Debate “UTOPIAS DA CIDADE MARAVILHOSA” em frases

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Manter uma certa utopia e lidar com realidade são desafios que exigem grande esforço de quem pensa, vive e deseja sempre dias melhores para o Rio de Janeiro. Com o tema “Utopias da Cidade Maravilhosa”, o Rio de Encontros instigou várias reflexões na plateia, que durante três horas discutiu o assunto com os provocadores, o arquiteto e urbanista Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, o sociólogo Marcelo Burgos e a designer e historiadora Isabela Perrota, na tarde de 27 de agosto, no auditório da ESPM. As frases a seguir dão uma pequena ideia de como foi fértil o encontro. A cobertura completa estará disponível aqui no blog em muito breve.


A UTOPIA

A cidade do Rio totalmente integrada em bairros e regiões é uma utopia?” – Leonardo Oliveira, parceiro do RJ.

A boa utopia é de uma cidade que seja mais plural” – Marcelo Burgos, sociólogo (PUC-RJ)

Necessitamos de utopias, de um projeto, de um sonho de onde a gente quer chegar. Estranho que em nenhum momento dessa conversa tenha se falado das forças que estão moldando o Rio de Janeiro, os grandes interesses que abandonam a ideia de cidade que nós queremos e prezamos tanto, que tem patrimônio maravilhoso e que está se perdendo aos poucos, com verdadeiros atentados urbanísticos que estão acontecendo” – Claudius Ceccon, arquiteto e conselheiro do Rio de encontros

A gente precisa de boas práticas, sistematizadas e documentadas, e não de coisas utópicas” – Washington Fajardo, assessor especial para assuntos urbanos da prefeitura do Rio de Janeiro.

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O RIO EM TRÊS TEMPOS: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Como a gente pensa na cidade maravilhosa do futuro? No debate do mês passado, a gente aprendeu que os rios estão todos mal cuidados. Quando a gente vai começar a depreciar o VLT, o BRT, e voltar a asfaltar tudo de novo? Como pensar no futuro das bikes, se quase não tem calçada para o pedestre andar?” – Marcão Baixada, rapper

Nesse pensamento da cidade do futuro, todas as obras têm o objetivo de trazer pessoas para o centro. E como estão sendo os projetos habitacionais para essa região?” – Rodrigo Miguez, comunicação ESPM-RJ

O conceito de cidade maravilhosa e dos cariocas como seres especiais parece que são irmãos. A persistência dessa imagem tem a ver com o fato de o Rio de Janeiro ter perdido o poder politico, ao deixar de ser capital? E como isso impactou a cidade como núcleo de uma metrópole?” – Anabela Paiva, mediadora

O Centro do Rio é o Centro do Brasil. Tiradentes foi preso ali, esquartejado lá, Dom Pedro promulgou a constituição aqui, o Cais do Valongo fica ali… A gente precisa desse lugar histórico. E também precisa de uma cidade polinucleada” – Washington Fajardo

Para quem é a cidade? Para o turista ou o morador? Santa Teresa, por exemplo, perdeu todas as padarias, que deram lugar a bares, restaurantes e outros serviços para o turista. Na prefeitura, há alguém pensando nisso? Há como administrar essa dualidade?” – Julia Michaels, jornalista

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A IMAGEM DO RIO

A prefeitura considera a favela como patrimônio da cidade? É um ambiente multirracial, multirregional, muito multi, com uma história de 450 anos de pura segregação” – Igor Soares, estudante de comunicação

A paisagem é um ícone da cidade e a gente tem percebido que a favela também tem se tornado um. Que sentido isto teria?” – Ilana Strozenberg, antropóloga (UFRJ)

De duas décadas para cá, a ‘turistificação’ da favela contribuiu para a patrimonialização dela também. E o que é o interesse turístico? O que é diferente. Por que o Rio fez tanto sucesso no século 19? Porque era muito diferente!” – Isabela Perrota, Designer (ESPM-RJ)

O Pão de Açúcar me pertence. Não preciso pagar para gostar. Sou carioca orgulhosa, que passa todo dia no Aterro e acha lindo!” – Denise Kosta, Universidade das quebradas.

O Rio é bonito mesmo. Esse é um valor que mesmo num território desigual a gente compartilha. Ainda é imperfeito, mas esse é um estímulo pra gente” – Washington Fajardo

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A Cidade Maravilhosa ajuda ou atrapalha nos movimentos de redução simbólica das diferenças? Como a cidade convive consigo mesma e suas tragédias?. No fundo, penso que é bom que todo mundo se sinta na mesma cidade – a Cidade Maravilhosa. E tem horas que acho que não, É uma desproporção abissal das tragédias que ocorrem em certos pontos da cidade e a reação que provocam. O Rio continua lindo, injusto, desigual, cruel, racista, preconceituoso” – Silvia Ramos, cientista social, Cesec.

Favela é patrimônio? Essa é uma pergunta fundamental. É um patrimônio afetivo, que reconhecemos hoje nos territórios informais. Mas a gente não pode ocultar os problemas e enfrentamentos que precisamos ter nos assentamentos informais. Precisamos colocar isso na ordem dos projetos urbanos” – Washington Fajardo.

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