Debate “Rio de imagens: fotografia e narrativas da cidade” em frases

Privacidade, ética, transformação social, educação do olhar foram alguns dos temas levantados no debate que se seguiu à apresentação dos provocadores da sexta edição do Rio de Encontros, com o tema “O Rio de imagens: fotografia e narrativas da cidade”. Confira a seguir algumas frases e ideias debatidas no auditório da ESPM pela plateia, composta pela Turma Rio de Encontros, alunos e professores da ESPM, da Universidade das Quebradas e vários convidados especiais. .

A POTÊNCIA DA FOTOGRAFIA

Quem trabalha com fotografia não pode perder a dimensão social. A imagem traça uma biografia, uma trajetória” – Ana Maria Mauad

Quando você descobriu a potência da fotografia e se percebeu como fotógrafo, com esse poder nas mãos?” – Manaíra Carneiro

Ainda não descobri minha potência. Eu não consigo vender foto a 10 mil euros. Acho que tenho que entrar para a escola de arte” – Maurício Hora

Quando troca a arma de brinquedo por máquina fotográfica, que faz o mesmo barulho, você faz um trabalho poético e político” – Pedro Vazquez

Policiais e bandidos estão em lados opostos e tem coisa em comum: ninguém gosta de câmera. Você deve ter influenciado crianças a não entrar no tráfico. Mas já conseguiu resgatar alguém?” – Yuri Henderson

Uma questão para se pensar é como ser fotógrafo na favela e exercer um papel transformador, onde o morador possa se espelhar e se identificar na sua fotografia” – Leonardo Oliveira

A gente precisa saber como despertar uma criança de oito anos que queira estar na fotografia como agente transformador, aprendendo que a fotografia se faz com responsabilidade” – Bruna Rios

OLHAR ESTRANGEIRO

Sobre a importância presença dos fotógrafos estrangeiros no Brasil e a ideia de que a fotografia do Brasil é a feita por brasileiros, como começou a acontecer posteriormente, não há algum tipo de sensibilidade daquele que vem de fora, que vê coisas que a gente que é dentro não enxerga da mesma maneira?.” – Ilana Strozenberg

O fotógrafo sempre ganha quando vai a um território desconhecido. Os fotógrafos querem sempre sair para fora porque o olhar está mais puro” – Pedro Vazquez

Não é porque eu fui criado em comunidade que eu posso entrar em qualquer favela e fotografar. Existe favela em que eu não posso entrar. Eu continuo sendo o estranho. Por que eu fui criado na favela vou entrar e ter um olhar diferente? Não. Vou ter um olhar diferente porque eu sou diferente, não sou dali, não conheço nada. Quando a gente é do local a gente acaba se acostumando” – Mauricio Hora

A gente vai ser sempre estrangeiro de algum lugar e de dentro em outros” – Kita Pedroza

Tive recentemente uma experiência interessante na Jamaica. Estive num lugar para discutir violência e vendo o caos que é aquilo, disse que eu achava que eles tinham que olhar a situação porque eles iam entrar numa guerra em pouco tempo. Que nada! Já tinha passado a guerra e eu não tinha visto. Vendo as áreas de tiroteio, eu comentava com as pessoas: isso vai ser o caos daqui a pouco. E eles já tinham passado pelo caos, que foi em 2013. Eu não sou de lá. É outra realidade” – Mauricio Hora

A FOTOGRAFIA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Seu trabalho trouxe uma série de mudanças e melhorias para a região da Providência. Você já pensava em trazer benefícios no início, quando começou a fotografar, ou foi mais uma consequência do seu trabalho?” – Luiz Souza

Até hoje, sei que esse trabalho (para a Providência) não significa nada, mas eu tenho que fazer, porque é a forma de transformar” – Maurício Hora

Questões de ordem ética ultrapassam o fato de você estar portando ou não uma câmera. É uma posição que te coloca como sujeito que tem determinados princípios. Celular tem poder de fogo. Somos sujeitos éticos, o que significa comprometimento com sua ação, e os resultados da sua ação” – Ana Maria Mauad

Apesar da prática vista ali (sobre PMs flagrados num vídeo alterando uma cena de crime), esses policiais são novos, não são de Batalhão. Se fossem, provavelmente, essas pessoas (que filmaram) provavelmente já teriam sofrido uma retaliação. Elas saíram de casa, a imagem delas não foi divulgada, mas é muito fácil identificar de onde foi filmado. Por coincidência é no mesmo lugar em que outra vez os policiais foram filmados pegando dinheiro e que, na defesa, eles alegaram que estavam trocando dinheiro. Ou seja, isso é comum pra gente. Só que agora apareceu” – Mauricio Hora

TERRITÓRIO DA IMAGEM

Depois da UPP, para quem é de fora, ficou mais fácil entrar. Quem é de dentro sabe que tem regras. Eu não sei com quem falar antes de fotografar. Não fotografo mais com tripé, nem à noite” – Maurício Hora

O que o olhar de um fotógrafo da periferia pode trazer? Ele consegue sair do seu espaço e mostrar a cidade com outro olhar?” – Teresa Guilhon

Antes, o fotógrafo sempre tinha origem na classe média ou alta. A gente tem até uma casta de fotógrafos. O equipamento era muito caro. Hoje é muito barato comparado com antigamente. Essa é a grande virada dos fotógrafos populares. Hoje a produção cultural mais importante do Rio de Janeiro está vindo da favela” – Pedro Vazquez

MAR DE IMAGENS

A gente vivencia uma multiplicação exponencial de imagens, que se destacam no universo de imagens. O desafio hoje é não se anestesiar em torno das imagens desse mar de imagens” – Ana Maria Mauad

Me preocupa muito na internet o que é verdade e o que não é” – Denise Kosta

O digital traz de volta a questão da honestidade pessoal. Não tem como acreditar num jornal, num coletivo. Cada um vai procurar sua tribo e você vai reagir de acordo com aqueles ditames ali” – Pedro Vazquez

Quando a gente saía para fotografar, levava 10 filmes, 360 imagens. O que essa mudança cultural e conceitual que a fotografia digital vem trazer? Eram produzidas muito menos imagens que eram muito menos veiculadas. Hoje há essa enxurrada de imagens, e a grande preocupação nesse momento é a mudança que o excesso de imagens vem provocando. E o conceito também de ser fotografo também está se modificando. Queria ouvir a sensação de vocês em relação a isso” – Claudia Ferreira

Não é pelo fato de você fazer fotografia que você é fotógrafo. Na década de 30, o fotógrafo Lázló Moholy-Nagy disse, numa frase que ficou famosa, que o analfabeto do futuro seria aquele que não sabia fotografar. Nós vivemos o futuro do Moholy-Nagy” – Pedro Vazquez

Eu não desconsidero a mídia imediata. Todos são fotógrafos, sim. Agora, quando entra a parte técnica, aí o verdadeiro fotógrafo, mais tarimbado, vai poder executar o trabalho com certeza. Mas às vezes eu saio para fazer coisas com um equipamento muito bom e vai lá um cara com um equipamento muito ruim e faz melhor do que eu. É frustrante. Mas são tantos na rua que acontece. Isso não me assusta. Assustou no início” – Mauricio Hora

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