Pela redução de danos

Christiane Sampaio: “A redução de danos é um olhar que não exclui a droga" / Foto Paula Giolito

Christiane Sampaio: “A redução de danos é um olhar que não exclui a droga” / Foto Paula Giolito

A psicóloga Christiane Sampaio conhece de perto a realidade dos dependentes químicos. Foi coordenadora dos Consultórios na Rua, ação do governo federal, e durante toda a década de 1990, esteve à frente da política de redução de danos do governo do estado do Rio de Janeiro. As experiências renderam a constante e atual militância em defesa dos usuários de drogas e o conhecimento sobre as políticas públicas implementadas para tratar a questão das drogas pelo viés da saúde.

“No início da década de 1990, o movimento deixa de ser uma ação sanitária para ganhar força de mobilização social. Isso perdeu força no início dos anos 2000, o que descongregou a base do trabalho. Mas ficou a ética do cuidado, da compreensão da questão do uso da droga, que ganhou um novo papel. Hoje, a redução de danos dentro dos serviços de saúde tem como desafio transformar o saber em hegemônico”, avalia.

A diferença entre a política tradicional e a política de redução de danos é fácil de compreender. A primeira prega que o sucesso no cuidado está na abstinência. A segunda, por sua vez, trata de garantir que o sujeito se relacione de modo mais equilibrado com a substância. O sucesso, nesse caso, está na ressignificação da prática.

“A redução de danos é um olhar que não exclui a droga das relações. Trata-a como inerente à história do sujeito e estabelece um novo paradigma: o médico e a enfermeira não dizem mais ‘você tem de parar de usar drogas para ser feliz’. Essa é uma mudança muito significativa na forma de estabelecer o cuidado. Tem de ter o olhar e a atitude de quem quer ajudar”, explica a psicóloga.

Do que você está precisando hoje?

Os Consultórios na Rua surgiram integrados aos CAPS – Centros de Atenção Psicossocial -, serviços comunitários para o tratamento de pessoas com transtornos mentais graves e pessoas com problemas mentais decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Dos tempos em que coordenou a distribuição de seringas para usuários de drogas ao atendimento em Manguinhos, a psicóloga faz a comparação e atesta que, apesar dos poucos avanços, a situação é outra:

“Nos primeiros programas de redução de danos, as redes funcionavam às escondidas. O acesso, hoje, é bem mais fácil. Os Consultórios na Rua são a via de acesso dessas populações ao SUS, sem exigir que o sujeito seja abstêmio. A abordagem é de aproximação, é de perguntar o que ele está precisando hoje”, ela afirma.

Nos consultórios, o atendimento é feito de forma rotineira para garantir o vínculo do usuário com a equipe. “Existem ações que dificultam, o processo, como questões de segurança pública, isso faz com que os usuários migrem de um território para outro, o que dificulta as ações de saúde. É preciso remapear essas populações.”

 

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