Sorria, você vai ver o Rafucko

Rafucko tem um site. Rafucko tem um canal no youtube. Rafucko tem uma página no facebook. Rafucko tem um perfil no twiter. Rafucko é JPG, MOV, MP3, TXT.  Rafucko tem bom humor para dar de graça e para vender, porque vive de provocar, inclusive gargalhada. Com reputação ja assegurada, o jovem ostenta a veia crítica como  marca. Para quem já foi detido e teve de explicar à polícia as suas razões de trabalhar, o que vem de reação do público é lucro.

O midiartivista Rafucko: “Eu procuro muito ouvir o outro lado"

O midiartivista Rafucko: “Eu procuro muito ouvir o outro lado” / Foto: ESPM

Rafael Puetter, esse é o nome de batismo do rapaz, é roteirista, videomaker e artivista. Ganhou destaque na internet fazendo vídeos de sátira política. Em seu trabalho, trata de temas que vão desde a homofobia até as remoções involuntárias de moradores das suas casas por conta de obras para os grandes eventos. Rafucko repudia o autoritarismo da Polícia Militar e a cobertura tendenciosa da mídia. E já tem tempo que ele faz barulho na rede e também fora dela. O seu primeiro vídeo foi produzido e exibido em 2008. Mas a fama só começou a lhe mostrar sua face em 2011, com as sátiras sobre minorias, que ele produz até hoje.

“Comecei a falar de transporte, de preço de passagem, a fazer vídeos políticos, que foram tomando outro viés a partir dos protestos de 2013. Mídia e violência policial são temas centrais no meu trabalho”, ele define e completa: “Tudo que fiz na internet,  sempre foi muito transparente, não me escondo, minha produção é honesta até na tosquice. Quando fui preso, em 2013, as pessoas tomaram meu lado porque já me conheciam, antes mesmo de eu contar minha versão”. Assim, se , por um lado, o episódio rendeu infortúnio,  por um lado, lhe rendeu audiência pelo outro.

Rafucko chama a atenção e os maus bocados vêm a reboque. O primeiro foi em 2013, ano em que ele produziu nada menos que 32 vídeos de caráter essencialmente político. Foi detido durante uma manifestação.

O segundo episódio policial ocorreu quando Rafucko foi acusado de ter usado manequim roubado da loja Toulon para fazer uma performance artística. Um de seus vídeos, em que faz uma clara provocação à Rede Globo, foi retirado do ar. “Esse é realmente o vídeo que a Globo não quer que você veja” , diz ele. Chamado para depor a respeito, apareceu na delegacia vestido com um traje que ele define como “William Bonner sexy”, com direito a meia arrastão. “Fiz a campanha lá mesmo, com cartaz e tudo. Em um dia consegui 10% do que eu queria (de audiência) para o meu talk show”, relembra, com desdém.

Formado em radio e TV pela UFRJ, Rafucko, quem diria, também passou pelo PIG. Mas foi apenas uma experiência breve no GNT. Queria mesmo – e muito, segundo ele – criar, escrever, dirigir, atuar. Em 2013, foi listado pela revista Galileu e pelo portal youPix como umas das 25 pessoas mais influentes na internet brasileira. “Uso um pano comprado no Saara, a R$ 20 o metro. Eu mesmo faço tudo e atuo sempre.”

A forma ou o conteúdo, o que vale mais? “ Mais importante do que o que estou falando é a forma como estou fazendo meus vídeos, de forma independente, dentro do meu quarto”, enfatiza. É assim que ele define sua forma de transgressão: “Não odeie a mídia, seja a mídia. Ser a mídia é mais importante do que meramente criticar. Todos nós somos midias quando postamos um comentário. Pode ter três curtidas, mas naquele momento, você é o assunto”, prega ele.

Rafucko diz acreditar que a informação é mais confiável quando as pessoas conhecem a sua origem.  “Eu procuro muito ouvir o outro lado, para ter  certeza sobre a informação  e me  dar a oportunidade de reconhecer que eu posso estar errado. Devido à minha fragilidade, tenho que checar tudo. Se acontece de eu errar, refaço rapidamente o post. Procuro sempre checar antes. Junto com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, afirma ele, lembrando uma frase tirada do filme “Homem Aranha”. Bem a cara dele.

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