Rio nos trilhos

Sérgio Magalhães: Melhorar com investimentos em infraestrutura talvez seja uma das linhas mais importantes do urbanismo no mundo todo / Foto: Marco Sobral

Sérgio Magalhães: Melhorar com investimentos em infraestrutura talvez seja uma das linhas mais importantes do urbanismo no mundo todo / Foto: Marco Sobral

Sérgio Magalhães fez questão de anunciar que é otimista. Não à toa, o Rio de Janeiro e sua vasta população estão diante de muitas e boas possibilidades. Desde que as soluções sejam devidamente aplicadas.

“São 12 milhões de pessoas, mais que Portugal. São 12 milhões de pessoas que querem a cidade. Temos potenciais para melhora e uma identidade coletiva fortalecida. A imagem ambiental do Rio é ancorada numa geomorfologia que nos dá consistência ao longo das gerações e dos séculos. Isso fortalece a identidade coletiva, o que não é pouca coisa. Temos uma base cultural, construída pela miscigenação e pelas condições históricas, muito forte. Um E essas bases imateriais (imagem, pertencimento, sentimento e cultura) são um patrimônio fabuloso.”

As bases materiais também contam muito: “Temos uma infraestrutura implantada desde o fim do século XIX que não está sendo aproveitada para a mobilidade.  Temos de ter transporte público que seja mais vantajoso que o carro”, ele defendeu.

A mudança – ou adaptação – é possível. Basta que a cidade retorne aos trilhos originais, às linhas de trem que estruturaram a Zona Norte e a Baixada Fluminense, como ele expôs com os mapas que retratam a dimensão metropolitana da cidade. “Das 10 mil pessoas por quilômetro quadrado em 1970, houve um salto para 16 mil. A cidade tinha metade da população de hoje e estava estruturada. Se recuperarmos isso, passamos a ter uma linha de conforto, um fluxo estimado de transporte coletivo. Mas não reverte-se essa equação com base no rodoviarismo. Desde 1970, o Rio tenta transferir o  Centro para a Barra. Nenhuma cidade do mundo fez isso.”

Os governos gastam 14 vezes mais em transportes individuais em relação aos transportes coletivos. É preciso privilegiar o transporte público, Sérgio Magalhães empunhou a bandeira baseado em dados concretos, como o crescimento de veículos em circulação na cidade entre os anos de 2003 e 2010, as distâncias médias percorridas pela população e as linhas de transporte sobre trilhos existentes e projetadas para promover a integração da cidade.

As urgências são muitas e a segurança pública também requer esforço concentrado. “Temos de ter segurança ao alcance de todos os territórios. Não é razoável voltarmos. Temos de avançar, implantar serviços em toda a cidade. Isso é uma conquista que temos de assegurar. Viver com a violência não dá certo, já temos essa experiência”, afirmou, em aberta defesa do que já está pronto.

Tudo é uma questão de manter e reforçar em todas as direções pelas quais a cidade desponta: de Santa Cruz a Nova Iguaçu. “Melhorar com investimentos importantes em infraestrutura talvez seja uma das linhas mais importantes do urbanismo no mundo todo”, disse ele, um otimista declarado também com a recuperação ambiental da nossa cidade.

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