Utopias da cidade maravilhosa

Desafios e desejos para o Rio de Janeiro aquecem debate do Rio de Encontros

É possível ter utopias quando se é “a” Cidade Maravilhosa? Até onde vai o perímetro real desse lugar de imagem simbólica tão forte? Como enfrentar a realidade de contornos mais amplos? Desafiador, o tema do 4º Rio de Encontros, “Utopias da Cidade Maravilhosa”, pôs lado a lado diferentes visões sobre o papel da utopia na vida do Rio de Janeiro e seus moradores. Em três horas de conversa, no auditório da ESPM, no Centro, os provocadores e a plateia trocaram ideias sobre o tema, ampliando o debate mediado pela jornalista Anabela Paiva para tópicos como mobilidade urbana, investimento em novas centralidades, saneamento básico, história, violência… Não é fácil ser utópico – mas, às vezes, é muito necessário.

Oras discordantes, e por vezes complementares, as visões do arquiteto e urbanista Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio de Patrimônio da Humanidade, e do sociólogo Marcelo Burgos, professor da PUC-Rio, ampliaram as discussões sobre a cidade possível e a desejável – sem todas elas desafiadoras para gestores, pensadores e moradores da cidade. As transformações por que passa o Rio foram o ponto mais sensível do debate. “Se o mundo popular não se aproveitar do mundo para ter voz, vai ter seu espaço reduzido ao Parque Madureira”, alertou Burgos, trazendo para a discussão questões sobre democratização de acesso à cidade, mobilidade, transporte de massa e outros mecanismos de circulação, menos excludentes. Burgos também criticou a pouca transparência das ações da prefeitura sobre as obras da cidade, que têm causado inúmeros transtornos ao morador, sem que se saiba ao certo todos os planos colocados em ação – bem como seus interesses. “A obra da Perimetral é de uma fúria assustadora. E é impressionante o quanto aquilo, de alguma maneira, enlouqueceu a cidade”, observou Burgos, para quem o Instituto Pereira Passos – IPP perdeu relevância na produção de dados e informações sobre a cidade. “Lutar por direito à cidade é também lutar por direito à informação”.

Leia mais sobre a participação de Marcelo Burgos

O que você chama de fúria eu chamo de vontade aguerrida. Tenho absoluta convicção de que a decisão de derrubar a Perimetral é correta e a visão da prefeitura é explícita. Todo mundo sabe que a gente tem metas e resultados. Concordo que as estruturas de planejamento estão fragilizadas, mas a gente precisa falar sobre isso. As respostas são todas embaralhadas”, opinou Fajardo, tratando também das dificuldades do município em lidar com questões metropolitanas, para além dos limites de cada prefeitura. Fajardo também apontou que na discussão sobre cidade há um “debate equivocado na dialética popular e elite, que não resolve problemas”. “Como se produz qualidade para o serviço público? Com gestão”, resumiu.

Leia mais sobre a participação de Washington Fajardo

O debate também contou com a designer e historiadora Isabella Perrotta, que há alguns anos se dedica a estudar as formas de representação da cidade.

Leia mais sobre a participação de Isabella Perrotta

Atenta, a plateia formada pela Turma Rio de Encontros, Universidade das Quebradas, alunos da ESPM e convidados incrementou o debate, apresentando questões da realidade da cidade e levantando novas utopias possíveis.

Entre os temas, muito se discutiu sobre mobilidade urbana, especialmente as obras do VLT, que vão atender parte da cidade, retomando uma malha já percorrida pelos bondes que, no passado, conectavam o Rio de Janeiro de forma muito mais eficiente. “O VLT é um modelo de transporte que para ser feito tirou milhares de pessoas de suas casas, e leva daqui para ali”, questionou Igor Soares, sobre o novo meio de transporte na cidade, que de alguma forma retoma o caminho do bonde, que, como lembrou Fajardo, em 1966 tinha, ligava Madureira ao Jardim Botânico, através de 400 km de trilhos. “A gente abandonou esse tipo de mobilidade, porque a gente depreciou o que tinha”, pontuou Fajardo, que, em sua fala, insistiu em valorizar o que funciona na cidade, em vez de buscar soluções ideais, e nem sempre eficientes.

Leia algumas frases do debate aqui

O próximo encontro será dia 24 de setembro, a partir de 14h, no auditório da ESPM, com o tema “A favela no imaginário carioca”. Uma iniciativa d’O Instituto, com patrocínio da ESPM, o Rio de Encontros é realizado em parceria com CeSEC e Universidade das Quebradas, e apoio da Agência de Redes para a Juventude, site Vozerio e Casa Fluminense.

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