Como acessar o apoio privado? (Nyl MC)

Luisa Rodrigues – Não é uma divisão entre público e privado. O financiamento coletivo surgiu preenchendo a lacuna. Cultura e arte são categorias que mais crescem no financiamento coletivo. É, hoje, uma opção para produtores culturais. A gente acredita no tudo ou nada, a pessoa estipula uma meta financeira e se ela não for atingida, o dinheiro é redistribuído.  Qual o menor custo que você tem para botar alguma coisa na rua? A gente vai quebrando em metas. É uma maneira de mobilizar as pessoas pela urgência. É meio apelativo, mas funciona. As modalidades de financiamento incluem o recorrente, no qual temos hoje 50 iniciativas.

Julia Zardo – Ter voz e ser ouvido é mais fácil e o poder público vem a reboque se há mobilização. E as iniciativas já se espalham pela cidade, gente fechando rua, criando eventos, ocupando as ruas, transformando espaços, os empreendedores estão se juntando. O Beco do rato está revitalizado. A prefeitura vai lá, apoia.

29017583604_e529295fde_k.jpg

Nyl MC conversa com os convidados / Foto: Roberta Voigt

Tenho o projeto ‘E aí, vereador?’, cuja ideia é cobrir a Câmara de Vereadores das cidades. Vocês têm dicas de financiamento? O nosso copo ficou 9% cheio numa campanha flex. Meio sonho de consumo é conseguir patrocínio. Como existir juridicamente? (Vinícius Assis)

Luisa Rodrigues – Esse tipo de plataforma tem apelo coletivo muito forte. No momento político em que estamos, esse projeto é muito valioso. Tem de voltar atrás e ver o que foi errado.

Projetos como Benfeitoria se inspiram em experiências de fora? Todo mundo se inspirou em alguma? Empreendedores precisam se arriscar para entender que é preciso trabalhar mais ou quebrar sua ideia para conseguir metas financeiras mais reais. Conta um caso em que deu tudo errado. (Silvia Ramos)

Luisa Rodrigues – Temos casos, sim, de projetos que foram financiados mas que os realizadores tardaram a entregar o produto final. Um deles foi o Marcelo Yuka que, em 2014, teve 400 colaborações e até hoje ainda não lançou o CD. As pessoas mandam email questionando onde foi parar o dinheiro. Mas a gente esclarece que transfere o dinheiro para o realizador, assim que o projeto é financiado. Um dos pilares da Benfeitoria é a transparência. Nesse caso, estamos em constante contato com a equipe do Yuka cobrando uma atualização para mantermos os colaboradores informados. No mais, há os casos em que os projetos não chegaram à meta, acabou o tempo e o dinheiro foi devolvido. O interessante é que se você não quiser, você não gasta um tostão do seu bolso até você chegar à sua meta. Até então você está testando para saber se aquilo vai funcionar ou não.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s