Caiu na rede

Alexandre Rodrigues: "A imprensa é um pilar da democracia, não pode ser desmoralizada” / Foto: Paula Giolito

Alexandre Rodrigues: “A imprensa é um pilar da democracia, não pode ser desmoralizada” / Foto: Paula Giolito

O jornalista Alexandre Rodrigues abriu a conversa. Com passagens pela editoria de economia, é na política que ele investe agora, principalmente em compreender as mudanças que vêm ocorrendo no país. O dever de casa devidamente pronto, defendeu a influência das mídias sociais no processo eleitoral, alertou para a cautela necessária na disseminação das informações via internet, adargou a imprensa como fonte confiável e pilar da democracia, realçou o caráter peculiar do Rio no cenário político nacional quando se trata de exercer o direito ao voto.

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O carioca tem lá suas especificidades em relação ao voto do brasileiro em geral, mas o cenário econômico, segundo Alexandre, vem assumindo um papel central nas eleições em todo o país.

“Economia tem muito a ver com política. Cada vez mais, as eleições têm sido decididas baseadas no tema socioeconômico. O bem estar pessoal conta muito na hora de decidir o voto, especialmente para presidente, aquele governante que não está perto do seu cotidiano, de uma necessidade mais local.”

No que o Rio se distancia – ou se diferencia – é na vocação para as vias alternativas. “Aqui, o PT e o PSDB são partidos pequenos, com pouca expressão e sem grandes líderes. A história política do estado provocou essa desconexão entre dois grandes partidos no plano nacional. Há uma influência muito grande do brizolismo, o que eu chamo de ‘os filhos do Brizola’. Muitos dos líderes dos principais partidos no Rio, hoje, vieram daí: o Cesar Maia, o Garotinho, o Eduardo Paes. A origem é a mesma, embora eles tenham ou se apresentem com visões completamente antagônicas”.

A confusão ideológica é certa. “No Rio, essa matriz comum do brizolismo acabou também fazendo com que a gente não reproduzisse o jogo nacional, em que o PT e o PSDB acabaram ficando hegemônicos”, disse ele, apontando para as votações expressivas de Heloisa Helena, em 2006, Fernando Gabeira, em 2008, Marina Silva, em 2010, como exemplos.

O eleitorado do Rio carrega certa rebeldia. E agora, além dessa característica, os candidatos vão ter de lidar com novos componentes, que são a mobilização de jovens, o que ganhou força com as manifestações de junho de 2013, e o uso de mídias sociais.

“De alguma forma, a campanha do Gabeira em 2008 inspirou muito a da Marina Silva em 2010, que envolveu muitos jovens. Eles participaram da campanha como voluntários, o que não se via há muito tempo. Os jovens são idealistas, inconformados com a realidade, têm vontade de mudar. E isso dá motivação genuína para participação na política”, ressaltou.

A inovação de que Alexandre Rodrigues fala não vem apenas da internet. Mas as mídias sociais, segundo ele, representam uma nova praça, o novo espaço de conversa. “As mídias sociais vão influenciar muito a eleição desse ano, pelo fato de as pessoas terem mais acesso à informação. E isso faz com que os jovens todos que estão integrados fiquem muito parecidos – mesmo os de classes sociais diferentes acabam tendo acesso ao mesmo tipo de informação – e conversem as mesmas coisas”.

Cabe aos políticos, se quiserem acertar, assumir o quão fortes essas redes podem ser. “Eles ainda não entenderam como usar esse instrumento. Hoje, os candidatos têm menos fãs no Facebook do que o Guaraná Antártica. Acho que eles precisam ser mais genuínos, confiar, conversar mais”, opinou.

Confiança é palavra-chave quando se trata de mídia social. “As pessoas confiam no amigo do facebook, há grande possibilidade de credibilidade aí. Por outro lado, há o risco da guerra suja na internet. A difusão de informações erradas, fora de contexto, mentiras, boatos, sensacionalismo, coisas que tornam-se virais. Isso vai ser um grande problema nessa campanha”.

E é no cuidado urgente sobre a origem da informação, que entra o jornalismo. “País nenhum ganha deslegitimando a imprensa. É muito importante saber quem produz e como produz a informação”, sentenciou Alexandre.

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