Rio de perguntas, segunda parte

O arquiteto Claudius Ceccon, conselheiro d'O Instituto / Foto: Paula Giolito

O arquiteto Claudius Ceccon, conselheiro d’O Instituto / Foto: Paula Giolito

Willian Oliveira – O que vocês acham da ditadura das milícias nas favelas? Que tipo de garantia e segurança as eleitores terão para exercer essa democracia, considerando as milícias?

José Eisenberg – As comunidades que tiveram algum nível de institucionalização foram as que apresentaram maior resistência às milícias, que foram se instalar na Zona Oeste porque não ali não há nenhum amparo.

Alexandre – As milicias surgiram como fenômeno organizado para se apropriar da política. A cada eleição, vai ficando mais fácil aplicar a Lei da Ficha Limpa.

Igor Souza – Há manipulação das pesquisas de intenção de voto?

Cláudio Gama – Entre os grandes institutos, é muito difícil haver manipulação. É preciso considerar que os cenários eleitorais mudam muito. Os institutos se tornaram conhecidos pela pesquisas eleitorais e são testados eleição após eleição.

José Eisenberg – Não existe pesquisa cretina. Pesquisa de opinião erra porque os pesquisadores são ruins e porque o que eu declaro e o que eu voto são coisas diferentes, por um ​conjunto de variáveis.

Hugo Rodrigues – O cara que estava na manifestação estava lá porque a galera dele estava indo. O que espero é que por mais que isso tenha sido moda, respingue em outubro. Tenho 26 anos e nunca tive uma aula de política na escola, não deveria ter essa preocupação na escola?

Alexandre Rodrigues – O interesse pela política passa pela escola, sim, mas não numa aula sobre o que é política e sim no fato de estudar. Quem estuda começa a pensar, né? E começa a pensar sobre o que está acontecendo à sua volta, até que ponto a gente é que paga o que o governo gasta. A educação, naturalmente, faz as pessoas mais abertas, mais alertas à questão da política. Nesse sentido, acho que também entre os jovens que têm feito manifestações está faltando essa pauta. Eu vejo “ah, quero escola padrão FIFA” e tal, e só. A gente vê que em outros países o movimento é muito em busca de educação. No Chile, por exemplo, a pauta dos estudantes é essa. Acho que aqui no Brasil os jovens não estão muito ligados nisso.

José Eisenberg – Quero a Educação Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política do Brasil), que ensinavam valores e virtudes de uma vida cívica e um sistema político republicano​, de volta. ​Mas sem o caráter autoritário da época da ditadura, claro. ​Sem isso, a educação não funciona.

Anabela Paiva – Como ter sentido de partido se os próprios partidos não têm?

José Eisenberg – Crise de representação e legitimidade é um problema do mundo inteiro, não é só nosso. O tema da participação é antiquado. Temos de conceber um sistema que permita que as pessoas que querem votar, votem; e as que querem ir para casa se sintam representadas mesmo assim. Experimentar é algo que a classe politica tem muito receio de fazer.

Alexandre Rodrigues – É preciso criar algum canal maior de contato com as pessoas, com mais interatividade e transparência. Hoje, o governo gasta como quer muitos recursos e não explica. Transparência é uma tendência mundial das democracias, é inevitável. O novo modelo de representatividade tem de passar pela transparência durante o mandato. Se as coisas não estão funcionando, o cara que está no poder tem de mudar ali. Os governos tem que aprender a fazer isso.

Silvia Ramos – Quem vai ganhar a eleição?

Alexandre – Eu acho que as pessoas decidem de acordo com um pragmatismo muito grande. Na eleição estadual, que é mais perto da vida delas, pensam se vai ter obra perto da casa delas. Tem muitos interesses individuais envolvidos. E quando há um partido que tem uma máquina administrativa forte, como é o caso do PMDB do Rio hoje, isso pode fazer muita diferença. O Lindbergh Farias fala com os jovens, tem um passado mais próximo do momento de reivindicação que está acontecendo hoje. O Garotinho está à frente nas pesquisas porque as pessoas não estão pensando em eleição ainda, então ele tem ali um terço do eleitorado que gosta e vai votar nele. Mas acho que a rejeição dele é muito alta. Por fim, na eleição presidencial, por um lado há a lógica de que é muito difícil tirar uma pessoa do poder. Mas, por outro lado, a Dilma tem problemas graves na gestão dela . Existe um mal estar muito grande hoje na sociedade, as pessoas sabem que a vida melhorou no governo do PT porque elas têm mais emprego e tudo, mas falta mobilidade, falta essa cidade para todo mundo. Existe um mal-estar para fora de casa. Acho que as pessoas vão colocar isso em dúvida. Não sei se vai ser o suficiente pra ela perder a eleição, mas acho que vai ser bem difícil pra ela se reeleger.

Cláudio Gama – O que pesa nas pesquisas é a popularidade. O Pezão ainda tem contra ele o desconhecimento do nome, enquanto o Garotinho é mais conhecido. Voto no Garotinho ainda é voto no patrimônio do nome. Na eleição estadual, temos o Lindbergh com carisma incrível e Pezão com falta de carisma. Meu chute é Pezão, no cenário com muitos candidatos. O que deve se reproduzir no âmbito federal: Dilma leva, também, em cenário com muitos candidatos.

José Eisenberg – Não desprezem o Garotinho, que acaba de recolocar-se como como politico que conversa com o movimento sindical. Os sindicatos que ele controla têm o aparato que o tornam diferente daquele candidato de 1990. Essa eleição é fluminense. O velho modelo Chaguista que o Pezão quer usar vai sair pela culatra.

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