Dois olhares para a cidade

O jornalista Mário Andrada e o urbanista Augusto Ivan de Freitas Pinheiro têm, em suas respectivas áreas, o olhar desafiador da gestão olímpica, definiu Pedro Strozenberg. “Que papel cada um tem? Qual o limite que se estabelece para a compreensão do que é possível e o que é necessário para a dinâmica da cidade?”, o mediador adiantava perguntas.

Mário Andrada: "A iniciativa privada não faz nada de graça e essa regra é clara" / Foto Paula Giolito

Mário Andrada: “A iniciativa privada não faz nada de graça e essa regra é clara” / Foto Paula Giolito

”Os jogos são um encontro de várias tribos. Dos jogadores, dos atletas, de torcedores, de organizadores, e a minha missão é fazer com que essas tribos se entendam. Meu trabalho é tirar os muros invisiveis e fazer com que as tribos dialoguem”, Mário Andrada explicou. E a Copa, que recebeu nota 9,25 do exigente – e polêmico – presidente da Fifa, Joseph Blatter rendeu também um aprendizado que vai ser útil mais adiante. “A Copa mudou o humor do país e teve uma organização positiva, mas, ainda assim, ficou a impressão de que o torneio passou e não deu tempo fazer muita coisa que a gente queria ter feito. Vem a chance com os Jogos”, completou.

Augusto Ivan, cuja experiência na prefeitura do Rio já se estende há mais de 40 anos e inclui uma passagem como secretário de urbanismo, conhece bem os territórios por onde circula e o que é necessário em cada um, e trabalha com data fechada. A Empresa Olímpica Municipal, responsável pela organização da cidade para os Jogos Olímpicos encerra os trabalhos com o fim dos Jogos. Até lá, há muito por fazer. “Aqui, a gente vai falar é sobre legado mesmo”, anunciou. Evento de grande envergadura, segundo ele, não é novidade para o Brasil. Se retrocedermos no tempo, eles aparecerão desde séculos atrás. Bom de exemplos, Ivan rememorou a preparação da Feira de 1908, quando o Brasil comemorou os 100 Anos da Abertura dos Portos, no bairro da Urca. O Rio, capital federal e palco de transformações.  A Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, que reuniu 14 países também é emblemática.

Augusto Ivan de Freitas Pinheiro: "Equipamentos e meios de acesso a esses equipamentos, esses são o grande legado" / Foto paula Giolito

Augusto Ivan de Freitas Pinheiro: “Equipamentos e meios de acesso a esses equipamentos, esses são o grande legado” / Foto paula Giolito

“Grande eventos e grandes obras não são novidade para nós. O Rio não é uma cidade informal, que não dá conta do seu destino. Perdemos o título do Mundial, mas o Rio e o Brasil estão bem na foto. A ideia da cordialidade volta a nos animar quando estamos recebendo visitas. Apareceu na Copa, e vai aparecer de novo nos Jogos Olímpicos”, garantiu o também professor de urbanismo.

O histórico dos Jogos Olímpicos está na memória, por conta dos estudos e pesquisas, e no dia a dia, pela prática na assessoria especial da presidência da Empresa Olímpica Municipal. Os bons casos estão aí para serem usados como referência. Roma, em 1960, logo depois da II Grande Guerra, está na lista pelo grande condomínio residencial construído para receber os atletas e servir à população da cidade quando acabassem as Olimpíadas. Mais recentemente, os Jogos cujos legados se estabeleceram de forma mais acentuada foram os de Barcelona – que tem influência também na forma como o Rio está se organizando – e Londres, um espetáculo onde tudo deu certo, porque lá não tem como dar errado, brincou Augusto Ivan.

“Só para contextualizar, nós somos capazes de organizar grandes eventos. É importante que, no mercado mundial de cidades, elas se coloquem bem, que se gerem renda, que se mostrem capazes de gerenciar processos e projetos, de abrigar eventos, produção, organização, serviços, tudo que uma cidade precisa ter para ajudar que seus milhões de habitantes vivam de maneira melhor”, afirmou ele.

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