Sujeitos pensantes

Júnior Perim: Fui educado para pedir dinheiro porque eu nasci pobre / Foto: Marcelo de Jesus

Júnior Perim: Fui educado para pedir dinheiro porque eu nasci pobre / Foto: Marcelo de Jesus

Produtora da Agência de Redes para Juventude desde 2011, Veruska Delfino foi categórica: “O desafio da nossa geração é legitimar o que a gente faz. Não levar para enquadramento num sistema já engessado. Que tal chamar o estado e parceiros para transformar a forma de fazer e legitimar o que a gente já está fazendo?”

“Não há outra forma senão essa, Veruska”, Júnior Perim assentiu. “O Norte Comum é uma forma de se organizar para produzir cultura e capital simbólico. Desde quando começaram as manifestações, fala-se em crise de representação de modelo político. A gente precisa se organizar para dar conta de um determinado desejo. Não acredito em abolir o estado. Os grupos sentaram pau no (Eduardo) Paes, que resolveu ouvir o que eles queriam. Os caras não conseguem verbalizar e saem demonizando. Eu estava na conversa. Quando acabou eu perguntei ‘gente, vocês não pediram dinheiro?’ Eu fui educado para pedir dinheiro porque eu nasci pobre”, disse ele, inflamado.

Não basta fazer arte, é preciso viver dela. O Crescer e Viver é uma prova. “A gente é uma escola. Agora, cada vez mais a gente impulsiona para que o resultado dessa criação estética vire empreendimento. Tem companhias já gerenciando recursos, que se constituíram como empresas. Por que não reconhecer a experiência do Norte Comum? Eu tenho medo de ver uma experiência como a do Fora do Eixo ser criminalizada. Quem são nossos inimigos são os que promovem a desigualdade da representação política. Eu furei o bloqueio, Faustini, Capilé. E nenhum de nós aceitou o lugar de ser sujeito extraordinário. A gente quer dar conta do mundo ordinário, que tem mais gente além de nós”, completou ele.

Não sou contra institucionalização não, tá? Ao contrário, Ana Enne fez questão de pontuar. “Sou fã do Cecip desde a TV Maxambomba. O sistema de classificação é sempre aleatório, maluco, mas eu trabalho com corte em cima das falas dos meninos que atuam nos projetos. Trabalhei com instituições de confinamento na Baixada e outras que atuavam com jovens. Quando explicavam o projeto, era uma coisa. Quando fui lá conhecer os meninos, era outra. Quando você junta disposição de trabalhar cultura, o corte político não desaparece”, explicou ela.

O desafio, continuou Ana, é como contemplar diversidade, trabalhar com linguagem, fazer aporte com reflexão política. “Ganhar dinheiro, sim. Mas cada lugar responde de uma maneira. Ter essa virada, uma preocupação com o pensar político, produz sujeitos empoderados de forma diferente. A pessoa passa a se preocupar com necessidade de compreender o mundo. Só pra fechar, não é institucionalizar que é o problema, mas a forma de lidar.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s