‘Nem, nem, nem’

Plateia debate desigualdades no Rio de Janeiro / Foto: Marco Sobral

Plateia debate desigualdades no Rio de Janeiro / Foto: Marco Sobral

Apertem os cintos, segurem a onda, a plateia vai falar, Silvia Ramos avisou. Antes, Maína Celidônio voltou ao ponto da divisão entre favelas e não-favelas e rebateu: “Alguns serviços públicos, para serem ofertados na favela requerem uma tecnologia diferente. Para o gestor decidir onde vai investir, a favela ainda tem uma focalização de pobreza, porque a probabilidade de ele acertar é muito maior. A dificuldade de implementação facilita”. Seria ótimo se fosse assim, disse Sérgio Magalhães. “A gente vê que, nas últimas décadas, as desigualdades foram crescentes. Isso demonstra também pela dificuldade de inclusão dos jovens dentro de um sistema produtivo”, a economista insistiu.

Na sequência, a jornalista Julia Michaels quis saber se existe algum diálogo iniciado entre o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e a prefeitura da cidade. Mais: se o que está sendo debatido trará resultados positivos e concretos.

Marina Moreira, da Agência de Redes para a Juventude, sobre os ‘nem, nem, nem’, ponderou: “Esses dados chocam, preocupam, mas é impossível que ninguém faça nada da vida. O que se está inventando na cidade que ainda não se descobriu? Como a gente pode reinventar espaços e relações de trabalho e estudo? Essas pessoas estão perdidas. Ai, meu Deus, o que a gente faz?”

Hanier Ferrer, da Agência de Redes para a Juventude trouxe a educação à tona: “O nosso sistema educacional é padronizante, não cria uma chave que conecte a criança com o mundo. Quem nasce pobre já tem de pensar além da educação.”

Peter MC, o Rappórter Peter, tinha fala pronta: “A maior favela do Rio não é a Rocinha, é a Baixada Fluminense. Lá, a gente carece de infraestrutura, de educação, tem bem pouco dinheiro. A gente não consegue fomentar projetos porque dizem que a gente não é favela. Como a gente não é favela?”

Thainã de Medeiros, da Agência de Redes para a Juventude, fez questão de lembrar a diferença na oferta de serviços públicos quando o território de destino é a favela. “Eles (os serviços) chegam. Mas qualquer coisa que se faça na favela parece grande coisa.”

Maína Celidônio ponderou que a única forma de avaliar os indicadores das favelas é pelo Censo. É preciso esperar os tais dez anos para obter os números e daí os indicadores. A educação, segundo ela, é exatamente sobre o que se deve debater: “A classificação de favelas reúne 22% da população da cidade. O debate que se quer é esse: por que uma criança é alfabetizada e outra não? Por que as realidades são diferentes? O dado tem o poder de suscitar a conversa e a busca de soluções. Não sei o que estão fazendo os ‘nem, nem, nem’, mas é certo que a gente tem um modelo de educação formal e acadêmica que deixa muita gente de fora. É preciso questionar outras vocações, expandir as possibilidades tradicionais para além do ambiente formal”, defendeu.

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