Rio de Janeiro: a cidade e suas águas

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“O Brasil tem 56,5 milhões de casas. 85% delas têm cano de água potável chegando. Dessas, 48,9% têm cano de esgoto saindo. Em nenhum país minimamente decente tem esse número menor que 95%. Peru, Paraguai, Argentina, Colômbia, todos os países da América do Sul são melhores que o Brasil, que é mais rico. Ou seja: isso não é falta de riqueza, mas de vergonha”. A afirmação do engenheiro civil Paulo Canedo, professor da Coppe/UFRJ, especialista em hidrologia, foi feita no terceiro Rio de Encontros do ano, que teve como tema “Rio de Janeiro: a cidade e suas águas”.

Os índices apresentados por Paulo Canedo, que fez um histórico sobre o abastecimento de água na cidade, traduziram em números os problemas que muitos conhecem na prática. “No Borel, todos os canos passam por valas e valões. Não preciso ser sanitarista ou engenheiro para entender que isso é um absurdo. Já teve caso de hepatite por causa de água misturada com esgoto”, disse Igor de Souza Soares, integrante da Turma Rio de Encontros, no debate que se seguiu à apresentação de Paulo Canedo e do arquiteto Pedro Rivera, os dois provocadores desta edição.

Leia mais sobre a participação de Paulo Canedo

Rio_de_Encontros-5Traço marcante do Rio, a paisagem também não ficou de fora da conversa, mediada por Ilana Strozenberg. “Nossa cidade é construída em cima das águas, como se vê no mapa sobre a evolução dos aterros. A geografia do Rio é muito produzida numa história de embates do homem com a natureza”, pontuou Pedro Rivera, historiando a sucessão de desmontes de morros e aterros, que alteraram enormemente a conformação da cidade. “Quando a gente vê o mapa dos morros, lagoas e aterros do Rio, é muito fácil entender porque a gente sofre dos males que sofre”, analisou Pedro, enquanto apresentava imagens dos séculos 18, 19 e 20, em que é possível observar as alterações na paisagem e no modo de vida da cidade, até chegar ao que conhecemos hoje. “Para mim, o arquiteto mais importante da cidade é um paisagista, o Burle Marx, que desenhou nossa orla, projeto de um homem que conseguiu ter uma excelência tão grande como a natureza”, destacou.

Leia mais sobre a participação de Pedro Rivera

Realizado excepcionalmente no Studio X – este ano, as edições estão sediadas na
ESPM, no Centro – o encontro lotou o auditório, com participantes que integram a Turma Rio de Encontros, alunos da ESPM, da Universidade das Quebradas, e público em geral, interessado no assunto. Como sempre, a plateia mostrou-se afiada, curiosa, bem informada e disposta para o debate.

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De onde vem a água que o morador da região metropolitana bebe? E quando se aperta a descarga do vaso sanitário, para onde vai aquela água? Por que os rios são tão pouco utilizados para navegação e transporte entre os municípios e a capital? É possível reutilizar água da chuva? Caixas d’água só existem no Brasil? Esses são exemplos de alguns tópicos discutidos entre provocadores e plateia – veja mais frases do debate aqui.

O próximo Rio de Encontros será dia 27 de agosto, a partir de 14h, no auditório da ESPM, com o tema “Utopias da “Cidade Maravilhosa”: urbanismo e patrimônio natural”. Acompanhe as novidades pelo blog e nossa página no Facebook.

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