Ninguém é ‘isentão’

Estudantes e jovens de projetos de origem popular disputam falas na plateia do Rio de Encontros / Foto: ESPM

Estudantes e jovens de projetos de origem popular disputam falas na plateia do Rio de Encontros / Foto: ESPM

Informação aliada ao humor seria outra tendência? É possível que o jornalismo volte a ser mais equilibrado é possível?, questionou Teresa Guilhon. “Eu nunca publiquei nada que eu não quisesse, isso é mesmo verdade? Como a gente não se corrompe? Sou jovem e estou iniciando, como resistir?”, disparou Camille Rodrigues. Já  Kamila Santos uniu  edição de conteúdo, legitimidade e maior alcance de público para questionar por que a favela não é notícia na grande mídia. Pedro Cruz foi assertivo e garante que faz parte de uma geração que a grande mídia ainda não conseguiu resolver como retratar. Elizabeth Toledo quis saber como ser imparcial num mundo em que você tem de  ter opinião sobre tudo? Leonardo Oliveira pôs o dedo na ferida: os grandes veículos não alcançam a favela. E atenção, todos, há no mundo digital espaço para a mídia impressa?

Ilana Strozenberg, diretora acadêmica d’O Instituto, apontou outra questão central: vamos acabar com o jornal já que todos somos jornalistas? “Hoje em dia não ser a favor do jornal empresa parece ser  um valor. Se o jornal pode influir sobre a sociedade, a sociedade também pode influir sobre o jornal. Não penso que  exista uma concentração de más intenções no jornalismo ou nos jornalistas”, ressalvou.

Segundo ela, evidenciar o modo de produção da informação pode ser a chave da imparcialidade. “A imprensa empresarial omite muito mais do que a imprensa tradicional, que era porta-voz assumido de posições políticas e ideológicas. A narrativa será sempre parcial. Receio que comecemos, sem perceber, a ficarmos  numa dicotomia, que vê a mentira como existindo de um só lado. Isso é perigoso para a democracia”, completou.

Aos provocadores e suas ponderações

Rafucko – Práticas jornalisticas todos nós temos de ter. Sobre os robôs, é uma questão que merece um debate, porque é grave. Robôs são perfis falsos. Em relação à busca da representatividade, os sites de comunicação alternativa, que falam de dentro são importantíssimos. Você tem de ver quem são os jornalistas que estão na redação do Globo, quantos deles são da favela. Ter opinião? Não tem de ter. Recebo muitos pedidos de opinião e me permito não ter opinião sobre muitas coisas. A gente tem de dar uns passos para trás e ter um tempo para pensar. A gente tem de se permitir não entrar no fluxo de loucura, de compartilhamento de absurdos, uma corrente que dá muita chance de errar. Permita-se não ter opinião. Limite para o humor? O humor não tem limite, mas tem um momento em que ele não provoca o riso. Você pode fazer piada de tudo, desde que não ofenda, não agrida.

Cristina Tardáguila – O diálogo na rede social funciona à base de algoritmo. A informação da timeline de cada um é diferente, você recebe apenas 2% de tudo o que os seus amigos postam. Todos estão repercutindo a mesma notícia? Não. A sua banca de jornal que é o seu facebook tem uma interação que você não controla. Existe o link patrocinado, que impulsiona a informação, ou seja, você bota dinheiro para influenciar o algoritmo. O problema é quando isso é feito de forma escusa. Se você tiver um milhão de dólares para pagar, a sua noticia será a primeira, seja verdadeira ou falsa. Ah, apaguei rápido para ninguém ver? Ô, não deleta, diz aí, acusa o golpe. Reconhecer o erro é legal e é bonito.  Sobre o jornalismo dentro de um redação, se você ceder uma vez será obrigado a ceder sempre. E sobre representatividade, todo mundo briga contra o PIG, mas todo mundo quer ser PIG. A revolta, portanto, tem de ser canalizada para uma ação. Quando não confio, dou mais de uma fonte oficial. Sou isentão, não posso não ser. Não compartilhe. Ser checador exige ser isentão ao extremo. Tanto que não aceitamos publicidade oficial do Estado. Eu podia abraçar o diabo e fazer checagem para partido político, mas, não, não. Ah, mídia impressa? Morreu.

Cristiane Costa (em pé) discorre sobre jornalismo em tempos de redes sociais / Foto: ESPM

Cristiane Costa (em pé) discorre sobre jornalismo em tempos de redes sociais / Foto: ESPM

Cristiane Costa – Leiam o livro A Hora da Geracao Digital (de Don Tapscott, AGIR), sobre essa geração que não paga por informação e para quem o dia seguinte é longe demais. É por isso a gente não lê mais. O desafio? O grande tema, o Santo Graal é contagem. Epidemia, viralização e contágio são os termos da vez. E, nessa guerra de narrativas, robôs falsos são programados obter engajamento. O jornalismo perdeu seu papel de legitimador do discurso, mas a publicidade também. A gente quer saber o que as outras pessoas acham. Dois anos atrás, o facebook revelou um teste de notícias positivas e negativas, com o qual os psicólogos poderiam perder seus registros, porque existe uma ética para estudos com humanos. O poder aí é muito maior que o da imprensa. Se tem uma coisa que é o futuro é a cartografia de controvérsias e a ideia de contágio.

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