Antonio Edmilson: um passeio pela história dos subúrbios do Rio

Professor de História da PUC-Rio e da UERJ, o historiador Antonio Edmilson Martins – um dos provocadores do Rio de Encontros sobre os “Subúrbios cariocas ontem e hoje” – fez um passeio pelo Rio de Janeiro dos tempos imperiais aos dias atuais, tendo como eixo o subúrbio da cidade, que se deslocou ao longo da história. “No século 19, Copacabana já foi subúrbio”, disse, relembrando a época em que o Rio era dividido pelas freguesias urbanas e rurais, e, no meio, havia o subúrbio. “No Rio, tudo é por dentro”, disse, falando sobre a dificuldade de definição que cerca a categoria subúrbio, especialmente no Rio de Janeiro, ao comparar o uso do termo com a definição americana de subúrbio. “Parto do pressuposto da singularidade do Rio de Janeiro”, esclareceu.

Dentro dessas singularidades, Antonio Edmilson prefere trabalhar com a ideia de “sentido simbólico de pertencimento”, utilizando conceitos do teórico marroquino Hassan Zaoual. “Vamos incorporar a cidade pela diversidade e não pela unidade”, sugere. De acordo com o professor, “sítio simbólico de pertencimento é algo construído, e não uma coisa dada”. Daí a importância de os moradores contarem suas histórias da e na cidade. “A história pode ser contada de vários modos, a partir dos bairros”, instigou.

Autor de livros sobre o Rio de Janeiro, como “João do Rio – a Cidade e o Poeta”, Antonio Edmilson chamou atenção para as características da cidade e seu morador, que não podem ser esquecidas no debate atual. “O Rio de Janeiro é uma cidade das ruas. A recuperação do espaço da rua é fundamental. O carnaval de rua recupera a cidade, por exemplo”, pontuou. Para compreender o subúrbio carioca, é importante revisitar a história da cidade. “A partir dos anos 30, a ideia de subúrbio aparece como oposição às áreas urbanas. A partir dos anos 80, a noção de periferia resignifica e requalifica a ideia de subúrbio”.

O Centro e a Cidade

São muitas as singularidades do Rio de Janeiro: “aqui é um dos poucos lugares em que as pessoas, quando vão ao Centro, dizem ‘vou à Cidade’”, ressaltou. Outra: “O Rio é uma das poucas cidades do mundo que tem duas fundações: a francesa e a portuguesa. Essa mistura acontece no Rio de todas as maneiras possíveis. E não podemos abdicar disso”. E arrematou: “ser carioca é vagabundear com inteligência”.

Editor do número atual da revista Acervo, do Arquivo Nacional, toda em torno do Rio de Janeiro (e disponível online), e profundo conhecedor da cidade, Antonio Edmilson também abordou as transformações urbanas pelas quais o Rio de Janeiro está passando, em várias regiões. “A nova centralidade no Rio é a da Barra, da Zona Sul e da Zona Portuária, onde o projeto se estende da Glória até a Maré”, afirmou.

O importante, para ele, é manter o fluxo da cidade para todos os lados, através da circulação dos moradores – coisa cada vez mais complexa. “O MAM parece que fica em Marrakesh. O Riocentro, na Austrália! É uma loucura a gente pensar numa cidade com essa mobilidade”, comparou.

Sobre os subúrbios, acredita que, à luz da interpretação dos sítios simbólicos de pertencimento, é possível repensar o papel da região na cidade. “Há duas percepções sobre o subúrbio: a do lugar humilde, pequeno, sem espaço, ou aquela mais expandida, que leva em conta o conceito de cidade diversificada, com fluxos constantes de um lado para o outro. Acho essa mais interessante”.

Links que podem interessar:

Acesse a edição atual, coordenada pelo professor Antonio Edmilson, da revista ACERVO, do Arquivo Nacional, cujo tema é o Rio de Janeiro: http://www.revistaacervo.an.gov.br/seer/index.php/info/issue/view/49

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