Plataformas de mobilizaçāo e novos modelos de participação

Um tema guarda-chuva e muitas conversas derivadas. Assim será o Rio de Encontros em 2016. Em seu sétimo ano, o ciclo de debates propõe o desafio de pensar o futuro a partir das transformações provocadas pelas tecnologias da comunicação e a cultura das redes.

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Fabro Steibel: “É preciso engajar as pessoas, conectar setores diversos. A internet dá a riqueza de poder trazer outras vozes.” / Foto: Thiago Brito

Para começar, uma exposição sobre uma plataforma inovadora, o Mudamos, explicada por um dos seus idealizadores, Fabro Steibel, professor do mestrado em Economia Criativa e da graduação da ESPM Rio, pesquisador independente da Parceria de Governo Aberto no Brasil e  diretor executivo do ITS Rio.

O princípio da plataforma é a construção democrática de soluções sobre temas relevantes para a coletividade a partir da reunião de segmentos diversos da sociedade. Pessoas que participaram, inclusive, da construção do Marco Civil da Internet, a lei que regula direitos e deveres na web brasileira. Um exemplo da força que tem a união de muitas mãos e mentes por uma causa comum.

Trocando o Mudamos em miúdos, trata-se de uma plataforma que pretende ser colaborativa e multisetorial. “Existem muitas forças polarizadas e antagônicas em todos os principais temas. O que a gente faz é criar uma ferramenta para que as pessoas possam conversar e chegar a um tipo de acordo”, explicou Steibel.

Afinal, como se dá o processo de elaboração de políticas públicas? “Do papel para a prática há uma estrada longa. Todos nós nos importamos. Mas quem nos convida para opinar? Existe algum canal de acesso? Nosso modelo de governo determina que representantes decidem lá dentro como as coisas devem ser. Só que um puxa para um lado e outro para o outro e ninguém avança naquilo. Como levar o método para larga escala? Como fazer centenas de milhares falarem como se fossem 30? E como fazer com que todas as vozes sejam ouvidas? Que tecnologia permite a participação para uma transformação social real?”, Fabro adiantou perguntas.

O primeiro ciclo de experimentos foi sobre reforma política. Antes que o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, dissesse “eu vou fazer uma reforma política”. “As eleições de 2014 foram um marco para o Mudamos. Os programas de todos os governos eram ruins. Era preciso pegar um outro tema. Veio a segurança pública e a PEC 51”, contou Fabro, que tem pós-doutorado em consultas públicas pela UFF,  sobre o início da empreitada.

Por que reformar a segurança pública? Ora, não faltam dados concretos para justificar a escolha do tema e mobilizar as pessoas. Só em 2014, por exemplo, o Brasil teve 60 mil homicídios em ações policiais. E como usar a internet para mudar a segurança pública? “O debate tem de ser informado. Alguém tem de fazer conteúdo. É preciso engajar as pessoas, conectar setores diversos. A internet dá a riqueza de poder trazer outras vozes”, resumiu ele.

Os resultados foram promissores. A campanha sobre a polícia obteve mais de  mais de 11 mil comentários de dois mil participantes, e conquistou 12 mil seguidores no Facebook, quatro mil usuários. Até o final de 2016, estará disponível um aplicativo em que o cidadão poderá assinar projetos de lei que serão encaminhados diretamente para os respectivos destinatários. Participar vai ficar bem mais fácil.

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