Conversa com a plateia – parte 2

A diretora acadêmica d’O Instituto, Ilana Strozenberg,  fez a pergunta inicial da segunda etapa do debate entre provocadores e plateia: se não há sociedades que funcionem sem um conjunto de leis, que justiça é essa que consegue que limites sejam respeitados sem a presença da criminalização. Como pensar um mundo melhor sem abrir mão de impor determinados limites? À contemporização, a plateia acrescentou questões como conceito de justiça, prerrogativas do anonimato e tolerância sem que nos tornemos intolerantes, será possível? Aos provocadores, a palavra final.

Andrea Pachá – Criminalizar a conduta nao resolve a violência. A pessoa se comporta de forma adequada a um grupo muito mais pela repressão moral. Não sou contra o direito criminal, que estabelece limites importantes para o convívio e tem função de segregar do grupo social alguém que não tem condição de viver em grupo. Existe a obrigatoriedade de limite e fixação de pena nem que seja para preservar o grupo. Mas só quem nunca passou perto de um presídio pode achar 30 anos pouco tempo. Não há nada mais parecido com o inferno que o sistema prisional. Uma rede só seria suficiente para enfrentar a multiplicidade de infrações criminais. O convívio em sociedade não melhora pela via da criminalização, mesmo que se torne mais grave o crime hediondo. O que a gente mais escuta é ‘tem de criminalizar’. Haja espaço para internar todo mundo, porque somos todos loucos ou criminosos de alguma forma. A responsabilização me parece mais inteligente para o controle da rede do que a criminalização,  porque a rede vai continuar como ambiente propício a esse tipo de crime. Esse não é o ambiente natural da humanidade. Ainda que o sujeito seja criacionista, tem um limite. Já a linguagem do dinheiro, a empresa entende. A monetização pode não fazer sentido para o indivíduo, mas a empresa entende essa linguagem.

“Até que ponto a garantia do anonimato influencia no que é postado nas redes?”
Mauro Ventura

DSC_0063 copy.jpg

O jornalista Mauro Ventura e a juíza Andréa Pachá. / Foto: Natalia Gonçalves

A votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara é um exemplo real de escândalo anunciado. É claro que a gente sabia que o país tem essa cara. Para reverter isso, é preciso entender que você é diferente porque está numa bolha diferente. Como enfrentar a intolerância sem nos tornarmos intolerantes? Não consigo perceber de outra forma, senão pelo afeto. Para eu preservar a tolerância como valor, não posso me fazer intolerante. Esse é um paradoxo com o qual precisamos aprender a lidar. Não consigo perceber de outra forma, senão pelo afeto. Para eu preservar a tolerância como valor, não posso me fazer intolerante. Esse é um paradoxo com o qual precisamos aprender a lidar. A lógica é que alguém é sempre culpado pela minha infelicidade, o que resulta em que a culpa não é de ninguém. Tudo vira fatalidade quando você cria uma sociedade da irresponsabilidade.

 João Marcio Dias – A criminalização passa muito pelo desejo que os parlamentares têm de mostrar serviço em dados momentos. Há muita vontade de se resolver tudo a toque de caixa, e os legisladores se aproveitam disso. Temos uma Câmara alheia à sociedade que vai acabar botando a Justiça em uma saia justa. Você precisa causar uma tragédia ‘branca’ para fazer as coisas acontecerem.  A educação brasileira precisa entender que a internet não é rival. Você tem de trazer esses mecanismos para dentro da sala de aula, porque a internet é parceira. É preciso humanizar o professor e levar a internet para sala de aula. Quando a gente promove debate, dá menos quadro negro e mais diálogo, os resultados são muito mais efetivos no aprendizado e na relação que se estabelece a partir daquele momento. Ter a percepção das leis modifica o comportamento do cidadão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s