Forte, frágil, multi

IMG_0117

Batmam Zavareze em conversa amistosa com plateia no último encontro de 2015. Foto: Davi Marcos (Imagens do povo)

Premiado, requisitado, admirado, BATMAN ZAVAREZE fala sobre suas habilidades e acredita que fazer redes seja a maior delas.

Curador do Festival Multiplicidade, Batman Zavareze traçou um panorama da própria carreira, desde a formação de designer, passando pela experiência nos primórdios da MTV, à temporada de estudos na italiana Fabrica, com Oliviero Toscani, até chegar ao momento atual em que ele se dá ao luxo de ter tempo para desenvolver os trabalhos para os quais é convidado – entre eles, por exemplo, o que realizou com Marisa Monte, na turnê de Verdade uma ilusão. “O que realmente me interessa é esse poder que a gente tira sei lá de onde para realizar as coisas”, resumiu ele, que costuma trabalhar com um número variável – mas sempre grande – de pessoas para colocar de pé suas ideias. “Eu tento fazer rede e acho que essa é minha grande habilidade”.

Entre os trabalhos apresentados por ele, o que mais emocionou a plateia foi uma instalação multimídia inspirada na experiência de enfrentamento da doença de sua esposa. “Teve esse momento pesado na vida. A pessoa que estrutura meu tripé para eu sair caminhando, começou ano passado com câncer de mama, que é super comum e você vai vendo que acontece com mais gente do que imaginava. E ela tomou uma decisão: ‘eu vou vencer. É inegociável’. Além de qualquer êxito profissional, eu tinha que estruturar o momento espiritual da gente. Documentei os momentos mais frágeis e mais fortes, gravando o som do coração dela”, contou. O resultado foi apresentado na exposição Força na Peruca. “Quando me chamaram, topei na hora, mas pedi para me ligarem em três meses porque não podia me desconcentrar. Pedi uma sala e pus a foto dela antes e depois, e a trilha sonora era esse som do coração. A Miriam agora está super bem, e deu uma aula pra gente sobre o que estava errado e precisávamos mudar”.

AO QUE VIRÁ

IMG_0288Parece que essas são ideias que estão sempre na cabeça de Batman. “Mesmo que num determinado trabalho o processo tenha sido difícil, quero colocar as coisas na minha mochila e ter orgulho das relações que fiz ali”, diz. A tal mochila nas costas tem sentido figurado e literal: nela também costuma estar o laptop onde rodam os softwares sofisticados que ajuda a criar, ao lançar desafios para engenheiros, designer e outros criadores. Normalmente, shows e eventos que têm recursos para bancar grandes estruturas são oportunidades para desenvolver as inovações, que podem ser reaproveitadas em outras ocasiões.

Batman vive criando espaços para inovações. O mais longevo deles é o Multiplicidade, festival de múltiplas artes, que completou 10 anos em 2015. Realizado no Oi Futuro e no Parque Lage, o festival reúne artistas de várias linguagens, do mundo todo – e, na equipe, gente que vem de todos os lugares também. “O Multiplicidade investiga diálogos da arte com a tecnologia no sentido mais amplo possível”, explica Batman que batizou a edição deste ano como Festival Multiplicidade 2025. “Há um tempo, numa conversa, o Tom Zé falou pra mim: não deixe para fazer retrospectiva quando fizer 10 anos. Faz dois anos de retrospectiva e quando o Festival fizer 10 anos faça sua antevisão. Foi o que fizemos. Esse ano a gente fez esse exercício libertador para se projetar em 10 anos. A gente inventou um manifesto que serve para o festival e qualquer coisa na vida, que tem que envolver compartilhamento, honestidade, amor”.

Realizado no Oi Futuro e no Parque Lage, o festival reúne artistas do mundo todo – e, na equipe, gente que vem de todos os lugares também. “Tem um momento que é festa, mas a gente aglutina e tenta fazer o máximo de troca possível, focada em celebrações, discussões. É uma plataforma de troca artística e cultural”, frisa ele, que, quando começou, percebeu que tinha que aprender sobre leis de financiamento se quisesse levar sua ideia adiante. “Se eu tiver que aprender, não tenho medo, não”. Isso ele aplica a tudo.

E foi também o conselho de Batman Zavareze à plateia. Inventor do próprio caminho, Batman se mostra aberto a fazer junto, criar conexões, aprender e compartilhar conhecimento, com quem tiver talento e disposição, juntando gente dos mais diferentes lugares e estratos sociais. Silvia Ramos, conselheira do Rio de Encontros, quis saber se ele estabelecia algum tipo de cota social para escolher a equipe de trabalho. “Não trabalho com cotas, mas com esse olhar para quem quer agarrar as oportunidades. Sigo minha intuição. Às vezes a gente acha pedras que obviamente tem que ser lapidadas, e que são super valiosas”, disse ele, também envolvido com duas escolas de arte e tecnologia voltadas para jovens de bairros e comunidades populares: a Oi Kabum e a Spetaculu. “Quando terminei o curso na Itália com o Toscani e estava voltando para o Brasil, ele me disse: ‘não se engane. Em terra de cego, quem tem um olho é caolho’. Ou seja, eu não podia voltar me sentindo o rei, porque tinha estudado fora. Eu tinha que aplicar o que aprendi e estudar mais, sempre. E sempre me junto com pessoas que têm essa paixão”.

Links

Festival Multiplicidade: http://www.multiplicidade.com/site/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s