Rio de perguntas, primeira parte

Alexandre Rodrigues, José Eisenberg e Cláudio Gama / Foto: Paula Giolito

Alexandre Rodrigues, José Eisenberg e Cláudio Gama / Foto: Paula Giolito

Rio de Encontros – Qual será a influência das redes sociais no processo eleitoral?

José Eisenberg – Eu brinco com isso da rede social desde que a gente brincava de ICQ (I seek you), em 2000. E confesso que o desenvolvimento das coisas foi muito mais rápido que eu esperava. Agora, qual é a diferença entre uma rede social de amigos e a rede social do Facebook? Eu sei que tem diferenças. Tem diferenças quantitativas – devo ter dezenas de amigos de relações face a face, que eu posso contar – e tenho certamente milhares de amigos no Facebook. As diferenças são qualitativas, eu tenho relações mais verticais, mais profundas, com tratamentos mais longos, sobre temas mais reflexivos, muitas vezes mais íntimos, nas minhas relações interpessoais face a face. E no Facebook, por exemplo, as relações são mais horizontais, mais superficiais.

Anabela Paiva – As redes sociais não vão ter impacto (nas eleições)? Mas o processo de difusão é tão dinâmico que a informação chega às pessoas mesmo que elas não queiram. O grave é que a informação que circula é forte e não é comprometida com fatos, tem potencial incendiário.

José Eisenberg – Pegando aqui alguns ganchos do Alexandre Rodrigues, entre o tipo de opinião, formação de opinião, detrollagem e coisas do tipo, ao qual o Facebook se presta como ambiente de convivência social, e o tipo de construção do escândalo, do furo jornalístico, vazamento e coisas afins, ao qual o Twitter tende a se prestar mais? E o flagrante fotográfico, como é que vai operar num contexto como o Instagram? A paródia do YouTube – que tipo de humor o Porta dos Fundos vai fazer com as eleições? Aparecerão veículos dedicados a isso, a fazer o jornalismo de eleição na internet? Não sei. Nós estamos aprendendo muito ainda sobre essa brincadeira. Eu acho que as pessoas que estão utilizando aquilo que nós chamamos de redes sociais, que eu prefiro pensar simplesmente que são plataformas de interação social eletrônica, muito poucas delas estão interessadas em realmente utilizar a plataforma para fazer e discutir política.

Eu quero ver qualquer político atingir os dois milhões de amigos ou curtidas que a galinha pintadinha tem no Facebook. Não vai. No entanto, quando o criador da galinha pintadinha coloca lá “bom dia, mamães”, em dois minutos mais de duzentos curtiram. Um bom dia! Não tem nem um desenho novo, nada. O lugar do frugal é bem mais predominante no contexto dessas relações que se estabelecem no nosso mundo eletrônico que as reflexivas. Ou seja, eleição e rede social é casamento infeliz. O noivo é velho, cheio de hábito e cacoete e a noiva é nova, está experimentando, charmosa. Não vai rolar. Essa é minha aposta.

Igor Souza – Como dar credibilidade à imprensa?

Alexandre Rodrigues – Existe hoje um senso comum de que a imprensa é um grande mal. Mas a imprensa é um pilar da democracia, não pode ser desmoralizada.

Claudius Ceccon – A vocação nacional do Rio não deve ser vista como um defeito. Na eleição municipal, se discute o país. A questão é que nós necessitamos de reforma política real. Os partidos não valem em lugar nenhum. Nossa tragédia é que no Brasil os partidos não têm uma proposta.

José Eisenberg – O Rio odeia partidos. O Rio gosta de linhagem, é aristocrático, como a velha capital da República. O Rio tem lideranças, mas o perfil dessas lideranças está mudando. As duas sensações políticas são o Jean Wyllys e o Marcelo Freixo. As antigas estão se desdobrando, com sucesso. A renovação entre as lideranças tradicionais está acontecendo. A mobilidade social em crise já tem representante. Carioca não tem partido, a ele interessam legados. O PT do Rio não tem cara. O Rio e uma cidade ressentida.

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