Como será o Rio e as perguntas da plateia

Obras, incentivo ao esporte, os problemas  da cidade em xeque / Foto Paula Giolito

Obras, incentivo ao esporte, os problemas da cidade em xeque / Foto Paula Giolito

Anabela Paiva, jornalista – Augusto, a gente ouve muito sobre o privilégio dado à Barra para sediar equipamentos olímpicos. Teria sido melhor colocar equipamentos em áreas mais degradas da cidade, nos subúrbios, ponderam alguns. O que motivou essa decisão?

Augusto Ivan – A Barra não recebeu mais equipamentos, ficou com 16 modalidades de disputa. Deodoro, com 15, e os demais estão espalhados por Copacabana, Marina da Glória. A Barra concentra Maria Lenka, HSBC e Riocentro. O terreno não era privado, tinha uma propriedade municipal, estadual e federal. A justificativa era a proximidade do Riocentro, da Vila dos Atletas. Do ponto de vista estratégico da cidade, Deodoro é um grande exemplo do que vai ficar numa região mais pobre.

Cláudia Antunes, repórter da revista Piauí – O modelo de cidade da Barra é anacrônico, não tem vida de cidade, os espaços são privados. Qual o lugar do projeto do Porto, no projeto olímpico? Por que as construtoras não têm interesse em construir lá? O projeto era área mista de moradia e comercial, onde a prefeitura ordenaria de modo a propiciar outro tipo de convivência urbana. Qual é o problema agora? Não é falta de demanda de comprador, mas de empresa que construa.

Augusto Ivan –  Muitos anos atrás, a cidade estava crescendo, os polos econômicos crescendo, as empresas não querendo ir para a Barra, o Centro com espaços já ocupados. O investimento vai para o Porto, não vai para a Barra, porque as empresas estão no Centro, já que a Petrobras está lá. Então, estão indo para o Porto.  Há legislações de incentivo à moradia, mas o mercado de terra tem uma vontade própria, também. Não há como obrigar.

Juliana – O Maracanã foi reformado para ao Pan, foi reformado para a Copa, e vai passar por uma nova reforma para atender ao padrão olímpico? Por que a obra já não foi feita pensando nisso?

Mario Andrada – Não está prevista reforma no Maracanã, mas ajustes, nada muito grande.

Pedro Strozenberg na mediação entre os debatedores e a plateia / Foto Paula Giolito

Pedro Strozenberg na mediação entre os debatedores e a plateia / Foto Paula Giolito

Pedro Strozenberg – Quais os desafios e incentivos para quem se prepara para disputar as Olimpíadas?

Isabel – A relação de um atleta com os Jogos, quando é brasileiro, é diferente de todos os outros países. Eu estava em Berlim, no início da Copa, e a relação da população com o evento é totalmente diferente, a vida das pessoas não para, nem por isso eles deixam de torcer. O esporte ainda tem um ranço, um peso para os atletas de jogar no próprio país. Para o atleta, jogar uma olimpíada no Brasil vai ser sensacional, mas é preciso ter frieza para não confundir a emoção, e fazer aquilo jogar a favor, não contra. Para o esporte, a Olimpíada é legal, mas não é tão fundamental. Eu torço pelo maior número de medalhas, mas também pra que a gente tenha uma outra visão do esporte, que ajude a construir uma sociedade mais justa.

Flávio Canto – A demagogia do sistema que envolve o esporte é um grande problema.  Exageros à parte, a Alemanha fez um planejamento muito coerente e criou uma metodologia do futebol. No final, os grandes atletas iam treinando e estudando. Isso faz difença. O planejamento foi tão ferrenho, que até o marketing é forte. É genuíno, mas é planejado. Foi a vitória da civilização sobre o improviso e o imediatismo. Lá, os dirigentes não se perpetuam  nos cargos das federações de esporte.

Luis Gustavo, ESPM – Antes de qualquer evento desses, primeiro vem a onda de pessimismo. Foi assim com a Copa, que todo mundo saiu amando. A preocupação é com legado ou com a imagem da cidade? A Baía de Guanabara, por exemplo, o legado é para o carioca ou é para o mundo?

Mario Andrada – A Baía de Guanabara é maior legado ambiental dos Jogos. Todo o esgoto jogado in natura está sendo resolvido, construído um cinturão no entorno da Baía, uma opção para a população jogar o lixo em outro lugar, a discussão em torno da baía é monumental, mas tem uma evolução. Nos Jogos, vai estar bem mais limpa.

Anabela Paiva – Mario, a Copa surpreende – todo mundo esperava um momento de muito confronto –, graças também ao aparato de segurança que foi criado. Em 2015, a previsão é de ano duro economicamente. Como combater uma eventual hashtag ‘#Não vai ter Olimpíada?’

Mário Andrada  – a solução para ‘#não vai ter Olimpíada’ é o diálogo.

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