Mais uma vez a plateia

Da plateia: Como qualificar grupos para acessarem recursos públicos? / Foto: Marcelo de Jesus

Da plateia: Como qualificar grupos para acessarem recursos públicos? / Foto: Marcelo de Jesus

“Vocês se lembram dos ‘nem, nem, nem’? Não tem política pública para esses ‘nens’. Eles não estão fazendo nada que não seja precário. Não têm apoio, nem legitimação. O estado não está preparado e eles ficam num lugar que é lugar nenhum”, Ilana Strozenberg iniciou a segunda rodada de perguntas da plateia.

Hanier Ferrer, tutor na Agência de Redes para a  Juventude, foi o primeiro da fila: “O Júnior falou de utopia e eu vejo como tudo que se discute atravessa o campo da democracia. Pergunto se, dentro da utopia, não seria mais interessante pensar em meios de promover novos arranjos de produção e compartilhamento de saberes, finanças e métodos e, através de um ponto da rede, conseguir espalhar? Não seria mais interessante pensar em fusões, hibridismos, em uma juventude mais atuante?”

Dinah Protasio, do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular) partiu de uma experiência bem-sucedida para perguntar sobre uma dificuldade comum: “O Oi Kabum, há quatro anos, trabalha com formação de jovens no Rio e em outros estados. Existe a produção e deveria haver qualificação para os grupos se institucionalizarem. Há fontes e fundos do governo, mas os grupos não conseguem a qualificação para concorrer aos recursos públicos. Os jovens estão trabalhando, se tornando microempreendedores, mas como qualificar os grupos para acessarem recursos públicos?”

Davi Marcos, fotógrafo do Observatório de Favelas, contou sua própria experiência: “Estudei num CIEP, tinha aula de artes e atividades complementares. Isso funcionava muito bem e eu passei a achar que era natural ter acesso a uma série de coisas. Depois, migrei para uma escola comum, onde o ensino era uma bosta. Mais adiante, fui buscar formação numa ONG, na favela. Coisas que tinham lá no começo no CIEP, fui encontrar ali. As ONGs fazendo o trabalho que era feito pelo governo. E diziam ‘Ah, isso é uma porcaria, é desvio de dinheiro’, sempre há as críticas. Mas para onde se encaminha a educação formal do pobre?”

Karen Kristien, produtora de artes cênicas da Cia do Gesto, quis saber como se posicionar: “A Anna falou sobre capital de fala e o jovem contemporâneo. A gente tem de provocar o estado ou ele tem de ter uma escuta qualificada? Como vocês veem a questão do posicionamento?”

Rossana Giesteira, gestora do projeto Ar, realçou que a produção é latente, mas falta visibilidade: “Vejo que a dificuldade para fazer projetos em que se trabalha o subjetivo é a busca da instituição. Você tem de se empoderar, tem de ter esforço, mas vale a pena.”

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