Jeito de morar carioca

Claudius Ceccon: O que aconteceu com o Morar Carioca? Parou, sumiu, não se fala mais nisso?  /  Foto: Marco Sobral

Claudius Ceccon: O que aconteceu com o Morar Carioca? Parou, sumiu, não se fala mais nisso? / Foto: Marco Sobral

O arquiteto Claudios Ceccon, conselheiro d’O Instituto, usou a deixa de Sérgio Magalhães sobre a experiência em habitação popular adquirida pelo Rio. “Tivemos o Favela Bairro e, vinte anos depois, o Morar Carioca. Já muito se avançou na questão da favela como solução. Tanto que foi feito um movimento e um concurso no sentido de integrar a cidade através do Morar Carioca e levar todos os serviços a essa parte da cidade que não tem suporte. Mas o que aconteceu com o Morar Carioca, para o qual o IAB foi instrumento importantíssimo? Parou, sumiu, não se fala mais nisso? Como nós todos podemos ajudar a levantar de novo essa questão para que seja encarada?

Sérgio Magalhães explicou a via crucis: “Quando assumi o IAB, em 2010, o prefeito me chamou e disse que desejaria que as favelas fossem o grande legado das Olimpíadas de 2016. Foram 88 equipes e quase mil arquitetos participantes. Fizemos o concurso e passamos a bola para a prefeitura, para contratação dos escritórios. Em 2012, foram contratados apenas 11 deles, ou seja, as prioridades não seguiram como anunciadas. Entrou a UPP Social, que também não foi frutífera e o trabalho não alcançou o que se imaginava possível. É difícil, há muito preconceito dos órgãos públicos e da sociedade, na hora de prestar serviços nas áreas pobres e de favela.”

O jornalista Rogério Daflon insistiu com os imbróglios que envolvem o Morar Carioca. Se são necessários investimentos permanentes e os trabalhos não alcançaram o que se imaginava possível, por que a sociedade não questiona o suficiente para não deixar atrasar?

O problema envolve dos sistemas de planejamento aos sistemas de governo e está em todos os níveis:

“O poder de um prefeito ou governador está acima do razoável. Ele decide como quer, muda a hora (risos). Os sistemas de planejamento ruíram no Brasil nas duas últimas décadas. Os projetos que o Rio executa hoje foram projetados nos anos 1970. O Favela Bairro teve um certo rumo, depois mudou e, quando entrou Morar Carioca, a ideia era urbanização e prestação de serviços públicos. Há uns dois meses, o prefeito disse ‘vamos contratar imediatamente todos os 40 escritórios, vamos urbanizar todas as favelas, tenho dinheiro’. Ontem (na segunda-feira, 9), havia apenas 17 escritórios contratados”, relatou Sérgio Magalhães.

A urbanização das favelas precisa voltar a ser exigência da sociedade. É o que vai forçar a prefeitura a agir. É preciso considerar que os políticos são comprovadamente frágeis em resistir a uma demanda forte.

“O triste no Rio é que as demandas estão muito concentradas na representação do mercado imobiliário. Os recursos estaduais e federais para urbanização das favelas são escassos. E são R$ 2 bilhões apenas de recursos municipais. O Brasil é uma enorme favela, todas as grandes cidades têm predomínio das áreas irregulares que precisam ser urbanizadas”, afirmou.

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