Pela problematização da política de drogas

A antropóloga Alessandra Oberging, da rede Pense Livre, faz a mediação do Rio de Encontros / Foto Paula Giolito

A antropóloga Alessandra Oberging, da rede Pense Livre, faz a mediação do Rio de Encontros / Foto Paula Giolito

Alessandra Oberling traz na fala o lema da organização que representa, a Rede Pense Livre.  Na luta por uma política de drogas que funcione, a antropóloga e membro do Comitê Interino para a Aliança Global defende que é hora – ainda que tardia – de problematizar o tema.

“Temos de parar e rever essa política. O número de dependentes cresceu e a política não atingiu os resultados a que se propôs. É uma política datada, que se disseminou a partir da década de 1970, na qual a proibição se faz pela criminalização. Esse paradigma perdurou, mas o resultado da guerra às drogas foi um fiasco em todos os países que a implementaram. Nos países latinos, as consequências foram ainda mais graves”, afirmou.

Encarceramento de negros e pobres, fortalecimento do tráfico, aumento de dependência de drogas mais pesadas, como o crack. A lista de resultados negativos da proibição, começa, mas não se encerra em três itens. Para Alessandra, autora do estudo etnográfico “Maconheiro, dependente, viciado ou traficante? Representações e práticas dos policiais militares sobre o consumo e o comércio de drogas na cidade do Rio de Janeiro”, a estratégia de intervenção do estado é totalmente equivocada.

O tabu que a proibição causou nos últimos anos foi a falta de informação das mais básicas às mais complexas, ela assegura. É preciso, portanto, dar um outro enfoque: “O Brasil anda muito lentamente. Ainda temos muita dificuldade de falar sobre o tema. Esperamos que o país pare e pense nessa política que tem produzido muito mais danos que benefícios. Em larga escala, o ápice da violência tem a ver com a política de extermínio”, sentenciou a pesquisadora, que atua em projetos com enfoque em direitos humanos, segurança pública, política sobre drogas, gênero e políticas públicas. 

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