Dois olhares para o esporte

Isabel salgado: "Quando veio a notícia de que íamos sediar os Jogos Olímpicos, todos se renderam" / Foto Paula Giolito

Isabel salgado: “Quando veio a notícia de que íamos sediar os Jogos Olímpicos, todos se renderam” / Foto Paula Giolito

Isabel Salgado, a Isabel do vôlei, todo mundo conhece. Flávio Canto, o judoca medalhista, também dispensa apresentações mais alongadas. Ambos vivenciam o quanto o esporte é importante para a dinâmica da cidade, para a expressão plena da cidadania. E no discurso, além da prática, eles deixam transparecer o engajamento.

“O sentido de a gente estar aqui é enorme. A gente adora o Rio de Janeiro e quer uma cidade mais bacana, mais humana”, disse Isabel logo na entrada. Mas nem só de euforia se sustenta uma cidade, ela tratou de apontar.

“Quando veio a notícia de que íamos sediar os Jogos Olímpicos, até quem era contra mudou de ideia. Todos se renderam. Todo mundo estava na mesma onda. No entanto, faltou, e falta, a gente participar e fiscalizar. Por que estão tirando pessoas de certos lugares para construir isso ou aquilo? Por que o orçamento de dez virou um gasto de trinta? Esse tipo de debate é necessário se a gente quer uma cidade melhor. É preciso saber como a cidade vai ser gerenciada, como vai ser administrada. Um evento como esse altera a legislação, inclusive. Algumas medidas tomadas em função dos eventos, muitas vezes não são o que se quer para a cidade efetivamente”, emendou.

“Sou uma atleta, sou técnica. Meu envolvimento é como participante, mas sobretudo como alguém que quer que esse evento traga de fato alguma coisa para todo mundo. Num evento como esse, tem de se falar mais de esporte e menos de negócio, menos de obra”, opinou Isabel.

Flávio Canto: "O esporte tem sido um lugar de encontro de todo tipo de gente" / Foto Paula Giolito

Flávio Canto: “O esporte tem sido um lugar de encontro de todo tipo de gente” / Foto Paula Giolito

As opiniões do judoca Flávio Canto não destoam das de Isabel, mais especificamente sobre o que o esporte pode render de dividendos em cidadania e superação. É dele a proeza do bronze olímpico, nos Jogos de Atenas, em 2004. Além e conquistar medalhas, o pentacampeão sul-americano de judô e tetra-campeão pan-americano divide a faixa de idealizador, com outros amigos, do Instituto Reação, que ensina o judô a crianças carentes no Rio de Janeiro. Filho de pai brasileiro, mas nascido em Londres, ele aprendeu a circular pela cidade.

“De certa forma, o que eu busquei no esporte foi promover encontros. Cresci no Rio de Janeiro, uma cidade bastante dividida, como a maioria das cidades, cheia de muros invisíveis e sem misturas. Foi o esporte que me deu a possibilidade de encontro e acesso a pessoas de outras realidades, de diferentes origens e classes sociais. Não tenho competência para falar de legado mais formal, mas sobre o que o esporte pode fazer pela gente. Esse é o meu papel aqui: mostrar que o esporte tem sido um lugar de encontro de todo tipo de gente”, avisou o judoca.

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