Perguntas da plateia – Parte 2

Tenho uma TV online, a tvhare.com, que mobiliza 400 voluntários. É uma plataforma inventada que promove todo mundo mas a gente não ganha nada. A gente faz desde novelas e tem três milhões de visualizações. Enquanto a Bel Pesce emplaca um projeto particular dela, o meu não foi aceito. Quais os critérios para conseguir emplacar um projeto? (Denise Kodagan)

Luisa Rodrigues – Uma TV que tem três milhões de visualizações, claro que interessa, não desista. Seja o mais claro e objetivo possível na montagem do seu projeto. Bel Pescei é uma empreendedora famosa que se juntou ao vencedor do Masterchef e lançaram Zebeléo, uma hamburgueria. Foi interessante para ouvir todas as vozes. O Brasil está começando a entender financiamento coletivo. A gente quer estourar a bolha.  No Zebeléo, não havia transparência, era um lance de marketing. O financiamento coletivo também é para empreendedorismo. Permite partir de um lugar que não tem dinheiro para ampliar. A gente dá visibilidade aos projetos, faz post dos que a gente é super fã, mas não divulgamos, isso quem faz é o realizador. A gente diz que compartilhar post é tão importante quanto alguém colaborar.  

Lá fora é mais fácil emplacar projetos em áreas mais diversas. Lá, há mais engajamento e aqui funciona mesmo como vaquinha, você tem de pedir pelo amor de Deus. Você tem os benfeitores mais frequentes? (Marcelo)

Luisa Rodrigues – As plataformas gringas ensinam muito. No nosso caso, interesse e  impacto coletivos são as premissas. Antes não aceitávamos projetos de cunho meramente comercial, mas a gente amadureceu e entendeu que isso também é empreendedorismo. Se fizer sentido, vale abrir uma filial do MegaMatte. A mudança e reavaliação é entender que a gente precisa se reinventar. A gente não aceitava também causas pessoais. E por que não? Isso pode ser maravilhoso, vamos abrir o leque. Mas o financiamento não é para todo mundo. Tem pessoas que têm barreira digital, são muitas barreiras ainda. Não basta ter um puta projeto na mão, tem de correr atrás de engajamento. Tem de testar e  ver se é pra você, se está no seu momento.

Empreendedorismo é mais abrangente. No Morro dos Macacos, o que mais tem é empreendedor, só que muitas vezes por necessidade. Não é um contrasenso o financiamento coletivo?  A lógica não seria rompida aí?

Julia ZardoO empreendedor é o cara que não espera, vai lá e faz, transforma. Acredito que é uma das formas de não sucumbir.

Luisa Rodrigues – Cada plataforma funciona à sua maneira com sua estratégia. A Benfeitoria faz curadoria, tem plataforma que não faz. Nós vamos pelo caminho do acompanhamento, questionamos e alinhamos a proposta antes de a campanha ir para o ar. Tudo para garantir o sucesso no final.

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Luisa Rodrigues e Teresa Guilhon / Foto: Roberta Voigt

Como as informações privadas são usadas nos espaços do poder público, como o Centro de Operações Rio? Como é tratada a problemática da vigilância pública versus a privacidade do cidadão? (Laura)

Marco Konopacki – De fato, existe uma questão delicada que é a privacidade e, para além dos dados, os metadados. Você tem a opção de não coletar todas as informações. O Marco Civil diz que nenhum serviço pode coletar mais dados do que o necessário. Na relação com o poder público continua válido, ele tem de se restringir aos dados de que necessita. Para tratar as informações existem estratégias de anonimização de dados. Uma delas é deixar claro o contrato que se oferece e o acordo sobre como serão e para quem serão disponibilizados os dados. Às vezes o contrato é usado como subterfúgio. Sobre os centros integrados de controle, é interessante observar a forma como os dados das pessoas são utilizados. Se você cruza metadados, pode revelar informações sensíveis sobre a pessoa, assim como comportamentos específicos e com quem ela se relaciona. Google e Facebook fazem isso. São dilemas sobre o limite do uso de dados pessoais que merecem atenção.

Quando a gente vai conseguir a governança de baixo para cima, já que, em última instância, é isso que se quer? (Teresa Guilhon)

Julia Zardo – Acredito em rede. As ações têm pouco valor e impacto se você faz sozinho.  Ações associativas têm muito valor. As iniciativas já se espalham pela cidade, tem gente fechando rua, criando eventos, ocupando  e transformando espaços. O tempo do engajamento é um tempo a mais que eventualmente você não tem, mas em grupo você faz muito mais facilmente. Cooperativa é competição com colaboração. Em grupo, é muito mais fácil transformar realidades.

Marco Konopacki  – Acredito nas pessoas para provocar transformação. As organizações sociais estão mudando, há novas formas de as pessoas se encontrarem, há o agir coletivo que faz com que as pessoas se liguem e se encontrem mais movidas afetivamente. Vamos lembrar a função social da terra, isso pode ser uma solução. Ação coletiva e aproximação. Há novas formas de se organizar: o casamento é uma instituição moderníssima, nada além do amor segura hoje duas pessoas juntas. As pessoas só estão juntas pelo amor. Vamos acreditar no amor.

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