A festa da uva na internet

João Márcio Dias é jovem, mas sabe muito sobre o que circula na internet. Formado em artes plásticas pela UFRJ e em comunicação social pela Facha, está no mercado de comunicação desde 2002. Nesse meio tempo, já atuou em coordenação de campanhas políticas, aprendeu a fazer gestão de crises e a construir identidades na web. Atualmente, é redator e produtor de conteúdo. Patrulhamento e achincalhe na rede, processos, impunidade e luta por direito à privacidade são temas recorrentes no seu dia a dia profissional. No entanto, apesar dos percalços e do clima de ‘tudo pode’, o mundo virtual tem direito e merece a defesa, o que Dias fez durante sua fala – sem deixar de apontar responsáveis pelos desmandos intencionais na web.

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João Marcio Dias. / Foto: Thiago Brito

“A internet tem um lado maravilhoso porque permite a troca de ideias. Mas a web como a gente conhece tem no máximo 15 anos, considerando o tempo em que se popularizou. Temos agora a primeira leva de jornalistas que nunca passaram por uma redação, e não há mais um mediador”, afirma Dias. A liberdade ou excesso de liberdade acabam criando, no entanto, um clima de tudo pode. “É a festa da uva na internet. As pessoas dão opinião sobre tudo, Mas onde a lei pode entrar sem tolher a liberdade de expressão?”, indaga.

Produtor de conteúdo para a atriz Taís Araújo, ele atuou na gestão da crise causada pelo episódio de assédio virtual sofrido pela atriz, em 2015. “Tudo é muito superficial, há a certeza da impunidade. Então, as pessoas acham que podem dizer muito”, afirma o especialista em mídias sociais, para quem somente a consolidação de uma tragédia, e sua consequente repercussão, gera mudanças na legislação. “Tem de acontecer algo absurdo para que a Lei entre em vigor”, provoca, referindo-se à Lei Carolina Dieckmann, sancionada em 2014, após o caso da exposição de fotos íntimas da atriz nas redes.

Taís e Carolina têm mais em comum do que podem julgar os mais ingênuos, segundo Dias, que defende a tese de ataques coordenados: “Como aparecem 40 perfis falsos xingando uma pessoa de forma brutal? Não era acidental”, garante. E os casos se repetem, ele cita outras vítimas, como a atriz Leandra Leal e a jornalista Maria Julia Coutinho, a moça do tempo no Jornal Nacional, da TV Globo. “Faltam punições exemplares. No caso da Taís Araújo, identificaram, prenderam e, dois dias depois, os criminosos estavam soltos. Vocês já viram alguém ser preso por racismo nesse país? A morosidade ocorre no julgamento e também na investigação, parece que estão todos cegos em tiroteio”, ressalta e deixa a pergunta: “Como melhorar o controle e quais os limites que têm de ser postos?”.

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