O lugar do inconsciente coletivo

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Vitor Pordeus. Foto Paula Giolito

Primeiro na ordem de fala, Vitor Pordeus optou por contar sua experiência com o trabalho desenvolvido nos espaços públicos. Ele coordena o grupo de teatro composto por internos do Instituto Municipal Nise da Silveira, antigo Hospício do Engenho de Dentro, que se apresenta em vários pontos do Rio de Janeiro e do Brasil, e o bloco Loucura Suburbana, que faz parte da agenda do Carnaval carioca. O Hotel da Loucura existe há quase três anos, mas o trabalho de Pordeus, que se autodefine como ator de rua, um artista do espaço público, já dura oito anos nas ruas.

“Estar na rua tem sido uma experiência muito forte e profunda. Existem forças inconscientes que se manifestam e criam um ritual ali: moradores de rua, uma série de entidades e doentes mentais graves com quem lidamos todo tempo. Foi assim que fui chegando à ideia de que o espaço público é o inconsciente coletivo. Quando você entra nele e se depara com a energia de outras pessoas, aquele espaço se torna canal de diálogo onde o morador de rua que vai cantar, vai dançar e vai falar coisas que nos farão identificar as evoluções e manifestações”, relatou o médico.

Para Vitor Pordeus, é no espaço público que a comunidade se manifesta. E se essas manifestações têm sido cada vez mais violentas a razão está em forças sóbrias existentes no lugar. O exemplo do que ele fala está nas comunidades ocupadas por milícias, traficantes, polícia e exército, lugares onde a violência é banalizada e executada como forma de combate.

“Quando nós saímos às ruas para fazer arte pública, a chamada arte de todos os tempos, que os gregos, Shakespeare, Molière, Garcia Lorca e todos os grandes homens do teatro na história faziam, manifestamos as forças da comunidade, vemos o que está ali, quais são os fantasmas, quais são os demônios, quais são as histórias. Nós, no papel de executores desse trabalho de ritualidade cultural e humana, somos capazes de modular essas forças”, afirmou ele, considerando que essa é a boa notícia.

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Uma resposta em “O lugar do inconsciente coletivo

  1. Que bacana e creio que o Rio de Encontros nunca mais foi o mesmo depois dessa presença dessa figura tão importante para a saúde, cultura e educação brasileira. Pois ele entra no profundo e intimo humano e do ser e viver de cada um, aqueles que habita em lugares remotos ele usa a arte como um disparador de organização politica e social de nossa cidade, viva arte pública. Grande Vitor Pordeus.

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