Rio de resistência para todos

Rafael Rezende atua em muitas frentes. Ativista, formado em comunicação pela UFRJ, o jovem estudante ingressou como voluntário da rede Meu Rio, e hoje é um dos mobilizadores que agitam causas pró-Rio a partir das redes. Com a palavra e muitos slides para exibir, coube a ele a tarefa de explicar para a plateia do Rio de Encontros o trabalho que se espalha pelo país e conquista novos territórios. Em 2014, a iniciativa ganhou o prêmio de Impacto Social Google Brasil, que garantiu a expansão para as atuais oito cidades onde atua além do Rio.

26112977734_def927b4df_o

Rafael Rezende: “A internet é uma ferramenta contra as forças que ameaçam a democracia, o ir e vir dos cidadãos.” / Foto: Thiago Brito

Ferramentas e interfaces online têm muitos usos. Para o Meu Rio, elas servem para produzir conteúdos transformadores e engajadores. Criada em 2011, o objetivo da iniciativa é aproximar o cidadão comum – e não envolvido com política – das decisões políticas da cidade. “Era o momento de surgimento dos grandes eventos, oportunidade ideal de alavancar a cidade. Nossa pergunta era para quem seriam as oportunidades que esses investimentos trariam”, contou Rafael sobre o início.

Se era difícil responder às muitas perguntas, o melhor mesmo era ampliar as origens dos interessados em aderir ao movimento. Assim, o Meu Rio reuniu especialistas em comunicação, design, políticas, programação e desenvolvimento de software para desenvolver metodologias que dessem conta de provocar engajamento.

A internet seria utilizada como forma de canalizar demandas. E vem sendo. O principal exemplo que a turma faz questão de alardear é a já conhecida Panela de Pressão, ferramenta inspirada em abaixo-assinados online, como o Avaaz. Só que, nesse caso, o email vai direto para a caixa de entrada do alvo da campanha.

“Assim fomos enchendo as caixas de mensagem dos políticos, que não podem mais se manter inacessíveis. A dinâmica foi mudando, as pessoas foram se apropriando dessa metodologia. No caso do impeachment, os dois lados, pró e contra, se apropriaram dessa ferramenta para fazer suas campanhas e abaixo-assinado”, realçou ele.

Canalizar demandas, conectar talentos, potencializar e viabilizar eventos e ações online e offline. O Meu Rio quer conquistar ainda mais territórios..

A escola que resiste

“Você pode disputar narrativas e criar contrapoder. Pega uma webcam e um computador e veja o poder que você tem”, Rafael dispara para contar o caso da Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã, ameaçada de demolição em 2012. Na época, com aval e produção do Meu Rio, uma vigília virtual fez com que duas mil pessoas acompanhassem o colégio, ao vivo, 24 horas por dia. Foi assim que o governo recuou da demolição.

No dia 24 de dezembro daquele ano, veio a garantia de que não haveria qualquer movimento durante as férias. “Esse foi o grande exemplo de criação de contrapoder. Em 2013, veio mais uma demonstração de força, que foi a população se armar com seu próprio celular para fazer vigilância social. A internet cria novas formas de Big Brother, mas é uma ferramenta contra as forças que ameaçam a democracia, o ir e vir dos cidadãos”, afirma Rafael.

Os resultados vão além. Até aqui, o Meu Rio já engajou 200 mil pessoas em suas campanhas. O desafio hoje, segundo Rafael, é criar, para além de uma rede, uma comunidade feita de pessoas. “Como a gente faz a organização online fortalecer a ação e o ativismo da sociedade?”, ele deixou a pergunta.

Anúncios