O Rio de imagens: fotografia e narrativas da cidade

Uma conversa sobre representação visual, estereótipos e novos narradores da linguagem fotográfica Cidade cartão-postal, o Rio de Janeiro está acostumado a ter sua imagem propagada por todos os cantos, de todos os ângulos. Todos? Que imagens se produzem e se propagam da cidade? Que narrativas são construídas a partir das imagens feitas da cidade e seu morador? E a formação dos fotógrafos, cada vez com mais acesso aos equipamentos digitais de produção e compartilhamento de imagens? Foram muitas as questões levantadas ao longo da quinta edição do ano do Rio de Encontros – a penúltima de 2015 – que reuniu no auditório da ESPM, no Centro do Rio, Pedro Vazquez, fotógrafo, pesquisador e escritor, Maurício Hora, fotógrafo, e Ana Maria Mauad, historiadora, numa conversa mediada pela fotógrafa Kita Pedroza.

Como lembrou Kita Pedroza, é oportuno discutir a representação do Rio de Janeiro em 2015, “ano que separa a realização de dois eventos mundiais, que trouxeram uma ambição dos realizadores de tornar o Rio uma cidade global”. “A imagem do Rio tem sido fundamental na política de imagem da cidade”, ressaltou, lembrando que os preparativos para os dois eventos – Copa do Mundo e Jogos Olímpicos – “têm trazido transformações urbanas sem precedentes na vida da cidade”. Não sem motivo, o FotoRio, maior festival de fotografia do Brasil, realizado nos anos ímpares, teve pela primeira vez na sua história um tema único, o Rio de Janeiro, no ano em que se comemoram os 450 anos da cidade. Uma das exposições que fez parte do calendário do Festival foi Ser Carioca, que teve curadoria de Pedro Vazquez, um dos três provocadores convidados. “Pensar a fotografia como narrativa é pensa-la também como texto”, disse Kita, citando ainda um texto de Ana Maria Mauad, que estabelece a fotografia como “uma leitura do real”. “A fotografia é uma linguagem e, portanto, uma possibilidade de voz, uma expressão da existência a partir da visualidade”, formulou. Fazendo um rápido histórico da fotografia no Rio de Janeiro – “1840 é quando a fotografia inaugura sua contribuição para a cidade” – Kita centrou atenção na forma como a população dos espaços populares é (ou vem sendo) representada na fotografia, especialmente através dos meios de comunicação. “Na imprensa, a população tem sido representada por apenas uma parte das características existente nesses lugares. Na maioria dos casos, a imprensa, muito importante na questão de representação da cidade, dá relevo às questões da violência”, pontuou.

O panorama começa a mudar no século 21, início dos anos 2000, quando acontece “a grande revolução nas comunicações que é a internet”. “Surgem vários coletivos e mídias comunitárias, e esses grupos vão reivindicar a criação de uma autoimagem, e vão começar a produzir imagens e narrativas sobre si”, lembrou Kita, ela mesma ativa participante deste movimento: foi a ela a primeira coordenadora da Escola de Fotógrafos Populares Imagens do Povo, criada no Observatório de Favelas, na Maré, e responsável pela formação de vários fotógrafos emergentes da cidade.

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