Check, check, check

Cristina Tardáguila: "Eu quero informação de qualidade para todo mundo” / Foto: ESPM

Cristina Tardáguila: “Eu quero informação de qualidade para todo mundo” / Foto: ESPM

Cristina Tardáguila deu uma guinada na sua carreira. Formada em jornalismo pela UFRJ e pós-graduada pela Universidad Rey Juan Carlos, escreveu o livro “A Arte do Descaso” (Intrínseca) e cursa MBA em marketing digital na FGV. Com passagens pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo e pela revista piauí, fundou, em novembro de 2015, a Lupa, primeira agência brasileira de fact checking. Desde então, tornou-se especialista em checar o grau de veracidade das informações que circulam pelo país. Uma empreitada num novo viés no campo do jornalismo que começou, literalmente, com uma viagem.

Tardáguila descobriu a importância e a falta que faz a checagem de informações durante uma viagem à Colômbia, em 2013. “Eu era uma jornalista do PIG, e fui conhecer o espaço do Gabriel García Marquez, que estava premiando projetos de inovação”, conta. Lá, ela conheceu a iniciativa que iria mudar alguns de seus conceitos sobre o exercício da profissão: o premiado  site argentino Chequeado.com que, como a Lupa hoje, integra um grupo internacional de fact checkers que se reúne anualmente em torno do Poynter Institute, nos EUA.

A empolgação com o trabalho dos colegas do país vizinho é tamanha, que ela fez questão de exibir o vídeo que resume bem o trabalho que a inspirou.

Do blog  Preto no Branco, criado no jornal O Globo para acompanhar as eleições presidenciais de 2014 no Brasil, ela seguiu, no ano seguinte, para o seu projeto solo. “Checar discurso político durante eleições? Os argentinos estavam fazendo isso em muitas outras áreas”, ela constatou então.  “Quantas vezes nós todos tomamos decisões com base em informações sobre as quais não temos certeza? Por que culpamos a imprensa? Por que não corremos atrás? Eu quero informação de qualidade para todo mundo”, afirma Tardáguila sobre a importância do trabalho que desenvolve e que já está articulado com mais de 80 iniciativas semelhantes em vários países.

Criada para ter contas e receitas próprias, a Lupa é uma agência cujo modelo de negócio prevê a venda de seu conteúdo para outros veículos. O investimento inicial veio do fundador da revista piauí, que é  proprietária  do portal onde está incubada a Lupa. Já acreditando que a agência cresce a passos largos, Cristina conta que  a empresa firma parcerias para consolidar seu lugar. Assim, para a cobertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, recorreu à ONG Transparência Brasil, para checar quem eram  os autores dos discursos. “Ali, interessava saber de todos os deputados e senadores que votaram pelo impeachment, quantas ocorrências judiciais cada um tinha”, explicou Tardáguila. O alcance do twitaço com essas informações,  promovido durante a votação na Câmara dos Deputados, chegou a três milhões de pessoas. Repetida a estratégia durante o embate no Senado, mais 1,7 milhão de pessoas foram atingidas.

“”As pessoas querem informação de qualidade. Querem a coluna do meio. E também  querem saber qual a propriedade de um orador. É muito fácil falar de política no Brasil, porque fala-se muito e erra-se demais”, afirmou a jornalista.

Outro bom exemplo de checagem devidamente respaldada pela equipe da Lupa foi a do tipo de critério usado para a escolha das cidades brasileiras que vão receber a tocha olímpica.

Decidimos descobrir como foram escolhidas as cidades. Nós fomos atrás. E constatamos, a partir do IDHM de cada um dos 329 municípios, que a tocha percorrerá um  Brasil muito mais desenvolvido do que o que o país realmente é”, contou Cristina Tardáguila, afirmando  que assumiu o compromisso de tornar “mais cara” a mentira, para elevar o nível  do debate.

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