Vamos reinventar os modelos?

Os conselhos municipais e federais têm participação da sociedade civil, mas emperram na falta de representatividade, lembrou  Letícia Brito, que experimentou o diálogo no Conselho Nacional da Juventude. Afinal, como ter uma população que participe das decisões políticas, questionou a estudante. Carlos Roberto Gonçalves quis saber, afinal, como fazer reforma política no Brasil. Seria viável usar todas as plataformas para criar uma outra maior e única?  E por que não existe controle do que o prefeito faz? O inquieto Edgar Siqueira afirmou querer participar, mas ter dificuldade, pediu eventos presenciais, além das redes. No bate e volta, o diálogo seguiu.

“Que pressões e problemas vocês das plataformas enfrentam?”, Davi Marcos

Fabro Steibel – Quando você abre a porta para todo mundo entrar, a primeira que entra é que te odeia, que diz ‘eu discordo’. Se você estabelecer o diálogo com o ‘hater’, o debate se torna muito positivo. Você evolui do ‘vou te matar’ para o diálogo.

José Miguel González Casanova – Estou buscando reunir produção e consumo. Somos donos do banco e quebramos a fronteira entre produção e consumo. Artes, pedagogia e produção cultural contra um jeito hegemônico de viver.

“A gente tem de pensar juntos sobre os procedimentos e o que mobiliza a mim. Cada um tem de saber o que sabe, porque a partir do momento que você entende, você não para. Não é doação quando me ofereço para fazer movimento de ocupação com meus alunos. Estou indo para uma troca. Quero entender o que os nutre. O que mobiliza vocês individualmente?”, Renata Codagan  

José Miguel González Casanova – Sou um artista e a arte não significa nada por si mesma, mas assume o significado dado por quem vê. Não é uma produção genial que você faz à parte do público. Acredito que o processo artístico é o diálogo com o público. Como psicopedagogo, o processo educativo é aquele em que todos estão gerando conhecimento, não é vertical. Acredito na construção coletiva de conhecimento.

Rafael Rezende – O que me mobiliza é conhecer novas pessoas e novos lugares, mais pessoas com experiências diferentes com as quais vou aprender muito.

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José González dialogando com a plateia / Foto: Thiago Brito

“Eu fico enlouquecida compartilhando, curtindo, isso dá muito trabalho, a forma de representação e mobilização. E a gente tem de entender também que o tempo é outro. Os tempos da política são outros. Eles organizam enquanto a gente está distraído fazendo outras coisas. As redes criam ansiedade de solução que exige paciência. Esse momento é desafiador para a gente se manter mobilizado”, Ana Cláudia Souza

Fabro Steibel – Admiro um brasileiro que fez uma lâmpada que funciona à base de luz solar, ideia simples que foi multiplicada para zilhões de países. E é isso: uma ideia que seja simples o suficiente para fazer uma grande transformação. Fazer uma ideia que transforme. A instituição do Estado é hermética e feita para funcionar com poucos humanos. A lógica da rede social é para muitos humanos. Há uma evolução; estamos melhores do que quando os portugueses chegaram aqui. Pouco a pouco, com pequenos hacks, a gente tenta fazer um pedacinho funcionar melhor. Os outros regimes são piores que a democracia.

“Como discutir segurança pública em espaços que legitimam a violência da polícia?”, Aline Copelli

Rafael Rezende – A forma de discutir segurança em locais onde há apoio à violência é tentar ir para o diálogo, a conversa, a troca. O jovem se torna protagonista e passa por instrumentalização e ferramenta, compartilha o que é restrito. E como acolher novos códigos e formas de fazer política que vão além do padrão? Acolhendo códigos de territórios diferentes, estando abertos à diversidade.

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