Vagner Fernandes: uma Arena aberta para a tradição e a novidade

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Madureira foi o primeiro subúrbio do Rio de Janeiro a ter um teatro, fundado pela atriz Zaquia Jorge, conhecida como a Vedete do Subúrbio e imortalizada no samba “Madureira chorou”. Sede de duas importantes escolas de samba – Portela e Império Serrano –, o bairro é berço de grandes compositores brasileiros, lugar de enorme riqueza musical e onde se lançam várias modas e se preservam muitas tradições – como o charme e o jongo, respectivamente, para citar apenas dois exemplos. Está lá uma das maiores intervenções urbanas da cidade – o Parque Madureira – e, dentro dele, a Arena Cultural Fernando Torres, administrada pelo jornalista Vagner Fernandes, um dos debates do Rio de Encontros, sobre os subúrbios cariocas.

Apesar de tanta personalidade e riqueza cultural, não é simples a tarefa de manter ativa e com a plateia sempre cheia a Arena Cultural Fernando Torres, que integra a rede de equipamentos culturais da Prefeitura do Rio de Janeiro. “Fazemos um trabalho de conscientização, sensibilização para que as pessoas possam se apropriar do equipamento cultural. Nossa ideia também é formar plateia através dos alunos da Rede Municipal de Ensino”, contou, explicando o pensamento que norteia ações desenvolvidas na Arena.

Da mesma forma, os marcos históricos da região de Madureira e bairros vizinhos muitas vezes não são conhecidos no restante da cidade. “Há um certo desconhecimento acerca das regiões do subúrbio. As pessoas não entendem muito o que é o subúrbio carioca”, acredita Vagner, para quem a ideia da “cidade partida se dá também no território do asfalto”.

O desejo pelo novo

Quebrar essas barreiras, apresentar novos olhares e fazer com que as pessoas que frequentam a Arena também se apropriem do espaço está entre as tarefas que Vagner se propôs. À plateia, explicou que a ideia na Arena é conhecer as demandas locais para fazer a programação do espaço, entendendo o que a comunidade deseja, sem, no entanto, deixar de arriscar. “Como diz uma música linda do Gilberto Gil, ‘Rep’, no disco ‘O sol de Oslo’, ‘o povo sabe o que quer, mas às vezes também quer o que não sabe’’’.

Foi assim que o espetáculo de abertura da Arena Fernando Torres até hoje é um momento marcante na história daquele espaço: convidada para fazer a programação inaugural, a atriz Fernanda Montenegro não se animou a apresentar por lá o espetáculo com o qual circulava na época, Viver sem Tempos Mortos, em que dava vida a Simone de Beauvoir. “Era o que eu queria, mas ela não. Ela me disse: ‘meu filho, não vim aqui para colonizar ninguém”, contou Vagner, lembrando de uma das conversas que teve com Fernandona.

A atriz se animou mesmo quando Vagner deu ideia de que ela lesse letras de músicas relacionadas a Madureira e seu entorno, compostas por nomes como Silas de Oliveira, Paulinho da Viola, Paulo da Portela – “para mim verdadeiros clássicos da literatura brasileira”, ressaltou. Para completar, o acompanhamento seria feito pelas velhas guardas da Portela e do Império Serrano. “Ela topou na hora!”.

As pontes do diálogo

Administrador de um espaço da rede municipal, Vagner, também fundador do bloco Timoneiros da Viola, ressaltou a abertura ao diálogo que vem ocorrendo com a Prefeitura do Rio, em várias direções. “É preciso reconhecer que houve um avanço grande da Prefeitura no diálogo das regiões Centro-Zona Sul e com os eixos periféricos da cidade”, disse. E completou: “o processo que tem ocorrido de diálogos entre a cidade pode apresentar soluções para que os hiatos sejam minimizados”.

Fazendo um histórico do surgimento das Lonas Culturais, que precederam as Arenas, Vagner lembrou que elas surgiram a partir da demanda de produtores locais, dando novo uso para as tendas utilizadas na época da ECO-92, que estavam se deteriorando no Riocentro. “O projeto das Lonas surgiu no seio das comunidades, e elas foram distribuídas por 10 bairros do Rio. Hoje, estão incorporadas à Rede Municipal de Teatro do Rio de Janeiro, e ganham R$ 25 mil por mês para manutenção”.

Para Vagner, o diálogo é fundamental para a construção de novas pontes na cidade. “Precisamos deixar de olhar para nossos umbigos e começar a perceber a cidade de uma forma muito mais generosa”.

Links que podem interessar:

Arena Carioca Fernando Torres: https://www.facebook.com/pages/Arena Carioca-Fernando-Torres/380556105368708

Timoneiros da Viola: http://www.timoneirosdaviola.com.br/

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