Mão na massa!

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Gabi conta suas experiências com criações coletivas. Fotos: Davi Marcos (Imagens do povo)

GABRIELA AGUSTINI fala sobre o Olabi, um lugar para pessoas comuns, criações coletivas e tecnologias diversas

Lugares de experimentação e compartilhamento do fazer. Essa é uma das definições do que são os maker spaces, que podem ter ferramentas de marcenaria, componentes tecnológicos, agulhas e linhas de tricô ou ser um espaço totalmente em branco, como explica Gabriela Agustini, professora em lugares como a Fundação Getúlio Vargas e Universidade Cândido Mendes, e há um ano está envolvida com o Olabi, em Botafogo, um desses makers spaces. “No fundo, não importa muito como é a infraestrutura. Esses espaços partem do principio de que o cidadão comum tem oportunidade de criar muita coisa a partir de coisas muito simples, que as pessoas podem fazer juntas, somando conhecimentos. Não é sobre as máquinas ou as ferramentas, mas sobre as pessoas em conjunto construindo coisas”, define.

O nome em inglês desses lugares, espaços de experimentação, onde é possível colocar a mão na massa, tem razão de ser: facilitar a conexão com outros espaços semelhantes, espalhados pelo mundo. “Existe uma potência muito grande nesse tipo de produção”, explica Gabi, que embarcou para o Egito logo depois da sessão do Rio de Encontros, para conhecer iniciativas semelhantes no país.

A África, aliás, é um continente que concentra algumas das inovações originadas de espaços como esses. “No Quênia, o sistema de pagamento por celular chegou antes do sistema bancário”, conta Gabi. Criatividade e precariedade são ingredientes para inovações. “Em alguns países, as pessoas ficaram livres para fazer a engenharia reversa. Como todo o lixo tecnológico vai para lá, a galera acessa e cria novos usos. E o componente do lixo é bastante central na nossa atuação, de transformar algo que já existe e criar algo novo em cima. Embora essas iniciativas fiquem invisíveis nas mídias, porque a gente tem mais informações do que vem dos Estados Unidos e da Europa, tem muita coisa produzida na África que tem muito a ver com os desafios como os nossos”, disse.

SEM MEDO DE CAIXAS PRETAS

IMG_0056O que se faz no Quênia e outros países do Hemisfério Sul é o que, no Brasil, ficou conhecido como “sevirismo”, ou “a arte de se virar”. “As tecnologias não são neutras. As funções embutem comportamentos culturais e ter a possibilidade de criar coisas é importante no mundo de hoje, quando o nível de homogeneidade de pensamento é pouco diverso”, explica Gabi.

A desconstrução de máquinas e a utilização de sucatas inspirou as criações dos participantes do Gambiarra Favela Tech, feito pelo Olabi, na Maré. “Trabalhamos a partir do lixo, mostrando que as tecnologias podem ser apropriadas para os mais diversos fins. No processo de aprendizagem, os jovens criaram peças a partir de questão que eles colocaram”, conta Gabi. Além das criações, ficou na Maré um maker space, o Bela Labe, que vai ter uma segunda edição, agora para as crianças. A ideia é conhecer os aparelhos por dentro e vê-los como algo que pode ser produzido e não apenas consumido. “Vamos perder o medo das caixas pretas”, conclama Gabi, organizadora, com Eliane Costa, do livro Debaixo para cima, que também trata deste tema.

SUSTENTABILIDADE

A multiplicação desses espaços de criação esbarra numa questão bastante prática: sustentabilidade. Esta foi, aliás, a primeira pergunta feita por Batman Zavareze a Gabi Agustini. “Essa é a parte mais difícil”, afirmou. “A gente tem Fundação Ford e outros apoios desse tipo, como a Open Society, além de aluguel de espaço e patrocínio. Mas são modelos frágeis. Não tenho resposta para isso. A gente tem momentos de abundância e profundo desespero. O que fazemos é gerenciar olhando pra frente. E a capacidade de se antecipar na busca de financiamento é determinante”.

Links:

Olabi: http://olabi.co/

Gambiarra Favela Tech: http://www.gambiarrafavelatech.org/

Debaixo pra cima: http://www.debaixoparacima.com.br/

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