Cidades responsivas

O cientista político Marco Konopacki, coordenador de projetos de democracia e tecnologia do ITS Rio, tem muito para contar sobre como a tecnologia pode ajudar e melhorar as cidades para os seres humanos. Pensar uma cidade que “aprenda” e que responda positivamente passa, necessariamente, pela construção de uma relação entre poder público e o cidadão, defende  ele.

As reflexões surgem da prática, ou de situações velhas conhecidas de quem circula pelo Rio de Janeiro. “Todo ano, as ruas alagam, o trânsito dá nós, as chuvas causam desastres. Os flagrantes estão à nossa vista e,porque ainda assim, não conseguimos dar respostas eficazes? No Rio, mudaram as linhas de ônibus, o caos se instalou na cidade. E o tempo gasto em mobilidade, raro e caro, uma vez perdido, não gera nenhum valor”, pontua.

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Marco Konopacki / Foto: Roberta Voigt

Doutorando em Ciência Política pela UFMG, pesquisador nas áreas de governança de tecnologia da informação, desenvolvimento de software, participação social e ação coletiva, Konopacki conhece bem os meandros dos setores público e privado. Daí ele insiste em que cidadãos podem e devem interferir nas leis que regulam a cidade. “Provocar espaços em que as pessoas possam decidir juntas é mais do que votar, é abrir vãos para que as pessoas apresentem seus argumentos, pois o voto, muitas vezes, é mudo, você assina algo que está posto, não dá vez a alternativas e ao diálogo”, esmiúça ele.

E  vai além do que se experimenta na rotina carioca. Se as cidades são o espaço que nos deveriam acolher para a troca de experiências, valores e emoções, por que elas ainda não respondem aos problemas de forma ágil? Por que as rotinas se repetem ano a ano e nenhuma resposta efetiva é dada?

As respostas possíveis, segundo Konopacki, estão em quatro frentes: o poder público não usa a tecnologia como suporte para a solução dos problemas, o que gera estruturas duras e difíceis de se alterar, como o sistema (e-governo); o cidadão ainda não se habituou a demandar o poder público, menos ainda utilizando meios de vanguarda, como a internet (expansão do e-cidadão); há poucas opções de aplicativos que dêem respostas a esses problemas, sinal de que as estruturas não estão preparadas (aplicativos de soluções smart city, como o move it); e a quarta é relativa ao uso de dados pessoais e ao limite em que se consiga agregar dados.

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